A pergunta “Bolsonaro mandou matar Lula?” voltou a ganhar destaque nas buscas do Google e trouxe novamente à tona um dos episódios mais graves investigados após as eleições presidenciais de 2022. O caso envolve um documento chamado “Punhal Verde e Amarelo”, que descrevia um plano para assassinar autoridades e foi encontrado durante as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado.
A repercussão cresceu nos últimos dias, depois de uma mobilização nas redes sociais que incentivou usuários a pesquisar a frase. O movimento assim colocou o assunto em evidência.
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Para entender o caso, é preciso separar três questões: o que a Polícia Federal descobriu, o que a Procuradoria-Geral da República afirmou sobre o conhecimento de Jair Bolsonaro e o que foi efetivamente decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Por que a busca “Bolsonaro mandou matar Lula” disparou?
A expressão ganhou força no Google após uma mobilização digital associada ao deputado federal André Janones. Segundo reportagens publicadas em 20 e 21 de outubro de 2026, o parlamentar incentivou a população a pesquisar a frase, o que ajudou a ampliar a circulação do assunto.
O DCI informou que o interesse pela expressão cresceu mais de 5.000%, com base em dados do Google Trends. Esse percentual se refere ao aumento do interesse de pesquisa relatado na ocasião.
O movimento trouxe novamente à discussão o plano Punhal Verde e Amarelo, revelado pela Polícia Federal em novembro de 2024. A principal dúvida passou a ser se as investigações demonstraram que Bolsonaro ordenou o assassinato de Lula ou se apontaram outro tipo de envolvimento.
O que foi o plano Punhal Verde e Amarelo?
O plano investigado pela Polícia Federal previa o assassinato do então presidente eleito Lula, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O documento foi elaborado pelo general da reserva Mário Fernandes, que ocupava um cargo na Secretaria-Geral da Presidência durante o governo Bolsonaro.
Segundo a investigação, o documento foi impresso no Palácio do Planalto em 9 de novembro de 2022. Na mesma data, registros de entrada apontam que Fernandes esteve no Palácio da Alvorada. O planejamento mencionava métodos como explosivos, armas de fogo e envenenamento, e os investigadores também identificaram ações de monitoramento dos alvos.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano não chegou a ser executado porque seus responsáveis não conseguiram obter, na última hora, o apoio do comando do Exército.
Bolsonaro sabia do plano para matar Lula?
Essa é a parte central da polêmica. Em fevereiro de 2025, ao apresentar a denúncia sobre a trama golpista, a Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que Bolsonaro tinha conhecimento do planejamento e havia concordado com ele.
A manifestação da PGR foi além de apontar que o documento existia durante o governo Bolsonaro. O procurador-geral Paulo Gonet sustentou que o plano havia sido levado ao conhecimento do então presidente, que teria anuído às ações descritas.
A defesa de Bolsonaro negou seu envolvimento no planejamento de assassinatos. Por isso, é necessário distinguir a afirmação feita pela acusação da versão apresentada pelo ex-presidente e do alcance das conclusões judiciais.
A investigação também apontou que o documento foi impresso no Palácio do Planalto e que Mário Fernandes se deslocou para o Palácio da Alvorada depois de uma dessas impressões. Esse registro fez parte dos elementos examinados, mas a interpretação sobre o que Bolsonaro sabia e aprovava foi objeto de disputa no processo.
Qual foi o destino dos militares envolvidos
Militares das Forças Especiais do Exército, conhecidos como “kids pretos”, foram incluídos no chamado Núcleo 3 da trama golpista. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nove dos dez réus desse grupo, entre eles militares e um agente da Polícia Federal.
O general da reserva Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira foi absolvido por insuficiência de provas. As penas aplicadas aos condenados variaram de acordo com a participação atribuída a cada um no esquema.
Bolsonaro foi condenado por mandar matar Lula?
Bolsonaro não foi condenado especificamente por ordenar o assassinato de Lula. Embora a Procuradoria-Geral da República tenha apontado que o ex-presidente tinha conhecimento e concordava com o plano investigado, essa acusação não equivale à comprovação de uma ordem direta para matar o presidente. Conhecer um plano, concordar com ele e determinar a execução de um crime são condutas distintas.
Em setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por cinco crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
A condenação foi definida por quatro votos a um, com divergência do ministro Luiz Fux. Na decisão, Bolsonaro foi apontado como líder da organização criminosa. A sentença, porém, não corresponde a uma condenação específica por mandar matar Lula.
Quem eram os outros alvos do plano?
Além de Lula, o documento identificado pela Polícia Federal incluía Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes entre as autoridades visadas.
Lula havia vencido a eleição presidencial de 2022, enquanto Alckmin foi eleito vice-presidente na mesma chapa. Moraes, por sua vez, ocupava uma posição central na condução da Justiça Eleitoral naquele período, em meio a ataques e questionamentos contra o sistema de votação.
A investigação associou o planejamento a uma tentativa mais ampla de ruptura institucional. Por isso, o caso não foi analisado apenas como um documento isolado, mas como parte de uma apuração sobre ações destinadas a impedir a posse do governo eleito e atingir autoridades consideradas obstáculos ao projeto investigado.
Afinal, Bolsonaro mandou matar Lula?
A resposta exige precisão. A Polícia Federal identificou um plano que previa o assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República afirmou que Bolsonaro conhecia o planejamento e havia concordado com ele, enquanto a defesa do ex-presidente negou participação.
O STF condenou Bolsonaro por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, mas não houve uma condenação autônoma que estabelecesse que ele deu pessoalmente uma ordem para assassinar Lula.
Portanto, é correto informar que Bolsonaro foi alvo de uma acusação da PGR sobre seu conhecimento e sua concordância com o plano Punhal Verde e Amarelo, além de ter sido condenado na ação penal sobre a trama golpista. Já afirmar, sem essa distinção, que a Justiça comprovou uma ordem direta de Bolsonaro para matar Lula vai além do que a condenação estabeleceu especificamente até o momento.
O caso continua sendo relevante para compreender a investigação sobre a tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022. E o aumento das buscas mostra que o tema voltou ao debate público.
Qual é a situação atual de Bolsonaro
Bolsonaro começou a cumprir a pena em novembro de 2025, inicialmente sob custódia da Polícia Federal e, posteriormente, na unidade da Polícia Militar do Distrito Federal conhecida como Papudinha. Em 2026, o ex-presidente passou a cumprir prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por questões de saúde.
Em outubro de 2026, a defesa apresentou um pedido de revisão criminal para tentar reverter a condenação, alegando a existência de novos elementos. Os advogados também solicitaram a suspensão da pena enquanto o pedido é analisado. A apresentação do recurso, porém, não significa que a condenação tenha sido anulada ou que a suspensão tenha sido concedida.
Google também entrou na discussão
O ICL Notícias também questionou o comportamento do Google durante a repercussão do caso. Segundo o veículo, uma busca pela frase não exibiu o resumo gerado por inteligência artificial, recurso que apareceu em pesquisas semelhantes envolvendo outras pessoas.
Além disso, entre os primeiros resultados estava uma reportagem com críticas à mobilização promovida por André Janones.

