Você pega um produto no supermercado, coloca no carrinho, continua fazendo as compras e, alguns minutos depois, decide que não vai mais levar aquele item. Em vez de simplesmente abandoná-lo na primeira prateleira que aparece, você volta e coloca o produto no lugar de onde o tirou.
Parece uma atitude pequena e quase automática, mas ela pode representar uma forma de consideração pelo trabalho de outras pessoas. Afinal, cada produto deixado em um local errado precisa ser encontrado, recolhido e levado novamente para a seção correta.
LEIA TAMBÉM:
- Fábrica de doces encerra produção após 67 anos no mesmo endereço, demite quase 100 funcionários, mas marcas tradicionais podem continuar nas prateleiras
- Fim do Bolsa Família? Flávio Bolsonaro esclarece o que fará com o programa se for eleito
- Governo Federal vai liberar auxílio extra para famílias com até R$ 3.242 de renda nos próximos dias; veja como receber
O comportamento também evita que outros clientes encontrem mercadorias fora do lugar e ajuda a manter a organização do estabelecimento.
Mas existe uma situação em que devolver o produto ao lugar pode não ser a melhor atitude — e ela envolve principalmente alimentos que precisam de refrigeração ou congelamento.
Por que devolver o produto pode fazer diferença?
Imagine um funcionário responsável pela reposição das mercadorias. Ao longo do dia, dezenas de clientes pegam produtos das prateleiras e mudam de ideia.
Quando alguém deixa uma lata de alimentos na seção de produtos de limpeza, por exemplo, aquele funcionário terá que perceber o erro, pegar a mercadoria e levá-la de volta ao local correto.
Se o próprio consumidor faz esse caminho, evita uma tarefa adicional para quem já está trabalhando na organização da loja.
É uma atitude que não depende de reconhecimento. Na maioria das vezes, ninguém sabe quem colocou o produto de volta no lugar.
O que a psicologia diz sobre esse comportamento?
A atitude pode ser relacionada ao chamado comportamento pró-social, termo usado na psicologia para descrever ações voluntárias que beneficiam outras pessoas ou o grupo.
Devolver um produto ao local correto pode se encaixar nessa lógica porque o consumidor realiza uma ação que facilita o trabalho de outra pessoa sem necessariamente receber alguma recompensa por isso.
O hábito também demonstra atenção ao ambiente compartilhado.
Em vez de pensar apenas na própria compra, a pessoa considera o que acontecerá depois que ela abandonar aquele produto.
Mas existe uma exceção importante
É justamente aqui que a situação fica mais interessante.
Se o produto for perecível e precisar permanecer refrigerado ou congelado, não é recomendável simplesmente colocá-lo de volta na prateleira ou no freezer por conta própria depois de deixá-lo fora da refrigeração.
Nesse caso, o mais adequado é avisar um funcionário.
O motivo não é apenas organização. É segurança alimentar.
Carnes, laticínios, frios e outros alimentos perecíveis podem ficar expostos a temperaturas inadequadas durante o período em que permanecem fora da refrigeração.
De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), alimentos perecíveis não devem permanecer na chamada “zona de perigo”, entre 40 °F e 140 °F (aproximadamente 4,4 °C a 60 °C) por mais de duas horas em condições normais. Em temperaturas ambientes mais altas, esse período pode ser ainda menor.
Por isso, se alguém pegou um alimento refrigerado ou congelado e desistiu da compra depois de algum tempo, o funcionário do estabelecimento é quem deve avaliar o que fazer com aquela mercadoria.
Quando devolver e quando chamar um funcionário?
A diferença pode ser simples.
Produtos que não precisam de refrigeração: se você desistiu da compra, pode devolver a mercadoria ao local correto.
Exemplos incluem enlatados, produtos de limpeza, alimentos secos, biscoitos, roupas e outros itens que não dependem de temperatura controlada para conservação.
Produtos refrigerados: se o item ficou fora do equipamento de refrigeração, o mais indicado é avisar um funcionário em vez de simplesmente recolocá-lo.
Produtos congelados: a atenção precisa ser ainda maior, porque eles podem começar a descongelar enquanto permanecem fora do freezer.
Nesse caso, deixar o produto em qualquer lugar é ruim, mas recolocá-lo por conta própria também pode não resolver o problema.
A melhor atitude depende do produto
A ideia de que “sempre devemos devolver o produto ao lugar” parece simples, mas não funciona para todas as situações.
Para uma lata de milho esquecida no carrinho, por exemplo, devolver o item à prateleira é uma atitude que ajuda a manter o supermercado organizado e reduz o trabalho de reposição.
Já um sorvete que ficou vários minutos fora do freezer merece outro tipo de cuidado.
Ao encontrar uma situação assim, avisar um funcionário permite que o estabelecimento decida se o alimento ainda pode ser comercializado ou se precisa ser descartado.
No fim, a consideração está em pensar no próximo
Devolver o produto ao lugar certo pode parecer uma atitude insignificante, mas ajuda a evitar trabalho desnecessário para quem mantém as prateleiras organizadas.
O gesto também beneficia os outros consumidores, que encontram os produtos onde esperam encontrá-los.
Só existe uma ressalva importante: quando se trata de alimentos perecíveis, a preocupação deixa de ser apenas organização e passa a envolver segurança alimentar.
Nesse caso, a melhor demonstração de consideração pode ser justamente não colocar o produto de volta e chamar um funcionário.
A lógica, no fim, continua sendo a mesma: perceber que uma pequena decisão durante as compras pode afetar o trabalho de outra pessoa, ou até a segurança de quem levará aquele produto para casa.

