A campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, acusou nesta quinta-feira (22) a equipe de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “descumprir a promessa” de apresentar documentos relacionados à abertura de sigilos telefônico, fiscal e bancário. Apesar das críticas, as duas campanhas chegaram posteriormente a um acordo sobre a medida, após negociações envolvendo as condições para a divulgação das informações.
O compromisso teve origem em um desafio lançado por Lula durante o debate da Band, no último domingo (18), quando o presidente propôs que os dois candidatos abrissem seus sigilos.
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Em nota, a campanha de Flávio afirmou que Lula “não apresentou nenhum documento” e promoveu um “novo engana povo para fingir que abre o seu sigilo”.
“A mentira virou a marca registrada de Lula na reta final da eleição. Mantendo o estilo de prometer e não cumprir – o petista não entregou NENHUM documento detalhando a quebra de seus sigilos, como também não apresentou documentos do seu filho Lulinha, de sua esposa Rosângela da Silva, a Janja, de seu assessor direto Marcola, e dos demais petistas envolvidos em denúncias de corrupção”, diz a nota.
As declarações representam a posição da campanha de Flávio sobre o andamento do compromisso firmado entre os candidatos.
Deltan Dallagnol também criticou a campanha de Lula
Indicado por Flávio para analisar os documentos relacionados aos sigilos, o senador eleito pelo Paraná Deltan Dallagnol afirmou que a equipe petista não cumpriu o acordo.
“Mais uma vez Lula frustrou e descumpriu sua promessa. Lula não entregou documentos. O que basicamente apresentou foi mais uma petição, mais um pedido para que tudo seja entregue por todo mundo, que já estava nos autos. Ou seja, esse momento hoje de manhã se tornou absolutamente desnecessário porque o Lula não cumpriu aquilo que prometeu”.
“O Lula é hábil em descumprir suas promessas. Eles querem levantar uma cortina de fumaça e afastar a discussão daquilo que realmente importa para o brasileiro que é desfavorável para a Lula e o PT”, disse o ex-procurador.
“Lula tem medo daquilo que o seu passado esconde. Eu sei o que Lula fez no verão passado, nós sabemos o que o Lula fez e vindo esses documentos a público, nós vamos promover a devida análise e responsabilização das pessoas pelas ocultações de patrimônio”.
As falas de Dallagnol foram feitas antes da conclusão das negociações entre as duas equipes.
Campanhas de Lula e Flávio chegam a acordo sobre os sigilos
Mais tarde, as campanhas de Lula e Flávio chegaram a um entendimento sobre a abertura dos sigilos. O acordo foi formalizado após negociações nas quais Flávio apresentou condições para ampliar o alcance da medida, enquanto a equipe petista aceitou discutir os termos para viabilizar a iniciativa.
Pela manhã, integrantes da campanha de Lula foram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) protocolar o pedido relacionado à quebra de sigilo. Na ocasião, afirmaram que Flávio tinha até as 23h59 daquela quinta-feira para apresentar seu próprio pedido.
Participaram do protocolo a deputada federal Camila Jara, o deputado e ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o senador Camilo Santana e o deputado Edinho Silva, presidente do PT.
A documentação foi encaminhada ao TSE, sob relatoria do ministro André Mendonça. A eventual divulgação dos dados depende da avaliação técnica dos pedidos, da definição do alcance das informações e do cumprimento dos procedimentos legais aplicáveis.
Assim, embora a campanha de Flávio tenha acusado Lula de descumprir a promessa e de não apresentar os documentos esperados, as duas equipes chegaram posteriormente a um acordo para tratar da abertura dos sigilos.

