Havan planeja ampliar presença no Norte e Nordeste e Luciano Hang descarta abrir capital

Luciano Hang afirma que a Havan pretende crescer no Norte e Nordeste usando recursos próprios. Empresário descarta IPO e projeta novas lojas.

A rede varejista Havan pretende concentrar parte de sua expansão nos próximos anos nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. A estratégia foi apresentada pelo empresário Luciano Hang, fundador e único acionista da companhia, que afirma que a empresa tem recursos próprios para continuar crescendo sem depender de investidores do mercado financeiro.

O plano busca levar as meg lojas da rede a mercados onde a presença da empresa ainda é pequena. A intenção é repetir o modelo de negócios adotado no Sul e no Sudeste, com unidades de grande porte e um catálogo que reúne produtos para casa, vestuário, eletrônicos, brinquedos e decoração.

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A decisão ocorre em um cenário de juros elevados e consumo mais cauteloso, fatores que, segundo Hang, exigem atenção tanto na abertura de novas unidades quanto na concessão de crédito aos clientes.

Havan quer crescer em regiões onde ainda tem poucas lojas

A expansão para o Norte e o Nordeste representa uma oportunidade de diversificação geográfica para a varejista. A empresa construiu sua presença principalmente no Sul e em São Paulo, onde mantém parte significativa de suas unidades.

Santa Catarina concentra quase 50 lojas, enquanto o Paraná possui mais de 40. São Paulo também reúne mais de 40 unidades, e o Rio Grande do Sul deve ultrapassar a marca de 30 lojas, conforme os números apresentados pelo empresário.

A estratégia é levar o formato de megaloja a novos mercados, aproveitando cidades que funcionam como polos regionais de consumo.

O plano, porém, não significa que todas as cidades dessas regiões receberão unidades imediatamente. A abertura depende da escolha dos terrenos, da aprovação de projetos, de licenças e da viabilidade econômica de cada operação.

Quantas lojas a Havan pretende ter até 2027?

A rede possuía 189 lojas em 30 de junho de 2026. Projeções da agência de classificação de risco Fitch Ratings indicam que a companhia poderá encerrar 2026 com 203 unidades e chegar a 210 em 2027.

Esses números são estimativas, e não uma confirmação de que todas as inaugurações já estejam contratadas ou com datas definidas.

A expansão exige investimentos em construção, estrutura logística, contratação de funcionários e modernização das operações. Segundo as projeções da agência, os investimentos da empresa devem somar cerca de R$ 1 bilhão em 2026 e R$ 700 milhões em 2027, incluindo recursos destinados à abertura de lojas e à modernização do centro de distribuição.

A diversificação geográfica também pode reduzir a dependência dos mercados em que a rede já está mais consolidada.

Por que Luciano Hang não quer abrir capital na bolsa?

Hang descartou retomar o plano de realizar uma oferta pública inicial de ações, conhecida como IPO. A operação permitiria que a empresa vendesse parte de seu capital a investidores na bolsa de valores.

O projeto havia sido deixado de lado no fim de 2021. Na época, a intenção era vender uma participação de aproximadamente 5% a 10% para acelerar o crescimento.

Agora, o empresário afirma que a companhia possui recursos suficientes para financiar sua estratégia sem abrir mão de parte da propriedade ou se submeter às pressões por resultados de curto prazo que, na avaliação dele, podem acompanhar o mercado de capitais.

A decisão mantém a Havan sob controle integral de seu fundador, que pretende continuar conduzindo os investimentos de acordo com a estratégia definida pela própria empresa.

Situação financeira dá suporte ao plano de expansão

Os dados financeiros citados pela Fitch ajudam a explicar a confiança da companhia em financiar seu crescimento com recursos próprios.

Em junho de 2026, a Havan tinha R$ 3,5 bilhões em caixa e aplicações financeiras, diante de uma dívida total ajustada de R$ 2,2 bilhões, considerando a metodologia da agência, que inclui obrigações relacionadas a aluguéis.

A Fitch reafirmou a classificação de crédito nacional AAA(bra), com perspectiva estável, em relatório divulgado em setembro. A avaliação considera fatores como a posição financeira da empresa, sua rentabilidade e a capacidade de gerar caixa.

A agência também projeta fluxo de caixa livre positivo nos próximos anos, mesmo com investimentos em novas lojas e distribuição de dividendos. As projeções, entretanto, dependem do desempenho futuro das vendas, das margens e das despesas operacionais.

Juros altos e crédito exigem cautela

Apesar da estratégia de expansão, Hang reconhece que o ambiente econômico representa um desafio para o varejo. Juros elevados podem reduzir o poder de compra das famílias e dificultar o acesso ao crédito, enquanto a incerteza econômica pode levar consumidores a adiar compras.

O cartão próprio é uma parte relevante da operação da Havan. Segundo o empresário, aproximadamente metade das vendas passa pelo cartão da rede, e a intenção é manter essa participação com maior cuidado na avaliação dos riscos.

A preocupação está relacionada à inadimplência: quando os juros permanecem altos, parte dos consumidores pode ter mais dificuldade para pagar as parcelas, afetando os resultados da operação de crédito.

A empresa já enfrentou problemas com inadimplência em 2022 e 2023 e, por isso, afirma adotar uma postura mais cautelosa.

O que a expansão pode representar para o mercado?

A chegada a novas regiões pode ampliar a presença nacional da Havan, aumentar a concorrência no varejo e criar oportunidades de trabalho ligadas às lojas e às operações de apoio.

Os efeitos concretos, contudo, dependerão do ritmo das inaugurações, da escolha das cidades e do desempenho de cada unidade. A abertura de uma loja também exige estrutura logística e capacidade de atender à demanda local.

Por enquanto, a direção anunciada é clara: a Havan pretende avançar em regiões onde ainda tem espaço para crescer, manter o controle privado do negócio e financiar os investimentos sem recorrer à bolsa de valores.

Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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