João Amoêdo, um dos fundadores do partido Novo, declarou voto em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial de 2026. Apesar das críticas ao atual presidente, o empresário afirmou considerar que um novo mandato petista representa uma alternativa menos arriscada do que uma eventual gestão de Flávio Bolsonaro (PL).
Em publicação no X, antigo Twitter, Amoêdo demonstrou frustração com o cenário político brasileiro e criticou a falta de uma alternativa competitiva aos dois grupos que disputam a Presidência. Na avaliação dele, a campanha passou a ser marcada mais pela rejeição aos adversários do que pelo debate de propostas para o país. A declaração também foi noticiada pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
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A decisão não significa que João Amoêdo tenha abandonado suas divergências com o PT. O empresário apontou problemas na gestão de Lula e afirmou que será oposição independentemente de quem vencer a eleição.
Por que João Amoêdo escolheu votar em Lula?
Ao explicar sua posição, João Amoêdo criticou o que considera uma incapacidade dos grupos políticos de construir alternativas competitivas para a Presidência. Segundo ele, a disputa entre petismo e bolsonarismo voltou a colocar os eleitores diante de uma escolha marcada pela rejeição.
O empresário também afirmou que o debate sobre propostas, planejamento e ideias foi substituído por ataques pessoais entre os adversários. Para ele, esse cenário revela dificuldades dos dois campos políticos para apresentar um projeto capaz de promover prosperidade no país.
Apesar das ressalvas, Amoêdo considera que os riscos associados a um eventual governo Flávio Bolsonaro pesam mais em sua decisão eleitoral.
João Amoêdo critica Lula e aponta problemas no governo
A declaração de voto não veio acompanhada de um apoio irrestrito ao presidente. João Amoêdo criticou diferentes aspectos da gestão petista, incluindo a condução das contas públicas, o aumento dos gastos governamentais e a responsabilidade fiscal.
O empresário também questionou a falta de diálogo com setores divergentes e as indicações de Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, criticou a decisão do presidente de disputar um novo mandato.
Na avaliação de Amoêdo, um eventual novo governo Lula teria limitações políticas e institucionais que poderiam reduzir os riscos que ele associa à alternativa adversária.
O posicionamento reforça a distinção feita pelo empresário entre apoiar um candidato por concordar com todas as suas propostas e votar nele por considerar o outro cenário mais preocupante.
O que João Amoêdo disse sobre Flávio Bolsonaro?
As críticas de João Amoêdo a Flávio Bolsonaro foram mais contundentes. O empresário afirmou que o senador não reúne credenciais suficientes para governar o país e questionou sua atuação parlamentar.
No domingo iremos, pela terceira vez consecutiva, decidir entre o petismo e o bolsonarismo. A minha sensação como cidadão é de frustração e preocupação. Frustração pela nossa apatia em relação à política, em especial da nossa elite. Fomos incapazes de construir, nos últimos anos, uma alternativa decente e competitiva que nos tirasse dessa armadilha das últimas 3 eleições presidenciais. Vamos, mais uma vez, para um pleito a ser definido pela rejeição e não pela escolha. A discussão de propostas, de um plano para o País e o debate de ideias foram substituídos pelos ataques baixos e pessoais ao oponente. Fica evidente a incapacidade de ambos os lados de construírem uma nação próspera. O PT inaugurou o nós contra eles, dividindo os brasileiros, e o bolsonarismo, que nasceu já dentro dessa lógica, levou-a a um outro patamar. A urna, que deveria ser o momento para definirmos o futuro da nação, tornou-se, para muitos, um momento de expressão de raiva. Lula errou do início ao fim do seu mandato. Não promoveu o diálogo com quem pensa diferente, indicou amigos para o STF, insistiu na polarização, cercou-se de um núcleo duro despreparado, foi irresponsável com as contas públicas e adotou medidas eleitoreiras de mais gasto público. E, depois de todas essas ações, com baixa aprovação e com as limitações da idade, cometeu o maior erro: resolveu ser candidato pela 4ª vez. Flávio, por sua vez, não tem absolutamente nada que o credencie a governar o País. Falta postura, credibilidade e competência. Foi um senador sem qualquer iniciativa produtiva na área econômica, na segurança ou na educação. É conhecido apenas pelo sobrenome e pelo envolvimento em inúmeros casos suspeitos: rachadinha, lavagem de dinheiro, proximidade com membros da milícia e com golpistas. Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe. O quadro político definido após o primeiro turno torna o meu sentimento de preocupação ainda maior do que o de frustração. Lula, se eleito, fará seu último mandato, sem nenhum sucessor definido, tem um vice-presidente com comprovada experiência na gestão pública e, apesar de ter a oportunidade de indicar membros do STF, encontrará forte oposição no Senado. Flávio, diferentemente, poderá se candidatar à reeleição, tem um vice-presidente desconhecido, terá uma Câmara e um Senado extremamente favoráveis e aliados comandando os principais estados brasileiros. São alternativas totalmente distintas para quem anseia por renovação em 2030 e teme a perpetuação de uma família no poder. Em 2018 e 2022, declarei o meu voto no segundo turno. Não foram decisões fáceis e sem ônus pessoais, pelo contrário. Nesse ano será ainda mais difícil. Entretanto, não expressar o que penso seria aceitar a ideia de que vivemos em um país onde as pessoas não são livres para emitirem a sua opinião pelo receio de serem agredidas. Não é essa nação que desejo. Serei oposição a qualquer um dos dois que vier a ser eleito, mas, entre a irritação com um novo governo Lula e o risco que representa um governo Bolsonaro, fico com a primeira opção.
— João Amoêdo (@joaodamoedo) October 23, 2026
Amoêdo também mencionou suspeitas relacionadas ao caso das chamadas “rachadinhas”, além de apontar vínculos que, segundo ele, envolvem integrantes de milícias no Rio de Janeiro e pessoas associadas a tentativas de golpe.
Ao tratar da relação entre Flávio e o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, Amoêdo escreveu: “Está cercado de conhecidos oportunistas e seu objetivo maior é conceder o indulto ao pai, condenado por tentativa de golpe”.
A declaração representa a avaliação política do empresário sobre o senador. As acusações e referências feitas por ele devem ser distinguidas de eventuais decisões judiciais e de fatos comprovados em cada caso.
Amoêdo compara os possíveis cenários de governo
Ao justificar seu voto, João Amoêdo comparou o que considera possíveis consequências de uma vitória de Lula e de Flávio Bolsonaro.
Na avaliação do empresário, Lula estaria diante de seu último mandato presidencial, teria um vice-presidente com experiência na administração pública e enfrentaria uma oposição significativa no Senado.
Já um eventual governo Flávio Bolsonaro, segundo Amoêdo, poderia contar com condições políticas diferentes: possibilidade de disputar a reeleição, uma base parlamentar mais favorável e aliados em posições estratégicas nos estados.
O empresário também demonstrou preocupação com a possibilidade de continuidade da influência política da família Bolsonaro. Para ele, os dois cenários apresentam diferenças importantes para quem espera renovação política a partir de 2030.
Essas comparações fazem parte dos argumentos usados por Amoêdo para explicar sua escolha eleitoral, e não representam resultados garantidos sobre como qualquer futuro governo atuaria.
João Amoêdo diz que será oposição a qualquer vencedor
Mesmo declarando voto em Lula, João Amoêdo afirmou que não pretende oferecer apoio automático ao presidente caso ele vença o segundo turno.
O empresário sustenta que continuará fazendo oposição a qualquer um dos candidatos que assumir a Presidência. Sua decisão, portanto, é apresentada como uma escolha entre dois cenários que considera distintos, e não como adesão integral ao projeto político petista.
A posição também retoma uma característica de sua trajetória política: Amoêdo foi um dos fundadores do partido Novo e disputou a Presidência em 2018, quando defendeu uma agenda liberal na economia.
Agora, diante da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, o empresário afirma considerar que as críticas ao atual presidente não são suficientes para levá-lo a escolher a candidatura do senador.
A declaração coloca João Amoêdo entre os nomes que manifestaram preferência eleitoral no segundo turno, mas com ressalvas explícitas em relação ao candidato escolhido e críticas ao cenário político como um todo.

