Pessoas que enfrentam problemas com apostas online podem buscar ajuda gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O governo federal ampliou para até 100 mil por mês a capacidade de teleatendimentos em saúde mental destinados a pessoas com sinais de compulsão por jogos, além de oferecer acolhimento a familiares.
A iniciativa funciona por meio do aplicativo Meu SUS Digital e permite que os usuários recebam atendimento remoto, sigiloso e especializado. A ampliação foi anunciada pelo Ministério da Saúde em agosto de 2026, após o serviço começar a funcionar em março, inicialmente com capacidade para cerca de 600 atendimentos mensais.
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A medida ganha relevância em meio às discussões sobre os impactos financeiros e sociais das apostas esportivas e de outras modalidades de jogos online. Em agosto de 2024, cerca de cinco milhões de pessoas pertencentes a famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram aproximadamente R$ 3 bilhões para empresas de apostas por meio do Pix, segundo dados do Banco Central divulgados na época.
O chamado “auxílio”, neste caso, é uma forma de assistência em saúde mental, e não um pagamento em dinheiro. O objetivo é facilitar o acesso ao cuidado para quem enfrenta dificuldades relacionadas às apostas.
Como funciona o auxílio para quem tem vício em bets?
O serviço oferece atendimento remoto por videochamada, com profissionais capacitados para acolher pessoas que apresentam problemas relacionados aos jogos e às apostas.
O acompanhamento pode incluir consultas psicológicas e avaliação das necessidades de cada paciente. Conforme o caso, a pessoa poderá receber orientações para continuar o tratamento remotamente ou ser encaminhada à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que inclui serviços presenciais do SUS.
A iniciativa é direcionada a pessoas com 18 anos ou mais que apresentam problemas relacionados às apostas. Familiares e integrantes da rede de apoio também podem buscar acolhimento e orientação.
A ampliação anunciada pelo Ministério da Saúde elevou a capacidade de atendimento de aproximadamente 600 para até 100 mil consultas mensais, com o objetivo de facilitar o acesso ao cuidado diante da procura pelo serviço.
Como solicitar atendimento gratuito pelo SUS?
O primeiro passo é acessar o aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para celulares e também em versão web. O usuário precisa entrar com sua conta gov.br e procurar a ferramenta relacionada a problemas com jogos de apostas.
Veja como fazer:
- Acesse o aplicativo ou a versão web do Meu SUS Digital.
- Entre utilizando sua conta gov.br.
- Na página inicial, selecione a área “Miniapps”.
- Procure a opção “Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta” ou a ferramenta de problemas com jogos de apostas, conforme a versão disponível.
- Responda ao autoteste sobre sua relação com os jogos.
- Siga as orientações apresentadas para receber o encaminhamento adequado.
O questionário ajuda a identificar sinais de risco e a orientar o próximo passo. Quando o resultado indica risco moderado ou elevado, o sistema pode encaminhar o usuário para o teleatendimento. Em outras situações, a plataforma apresenta orientações para buscar outros serviços de saúde.
O atendimento é gratuito e sigiloso. Quem não consegue utilizar a ferramenta digital também pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) para receber orientação.
Quais sinais podem indicar problemas com apostas?
O vício em bets pode afetar não apenas o orçamento, mas também a saúde mental, a rotina e as relações pessoais. Por isso, é importante observar mudanças de comportamento e procurar ajuda quando as apostas começam a causar prejuízos.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dificuldade para reduzir ou interromper as apostas.
- Gastar mais dinheiro do que o planejado.
- Comprometer despesas essenciais para continuar jogando.
- Esconder apostas ou mentir sobre os valores gastos.
- Sentir ansiedade, irritabilidade ou culpa relacionadas aos jogos.
- Ter problemas familiares, profissionais ou financeiros por causa das apostas.
A presença de um desses sinais não determina, por si só, um diagnóstico. No entanto, quando o comportamento começa a prejudicar a vida cotidiana, buscar orientação profissional pode ajudar a identificar o problema e encontrar o cuidado adequado.
Por que os gastos com bets entre beneficiários do Bolsa Família chamaram atenção?
Os dados do Banco Central sobre agosto de 2024 ampliaram o debate sobre a relação entre apostas online e vulnerabilidade financeira. Naquele mês, aproximadamente cinco milhões de pessoas pertencentes a famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram cerca de R$ 3 bilhões para empresas de apostas via Pix.
Desse total, cerca de quatro milhões eram responsáveis pelo recebimento do benefício e movimentaram aproximadamente R$ 2 bilhões em transferências para plataformas de apostas.
Os números se referem às transferências identificadas no período analisado e não comprovam que todo o dinheiro utilizado nas apostas tenha saído diretamente do benefício social. Ainda assim, os dados ajudaram a colocar em evidência a preocupação com os efeitos das apostas sobre o orçamento familiar.
Nesse contexto, ampliar o acesso ao atendimento em saúde mental é uma das medidas adotadas pelo governo para acolher pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas.

