Uma fábrica de pneus de uma das maiores fabricantes do mundo encerrou suas atividades no Brasil após mais de 70 anos de história. A decisão da Michelin atingiu a unidade de Guarulhos, na Grande São Paulo, e afetou aproximadamente 350 trabalhadores.
O encerramento ocorreu em dezembro de 2025, mas o caso voltou a ganhar repercussão em 2026. A decisão marcou o fim de uma operação industrial histórica da empresa na cidade.
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Apesar do fechamento, a Michelin não deixou o Brasil. A fabricante francesa continua mantendo outras atividades no país.
Fábrica de pneus da Michelin fecha após décadas de operação
A unidade de Guarulhos fazia parte da presença industrial da Michelin no mercado brasileiro.
Depois de mais de sete décadas de atividades, a companhia decidiu encerrar a operação, afetando centenas de trabalhadores ligados à fábrica.
A decisão teve impacto sobre os funcionários e suas famílias, além de representar uma mudança importante na presença industrial da fabricante na região.
O encerramento da unidade, porém, não significa que a Michelin tenha interrompido toda a fabricação de pneus no Brasil.
A empresa continua atuando no mercado nacional, tanto na produção quanto na comercialização de seus produtos.
Por que a Michelin decidiu fechar a fábrica?
Segundo a fabricante, o fechamento foi motivado principalmente pelo avanço da concorrência de produtos importados, especialmente da Ásia.
A Michelin explicou que o aumento da oferta de produtos estrangeiros criou um cenário de excesso de capacidade produtiva em determinados segmentos do mercado brasileiro.
Alguns desses produtos chegavam ao país com preços inferiores aos custos enfrentados pela indústria nacional.
A situação afetou principalmente a produção de câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, uma das especialidades da unidade de Guarulhos.
A empresa informou que analisou alternativas para manter a operação, mas concluiu que não havia condições competitivas sustentáveis para sua continuidade.
O que acontecia dentro da fábrica?
A instalação pertencia anteriormente à Levorin, tradicional fabricante brasileira fundada em 1943 e adquirida pela Michelin em 2016.
A unidade produzia principalmente câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, além de pneus industriais e materiais semiacabados utilizados em outras etapas de fabricação.
Com a aquisição da Levorin, a Michelin incorporou a estrutura industrial de Guarulhos às suas operações no Brasil.
O encerramento da produção colocou fim a uma trajetória industrial de mais de 70 anos ligada à antiga fabricante brasileira.
O que aconteceu com os 350 trabalhadores?
O fechamento atingiu aproximadamente 350 funcionários que trabalhavam na unidade.
Quando anunciou a decisão, em junho de 2025, a Michelin informou que ofereceria um pacote de apoio aos empregados afetados.
A proposta incluía suporte financeiro e orientação profissional para ajudar na recolocação no mercado de trabalho.
As condições também seriam negociadas com representantes sindicais, além do cumprimento das obrigações previstas na legislação trabalhista.
O número de 350 corresponde aos trabalhadores afetados pelo encerramento. As informações disponíveis não permitem confirmar que todos tenham sido demitidos sem possibilidade de transferência ou outra solução.
Michelin também fechou fábricas em outros países
O fechamento no Brasil ocorreu durante um processo mais amplo de reorganização das operações industriais da Michelin.
A multinacional também anunciou encerramentos de unidades produtivas na França e no México, além de mudanças em suas atividades industriais na Alemanha.
Na França, por exemplo, a decisão atingiu as fábricas de Cholet e Vannes, que reuniam aproximadamente 1.250 trabalhadores.
A empresa apontou dificuldades relacionadas à concorrência, aos custos de produção e às mudanças na demanda por determinados tipos de pneus.
Esses movimentos fazem parte de uma revisão da capacidade industrial da fabricante em diferentes mercados.
Michelin vai deixar de fabricar pneus no Brasil?
Não. Apesar do encerramento da unidade de Guarulhos, a Michelin continua mantendo atividades industriais e comerciais no Brasil.
A empresa possui outras operações produtivas, incluindo unidades em Itatiaia, no Rio de Janeiro, e Manaus, no Amazonas.
Em junho de 2026, a agência AFP publicou uma checagem esclarecendo que eram enganosas as publicações que afirmavam que a Michelin havia abandonado o Brasil. A própria fabricante confirmou que continuava operando no país.
Portanto, o fechamento atingiu uma fábrica específica, e não toda a estrutura brasileira da multinacional.
O encerramento definitivo da produção ocorreu em dezembro de 2025, depois de um processo gradual de desativação anunciado meses antes.
Para Guarulhos, a decisão representou o fim de uma operação industrial histórica. Para aproximadamente 350 trabalhadores, significou a necessidade de enfrentar uma mudança importante na vida profissional.

