O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou um novo capítulo no Rio Grande do Sul. Após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados, representantes do setor supermercadista passaram a alertar para possíveis impactos nos preços dos alimentos e nos custos das empresas.
A preocupação foi manifestada pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), que avalia que a mudança na jornada de trabalho poderá gerar aumento imediato das despesas operacionais dos estabelecimentos. Segundo a entidade, o cenário pode resultar em reajustes para os consumidores nos próximos anos caso a proposta avance no Senado.
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Associação vê risco de aumento nos preços dos alimentos
De acordo com o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior, o fim da escala 6×1 poderá provocar uma elevação significativa dos custos enfrentados pelos supermercados.
Segundo ele, os gastos do setor poderiam aumentar entre 18% e 22%, exigindo adaptações nas escalas de trabalho e a contratação de novos funcionários.
“Já que os custos em supermercados subirão imediatamente em cerca de 18% a 22%. Infelizmente não há uma solução mágica, nenhuma empresa conseguiria absorver este peso”, afirmou o dirigente.
Na avaliação da entidade, esse aumento de custos acabaria chegando ao consumidor final por meio do reajuste de preços em alimentos e produtos considerados essenciais.
Debate sobre o fim da escala 6×1 segue dividindo opiniões
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 tem gerado discussões em diferentes setores da economia.
Defensores da medida argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliar o tempo de descanso e contribuir para o equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Por outro lado, entidades empresariais afirmam que a mudança pode aumentar despesas operacionais, especialmente em segmentos que funcionam todos os dias da semana, como supermercados, comércio e serviços.
Para Peruzzo Junior, a discussão precisa ser aprofundada antes da implementação definitiva das mudanças.
“É uma questão importante, mas está sendo discutida com finalidade eleitoreira. A instituição da escala 5×2 sem o devido debate causará aumento de custos, inflação e improdutividade”, declarou.
Supermercados apontam dificuldade para contratar trabalhadores
Outro ponto levantado pela Agas envolve a necessidade de ampliar equipes para atender às novas regras de jornada.
Segundo a entidade, algumas regiões já enfrentam dificuldades para preencher vagas disponíveis, o que poderia tornar o processo de adaptação ainda mais complexo.
“O primeiro desafio é ajustar escalas e contratar novos colaboradores. Algumas regiões têm um quadro ainda mais crítico de ausência de mão de obra”, afirmou o presidente da associação.
De acordo com ele, caso a proposta seja aprovada pelo Senado, será necessário um período de transição para que empresas possam reorganizar suas operações sem comprometer o atendimento ao público.
O que acontece agora com o fim da escala 6×1?
Após a aprovação na Câmara dos Deputados, a proposta ainda precisa ser analisada pelo Senado Federal antes de seguir para as próximas etapas do processo legislativo.
Enquanto isso, trabalhadores, empresários e entidades de diferentes setores continuam acompanhando os debates sobre os possíveis efeitos econômicos e sociais da medida.
No Rio Grande do Sul, a Agas afirma que seguirá participando das discussões e defendendo que qualquer mudança relacionada ao fim da escala 6×1 seja implementada de forma gradual, permitindo adaptação das empresas e evitando impactos considerados excessivos para o setor supermercadista.

