Encontrar um imóvel para alugar ficou mais caro no Brasil em 2026. Os preços anunciados para locação residencial acumularam alta de 9,13% nos 12 meses encerrados em setembro, praticamente o dobro da inflação oficial registrada no mesmo período.
Os dados são do Índice FipeZAP de Locação Residencial, que acompanha anúncios de apartamentos prontos em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais. Enquanto os aluguéis avançaram 9,13%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,58% em 12 meses.
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A diferença mostra que o custo de encontrar uma nova moradia tem aumentado em ritmo superior ao da inflação geral. Entretanto, o comportamento dos preços varia conforme a cidade, a localização e as características do imóvel.
Aluguel subiu 7,11% entre janeiro e setembro
A pressão sobre os preços também aparece no acumulado de 2026. Entre janeiro e setembro, os valores anunciados para locação aumentaram 7,11%, enquanto o IPCA registrou alta de 3,95%.
Em setembro, o avanço mensal dos aluguéis foi de 0,52%, abaixo dos 0,55% observados em agosto. O resultado indica desaceleração em relação ao pico de 1,04% registrado em abril.
Mesmo com a perda de velocidade, os preços não recuaram na maioria dos mercados analisados. Ao todo, 31 das 36 cidades acompanhadas pelo indicador tiveram aumento nos valores de locação durante setembro.
O Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), frequentemente utilizado como referência em contratos de aluguel, acumulou alta de 3,34% em 12 meses até setembro.
É importante diferenciar os indicadores: o FipeZAP acompanha preços pedidos nos anúncios, enquanto o reajuste de um contrato já existente depende das condições estabelecidas entre proprietário e inquilino.
São Paulo tem o aluguel mais caro entre as capitais
São Paulo continua liderando o ranking de preços médios anunciados para locação entre as capitais brasileiras monitoradas pelo levantamento.
Em setembro de 2026, o metro quadrado residencial na capital paulista chegou a R$ 65,78. Na prática, um apartamento de 50 metros quadrados anunciado pelo preço médio do indicador teria aluguel estimado em R$ 3.289 mensais, sem contar condomínio, IPTU e outras despesas.
Apesar do valor elevado, a capital paulista não registrou uma das maiores altas anuais. Os preços anunciados aumentaram aproximadamente 6,22% em 12 meses, abaixo da média nacional de 9,13%.
Confira os preços médios por metro quadrado em algumas capitais:
- São Paulo (SP): R$ 65,78;
- Recife (PE): R$ 64,39;
- Belém (PA): R$ 62,25;
- Rio de Janeiro (RJ): R$ 61,86;
- Florianópolis (SC): R$ 61,81.
Quando as cidades que não são capitais também entram na comparação, Barueri, na região metropolitana de São Paulo, apresenta o maior preço médio da amostra, com R$ 71,96 por metro quadrado.
Fortaleza lidera a alta dos aluguéis em 12 meses
Enquanto São Paulo se destaca pelo preço elevado, Fortaleza aparece na primeira posição entre as capitais no crescimento acumulado dos aluguéis.
Na capital cearense, os valores anunciados aumentaram 16,59% em 12 meses até setembro. Natal ficou próxima, com alta de 16,51%, seguida por Aracaju, com 15,52%.
O Rio de Janeiro acumulou aumento de 14,80%, enquanto Vitória registrou valorização de 14,22%.
Mesmo com o avanço expressivo, Fortaleza ainda apresenta um preço médio de locação inferior ao das capitais mais caras. O metro quadrado anunciado chegou a aproximadamente R$ 42,22 em setembro.
Isso demonstra que o ranking de valorização não é igual ao de preços: uma cidade pode registrar forte aumento percentual e continuar mais barata do que outra onde os aluguéis já partem de patamares elevados.
Quanto custa alugar um apartamento de 50 m²?
O valor final depende da cidade e do padrão do imóvel, mas o preço médio nacional anunciado pelo FipeZAP permite calcular uma referência.
Em setembro, o metro quadrado residencial custava, em média, R$ 54,77 nas cidades monitoradas. Nesse patamar, um apartamento de 50 metros quadrados teria aluguel estimado em aproximadamente R$ 2.738 por mês.
Esse cálculo é apenas ilustrativo. O valor efetivo pode ser maior ou menor conforme o bairro, o estado de conservação, a infraestrutura do condomínio e a proximidade de serviços e transporte público.
O número de quartos também influencia o preço por metro quadrado. Apartamentos de um dormitório apresentaram média de R$ 72,68 por metro quadrado, contra R$ 51,41 nos imóveis de dois dormitórios e R$ 47,22 nos de três quartos.
Assim, imóveis menores podem ter um custo proporcionalmente mais alto por metro quadrado, embora o aluguel total dependa da área da unidade.
Por que os aluguéis continuam subindo?
Um dos fatores apontados por especialistas é a dificuldade de acesso ao financiamento imobiliário em um cenário de juros elevados.
Quando comprar um imóvel se torna mais difícil para parte das famílias, algumas pessoas adiam a aquisição da casa própria e permanecem por mais tempo no mercado de locação.
Se a procura por imóveis para alugar cresce sem que a oferta acompanhe o mesmo ritmo, os preços anunciados podem continuar pressionados.
A dinâmica, porém, varia de região para região. A disponibilidade de imóveis, a renda dos moradores, a atividade econômica e as condições específicas de cada mercado também influenciam os valores.
Por isso, a alta nacional não significa que todos os bairros ou municípios estejam registrando o mesmo movimento.
Aluguel também oferece retorno a proprietários
O levantamento registrou rentabilidade média estimada de 6,13% ao ano para imóveis residenciais alugados em setembro. O cálculo compara o valor anual da locação com o preço de venda do imóvel.
Entre as capitais analisadas, Recife apresentou rentabilidade estimada de 8,30% ao ano.
Esse percentual representa um retorno bruto estimado, e não o lucro líquido do proprietário. Despesas com manutenção, impostos, administração e períodos sem inquilinos podem reduzir o rendimento efetivo.
A rentabilidade também não deve ser confundida com a valorização do imóvel: são indicadores diferentes, que precisam ser avaliados em conjunto por quem considera investir no mercado imobiliário.
Alta dos anúncios não determina o reajuste de todos os contratos
Apesar do aumento acumulado de 9,13%, quem já mora de aluguel não terá necessariamente um reajuste nesse percentual.
O FipeZAP mede a variação dos preços anunciados para novos contratos, enquanto os contratos em vigor seguem as cláusulas de reajuste e o índice definido entre as partes, respeitando a legislação aplicável.
Para quem está procurando uma nova moradia, por outro lado, o indicador ajuda a entender o cenário encontrado no mercado: os preços continuam subindo, embora o ritmo mensal tenha diminuído em relação ao registrado no primeiro semestre.
A comparação entre bairros, a avaliação de despesas adicionais e a negociação direta das condições contratuais continuam sendo medidas importantes para evitar que o custo da moradia comprometa uma parcela excessiva da renda familiar.

