Gusttavo Lima foi condenado pela Justiça do Piauí a pagar R$ 5 mil por danos morais a uma mulher que foi retirada de um show do cantor em Fortaleza, no Ceará. A decisão também responsabilizou solidariamente o Marina Park Hotel, onde ocorreu a apresentação.
O episódio aconteceu durante o Réveillon na virada de 2022 para 2023 e voltou a repercutir após a sentença, proferida em 30 de setembro de 2026.
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A mulher, Virginia Nogueira, afirmou no processo que foi expulsa depois de fazer o gesto “L” com uma das mãos, em referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após comentários políticos feitos por Gusttavo Lima durante a apresentação. Essa versão consta do relato apresentado pela autora da ação.
Na ocasião, Gusttavo Lima interrompeu o show e pediu que a mulher fosse retirada do evento, alegando que ela havia jogado água em direção ao palco. O momento acabou registrado em vídeo e circulou nas redes sociais.
O que aconteceu no show de Gusttavo Lima?
Segundo o processo, Gusttavo Lima fazia comentários políticos durante a apresentação quando Virginia Nogueira, que estava no meio do público, fez o gesto associado a Lula.
Na sequência, o cantor usou o microfone para pedir que ela fosse retirada do local. A justificativa apresentada por ele foi a de que a espectadora teria jogado água ou bebida em sua direção.
A defesa de Gusttavo Lima sustentou posteriormente que a retirada ocorreu por uma questão de segurança, diante de supostos arremessos reiterados de objetos contra o palco. O cantor também alegou culpa exclusiva da espectadora e negou a existência de ato ilícito.
Mulher pediu R$ 500 mil na Justiça
Após o episódio, Virginia entrou com uma ação judicial alegando ter sido retirada do evento de maneira vexatória.
A mulher afirmou que a situação provocou constrangimento, ataques virtuais e abalo psicológico. Na ação, ela pediu R$ 500 mil por danos morais.
A Justiça, porém, fixou a indenização em R$ 5 mil e rejeitou os pedidos relacionados a danos materiais.
O juiz Carlos Marcello Sales Campos considerou que a exposição pública da mulher e a posterior circulação das imagens nas redes sociais contribuíram para a dimensão dos danos reconhecidos na sentença. A decisão também apontou a projeção nacional de Gusttavo Lima como um fator relevante na análise do episódio.
Gusttavo Lima e hotel terão de pagar indenização
Além do cantor, o Marina Park Hotel também foi responsabilizado solidariamente pela Justiça.
A administração do estabelecimento havia alegado que apenas cedeu o espaço físico para a realização do evento por meio de contrato com a organizadora. Ainda assim, a sentença reconheceu a responsabilidade solidária pelo episódio.
O pedido de ressarcimento por danos materiais, por outro lado, não foi acolhido.
Defesa da fã vai recorrer
Apesar de ter obtido uma decisão favorável quanto à existência dos danos morais, a defesa de Virginia Nogueira informou que pretende recorrer.
O advogado Décio Mota considera que os R$ 5 mil estabelecidos na sentença são insuficientes diante das consequências alegadas pela cliente e pretende pedir a revisão do valor.
A decisão ainda está sujeita aos recursos cabíveis.
A reportagem também procurou a defesa de Gusttavo Lima para obter um posicionamento sobre a sentença. Até a publicação da matéria, não havia resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.
Caso volta a repercutir quase quatro anos depois
O episódio ocorreu no fim de 2022, mas voltou ao centro das atenções após a decisão judicial divulgada nesta semana.
A sentença não determinou indenização simplesmente pelo gesto político feito pela espectadora. O processo discutiu principalmente a forma como ela foi retirada e exposta durante o evento, além dos efeitos posteriores da divulgação das imagens.
Por isso, a condenação reconheceu danos morais relacionados à conduta considerada abusiva no episódio, enquanto a defesa do cantor sustentou que a intervenção havia sido motivada por questões de segurança.

