Gigante dos supermercados fecha 28 lojas e fica com 6,6 mil funcionários a menos

Gigante dos supermercados fecha 28 lojas e reduz 6.673 funcionários. Veja quais estados foram afetados e por que a rede mudou sua estratégia.

Uma gigante dos supermercados passou por uma grande reestruturação no Brasil, com o fechamento de 28 lojas e uma redução de 6.673 funcionários no quadro de pessoal. As mudanças atingiram diferentes estados e ocorreram em meio a uma estratégia para cortar despesas e melhorar os resultados financeiros.

A redução de trabalhadores aconteceu em apenas três meses. No fim de dezembro de 2025, a companhia contava com aproximadamente 47,9 mil funcionários. Em março de 2026, esse número havia caído para cerca de 41,2 mil, uma diminuição de aproximadamente 13,9%.

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As mudanças alcançaram operações no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. Além da redução de pessoal, a empresa encerrou estabelecimentos e retirou departamentos de algumas lojas, concentrando esforços nos negócios considerados mais rentáveis.

A companhia responsável pelas mudanças é o Grupo Mateus, uma das maiores empresas do varejo alimentar brasileiro. O grupo controla marcas como Mateus Supermercados, Mix Mateus e Eletro Mateus, além de atuar em outros segmentos do comércio. Apesar da reestruturação, a empresa continua funcionando e mantém investimentos em novas unidades.

Gigante dos supermercados fecha 28 lojas no Brasil

Os fechamentos fazem parte de uma reorganização que atingiu principalmente o segmento de eletrodomésticos e eletrônicos. Ao longo de 2025, a companhia encerrou 28 unidades da bandeira Eletro Mateus, especializada na venda de móveis, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos e outros produtos.

Portanto, os encerramentos não correspondem a 28 supermercados tradicionais de alimentos fechados. As unidades afetadas pertenciam a uma operação especializada em produtos para casa e eletrônicos.

Uma parcela importante dos fechamentos ocorreu no Pará. Somente nos últimos três meses de 2025, foram encerradas 13 unidades da Eletro Mateus no estado.

Além disso, outras 20 lojas de varejo alimentar passaram por mudanças na estrutura comercial. Nesses estabelecimentos, a empresa retirou os departamentos de eletrodomésticos e eletrônicos, sem que isso significasse necessariamente o fechamento das lojas inteiras.

A iniciativa buscou simplificar as operações e reduzir despesas com mercadorias, funcionários, manutenção e utilização dos espaços comerciais. A empresa, entretanto, não divulgou uma lista completa com os endereços de todas as unidades encerradas.

Gigante dos supermercados fica com 6,6 mil funcionários a menos

A redução do quadro de pessoal foi outra parte importante da reestruturação.

No encerramento de dezembro de 2025, a companhia tinha aproximadamente 47,9 mil trabalhadores. Já em março de 2026, o total havia recuado para cerca de 41,2 mil.

A diferença representa 6.673 funcionários a menos, uma queda de aproximadamente 13,9% em relação ao quadro registrado no fim do ano anterior.

É importante destacar que esse número representa a redução líquida de trabalhadores entre os dois períodos, e não necessariamente a quantidade exata de demissões. Isso porque admissões e desligamentos podem ter ocorrido ao longo desses meses.

As mudanças atingiram operações em seis estados: Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia. No entanto, a companhia não apresentou um detalhamento público que permita identificar quantos trabalhadores foram afetados em cada município.

Por que a rede de supermercados fechou lojas?

A reestruturação está relacionada a uma mudança na estratégia de negócios. Depois de anos de expansão, a companhia passou a dar mais atenção ao controle de despesas e à rentabilidade de suas operações.

A abertura de supermercados, atacarejos, centros de distribuição e lojas especializadas ampliou a presença da empresa no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, uma estrutura comercial maior exige investimentos e despesas com salários, transporte de mercadorias, energia elétrica, manutenção e administração.

Nesse cenário, a empresa passou a revisar o desempenho financeiro de suas unidades e a concentrar recursos nos negócios considerados mais promissores.

Os fechamentos de lojas especializadas e as mudanças nos departamentos de outros estabelecimentos fazem parte desse movimento de reorganização.

Isso não significa que a rede esteja encerrando suas atividades no Brasil. Enquanto algumas operações foram desativadas, a companhia continuou investindo em novos supermercados e atacarejos.

Lucro da gigante dos supermercados cai em 2026

Os resultados financeiros ajudam a entender o contexto da reestruturação.

No segundo trimestre de 2026, o Grupo Mateus registrou lucro líquido de R$ 236,8 milhões. O resultado ficou aproximadamente 39,3% abaixo dos R$ 390 milhões registrados no mesmo período de 2025.

No primeiro semestre de 2026, o lucro líquido foi de R$ 449,7 milhões, uma redução de 32,1% em relação aos seis primeiros meses do ano anterior.

Outro indicador também apresentou retração: as vendas nas mesmas lojas, que permitem comparar o desempenho de estabelecimentos que já funcionavam havia tempo suficiente para uma análise anual.

No segundo trimestre, essas vendas caíram 8%. No acumulado do primeiro semestre, a retração foi de 7,7%.

Os números indicam dificuldades para ampliar as vendas das unidades já existentes e transformar o crescimento da receita em um resultado financeiro maior. Por isso, a companhia passou a priorizar medidas de eficiência operacional e controle de despesas.

Faturamento cresce apesar dos fechamentos

Mesmo com a queda do lucro, a gigante dos supermercados conseguiu ampliar sua receita líquida no segundo trimestre de 2026.

Entre abril e junho, o indicador chegou a aproximadamente R$ 9,85 bilhões, crescimento de 12,2% na comparação com o mesmo período de 2025.

O desempenho teve contribuição da incorporação das operações do Novo Atacarejo e da abertura de novos estabelecimentos.

O crescimento da receita, porém, não impediu a redução do lucro. Isso acontece porque o aumento das vendas pode vir acompanhado de despesas maiores com distribuição, pessoal, funcionamento das lojas e expansão comercial.

Dessa forma, a companhia passou a buscar um equilíbrio maior entre crescimento e rentabilidade, com atenção especial aos custos e ao desempenho das operações existentes.

Enquanto lojas especializadas foram fechadas e departamentos comerciais foram retirados de outros estabelecimentos, novos supermercados e atacarejos continuaram fazendo parte da estratégia de expansão.

Gigante dos supermercados está entre as maiores do Brasil

Apesar das mudanças, a companhia continua ocupando uma posição de destaque no varejo alimentar brasileiro.

No Ranking ABRAS 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados com base no faturamento de 2025, o Grupo Mateus apareceu na terceira posição nacional, com receita aproximada de R$ 43,55 bilhões.

O levantamento colocou o Carrefour na liderança, com faturamento de cerca de R$ 123,59 bilhões, seguido pelo Assaí, com aproximadamente R$ 84,74 bilhões.

O grupo tem presença especialmente forte nas regiões Norte e Nordeste, onde mantém supermercados, atacarejos, centros de distribuição e outras operações comerciais.

A história da empresa começou em 1986, quando o empresário Ilson Mateus abriu uma pequena mercearia de aproximadamente 50 metros quadrados em Balsas, no Maranhão.

Com o crescimento do negócio, a companhia ingressou no mercado atacadista, ampliou sua estrutura de distribuição e passou a abrir lojas em outros municípios e estados.

Quatro décadas depois, a empresa enfrenta uma nova etapa de sua trajetória: reorganizar parte de suas operações para controlar despesas e melhorar os resultados financeiros, enquanto mantém investimentos nos segmentos considerados estratégicos.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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