Aos 12 anos, João Gabriel Nery conseguiu tirar do papel um projeto que guardava desde pequeno: construir seu próprio avião. Com ajuda do pai e de um serralheiro, o menino montou uma aeronave no quintal de casa, na região noroeste de Goiânia, usando uma estrutura metálica e materiais simples para dar forma à fuselagem, às asas e à cabine.
O trabalho começou no fim de julho de 2026 e ficou pronto em 5 de setembro, depois de cerca de 40 dias de construção. O avião não tem motor e não pode levantar voo, mas conta com rodas, painel de comandos e detalhes feitos artesanalmente.
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A criação é resultado de uma ideia que começou quatro anos antes, quando João Gabriel tinha apenas 7 anos. Desde então, ele desenhava o modelo que imaginava construir e explicava ao pai como gostaria que cada parte da aeronave fosse feita.
Sonho de construir avião começou aos 7 anos
Em 2022, João Gabriel começou a desenhar o avião depois de assistir a reportagens sobre aeronaves. Os desenhos mostravam como ele imaginava a estrutura, e o menino passou a conversar com o pai sobre maneiras de transformar o projeto em algo concreto.
O interesse por invenções também apareceu em outras criações. João desenvolveu projetos de telescópio, relógio e celular artesanal, além de desenhar à mão as próprias figurinhas para um álbum da Copa do Mundo.

A iniciativa com as figurinhas chamou a atenção e abriu portas para experiências que o menino ainda não havia vivido. Ele fez sua primeira viagem de avião, conheceu a sede da Confederação Brasileira de Futebol e encontrou personalidades do futebol, como Tite e Marta.
Mesmo com a repercussão do álbum, o plano de construir uma aeronave continuou presente. O desafio era encontrar materiais que permitissem montar uma estrutura resistente sem gastar além das possibilidades da família.
Pai e filho tentaram diferentes materiais
Antes de chegar ao modelo atual, João Gabriel e o pai, João Teixeira, de 56 anos, fizeram experiências com bambu, canos de PVC e arame. As primeiras tentativas, porém, não ofereceram a resistência necessária para sustentar o projeto.
João Teixeira, que trabalha como feirante, chegou a desmontar uma tenda usada no serviço para aproveitar suas peças. A ideia não deu certo, mas ajudou os dois a perceber que precisariam de uma base mais firme.
A solução veio em 2026, quando um serralheiro aceitou ajudar na construção da estrutura metálica. João Gabriel apresentou os desenhos, explicou suas ideias e acompanhou o trabalho.
Com a armação pronta, pai e filho partiram para o acabamento. Papelão, potes de sorvete, palitos de churrasco, cola quente e tampinhas de garrafas PET foram utilizados para criar partes da fuselagem, os comandos e outros detalhes da aeronave.
O resultado preservou o formato que João imaginava desde criança e transformou anos de desenhos e tentativas em uma criação que pode ser vista e explorada de perto.
“Tem muito esforço, tem carinho, tem dedicação, tem até sonho de voar nesse avião dele”, afirmou o pai ao g1.
Menino passa horas dentro da cabine
Depois que a construção ficou pronta, a cabine se tornou o lugar favorito de João Gabriel. Ele passa horas sentado diante do painel, movimentando os comandos e imaginando como seria pilotar uma aeronave de verdade.
Quando o pai pergunta o que está fazendo, a resposta costuma ser: “Tô me imaginando voando”.
João Teixeira também improvisou um uniforme de piloto para o filho. Em alguns momentos, empurra o avião pelas ruas do bairro enquanto o menino permanece sentado na cabine.
Os passeios já chegaram a quase um quilômetro. Na primeira ida até uma praça, moradores se aproximaram para observar a criação, tirar fotos e conversar com João.
Embora não possa voar, o avião tem rodas e pode ser deslocado quando alguém o empurra. Assim, a criação saiu do quintal e passou a chamar a atenção de outras pessoas da vizinhança.
João quer ser piloto e mecânico de aviões
A construção também está ligada aos planos que João Gabriel tem para o futuro. O menino quer trabalhar com aviação e sonha em se tornar piloto e mecânico de aeronaves.
O modelo feito em casa não substitui a formação técnica necessária para seguir essas profissões, mas permite que ele explore ideias de planejamento, montagem e funcionamento de componentes.
Para se tornar piloto privado no Brasil, por exemplo, é necessário cumprir requisitos de idade, escolaridade, formação teórica e prática, avaliação médica e exame de proficiência, conforme as regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Por enquanto, João continua aproveitando a cabine que ajudou a tirar do papel. O avião não decola, mas representa um projeto iniciado aos 7 anos e concretizado com persistência, criatividade e a participação do pai.

