Uma fábrica com mais de 70 anos de história encerrou definitivamente suas atividades no Brasil, deixando aproximadamente 350 trabalhadores afetados pela decisão. A unidade pertencia à Michelin, uma das maiores fabricantes de pneus do mundo, e funcionava em Guarulhos, na Grande São Paulo.
O fechamento foi concluído em dezembro de 2025, após um processo gradual de desativação iniciado meses antes. A decisão encerrou uma longa trajetória industrial ligada à tradicional marca brasileira Levorin, conhecida principalmente pelos produtos destinados a motocicletas e bicicletas.
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Segundo a multinacional francesa, a concorrência com produtos importados, especialmente os provenientes da Ásia, tornou economicamente inviável manter a produção naquela unidade.
O caso voltou a chamar a atenção em 2026, quando publicações nas redes sociais passaram a associar o fechamento da fábrica à suposta saída da Michelin do Brasil. Essa interpretação, porém, está incorreta: a empresa manteve outras operações no país.
Fabricante de pneus encerra produção após décadas de atividade
A unidade de Guarulhos era responsável pela fabricação de câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, pneus industriais e materiais semiacabados utilizados em outras etapas da produção.
A fábrica tinha uma ligação histórica com a Levorin, empresa brasileira fundada em 1943. Durante décadas, a marca conquistou espaço no mercado nacional, especialmente entre consumidores de pneus e câmaras de ar para bicicletas e motos.
Em 2016, a Michelin adquiriu a Levorin e incorporou suas operações ao grupo. A unidade paulista continuou funcionando até que a multinacional decidiu encerrar a produção.
O processo de desativação foi realizado gradualmente ao longo de 2025 e terminou em dezembro daquele ano.
Por que a Michelin decidiu fechar a fábrica no Brasil?
A explicação apresentada pela empresa envolve a perda de competitividade diante dos produtos importados.
Segundo a Michelin, o aumento da oferta de itens estrangeiros, vendidos a preços inferiores aos custos enfrentados pela indústria nacional, criou um cenário desfavorável para a manutenção da unidade.
A companhia informou que avaliou alternativas para preservar as atividades industriais em Guarulhos, mas concluiu que nenhuma das opções analisadas oferecia condições economicamente sustentáveis para manter a produção.
A decisão afetou aproximadamente 350 trabalhadores. Durante o processo de encerramento, a empresa informou que negociaria com representantes sindicais medidas de apoio aos funcionários desligados, incluindo assistência financeira e orientação profissional.
Importações aumentam a pressão sobre a indústria brasileira de pneus
O fechamento da unidade ocorreu em um período de dificuldades para a indústria nacional de pneumáticos.
Dados divulgados pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) apontaram que a produção brasileira terminou 2025 em 37,7 milhões de pneus, uma queda de 5,8% em comparação com o ano anterior.
A entidade também informou que os produtos importados ganharam espaço no mercado de reposição, segmento em que os consumidores substituem pneus usados por novos.
Esse cenário ajuda a contextualizar a justificativa apresentada pela Michelin para encerrar a unidade de Guarulhos. Entretanto, os indicadores gerais do setor não significam que todos os fabricantes brasileiros enfrentem exatamente as mesmas condições ou que a concorrência externa seja o único fator relevante para cada empresa.
No caso da fábrica paulista, a multinacional apontou especificamente a pressão dos produtos importados e a falta de viabilidade econômica para continuar produzindo na instalação.
O que aconteceu com os funcionários demitidos?
O encerramento da produção afetou cerca de 350 trabalhadores que atuavam na unidade.
A Michelin informou que negociaria com o sindicato um pacote de desligamento com medidas de apoio aos empregados, incluindo assistência financeira e orientação para a recolocação profissional.
Essas iniciativas buscavam reduzir os impactos da decisão, embora não impedissem o fim dos postos de trabalho ligados à fábrica.
O fechamento também representou uma mudança importante para Guarulhos, município que durante décadas manteve uma ligação com a produção industrial da Levorin.
Michelin vai sair do Brasil depois de fechar a fábrica?
Não. O encerramento da unidade de Guarulhos não significou a saída da Michelin do mercado brasileiro.
A multinacional continuou mantendo outras operações industriais e comerciais no país. Em junho de 2026, uma checagem da AFP esclareceu que publicações que apresentavam a empresa como se estivesse abandonando o Brasil eram enganosas.
A decisão atingiu uma instalação específica, responsável por determinados segmentos de produção, e não todas as atividades da companhia em território nacional.
Portanto, a notícia sobre o fechamento precisa ser entendida dentro desse contexto: a Michelin encerrou uma fábrica histórica e desligou trabalhadores, mas permaneceu atuando no mercado brasileiro.
O episódio evidencia os desafios enfrentados por parte da indústria nacional diante da concorrência internacional e das mudanças nas condições de produção. Para os trabalhadores de Guarulhos, entretanto, a consequência mais imediata foi o encerramento de uma operação que fazia parte da história industrial da cidade havia décadas.

