A maior fabricante de automóveis do mundo encerrou as atividades de uma fábrica no Brasil após quase 30 anos de operação e ofereceu uma indenização equivalente a 45 salários aos funcionários que optassem pelo desligamento voluntário. O acordo também previa dois salários adicionais por ano trabalhado, além das verbas rescisórias previstas em lei.
A unidade da Toyota em Indaiatuba, no interior de São Paulo, funcionava desde 1998 e produziu mais de 1 milhão de veículos ao longo de sua história. O encerramento ocorreu em 30 de junho de 2026, como parte de uma reorganização industrial que transferiu a produção do Corolla Sedan para Sorocaba, também no interior paulista.
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A decisão não significa que a montadora esteja deixando o Brasil. A Toyota mantém operações no país e prevê investir R$ 11 bilhões até 2030, com expansão da estrutura industrial em Sorocaba e expectativa de criação de cerca de 2 mil empregos diretos.
Maior fabricante de automóveis fecha fábrica após quase 30 anos
A fábrica de Indaiatuba começou a operar em setembro de 1998 e se tornou uma das principais unidades da Toyota no Brasil. Durante quase três décadas, ficou conhecida pela produção do Corolla Sedan e também fabricou o Corolla Fielder, modelo que deixou de ser comercializado no mercado brasileiro.
Ao longo desse período, mais de 1 milhão de veículos saíram das linhas de montagem da unidade.
A Toyota anunciou em 2024 a reorganização de suas operações industriais, com a transferência da produção do Corolla Sedan para Sorocaba. O processo foi concluído em 2026, e a fábrica de Indaiatuba encerrou oficialmente as atividades em 30 de junho.
O último veículo produzido na unidade marcou o fim de uma etapa da história da montadora no município. A estratégia da companhia é concentrar suas principais operações industriais em Sorocaba, integrando as linhas de produção e ampliando a capacidade fabril.
O que aconteceu com os funcionários da Toyota?
A fábrica de Indaiatuba chegou a reunir aproximadamente 1.500 trabalhadores. Com o anúncio do fechamento, a montadora negociou com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região as condições para a transferência dos empregados e o desligamento voluntário.
As discussões ocorreram após mobilizações dos funcionários e uma greve em 2024. O acordo estabeleceu alternativas para os trabalhadores: continuar na empresa, com transferência para Sorocaba, ou aderir ao Programa de Demissão Voluntária (PDV).
Portanto, o fechamento da unidade não significou uma demissão automática de todos os empregados. O processo foi estruturado com opções de transferência e desligamento, conforme as condições negociadas entre a companhia e o sindicato.
Indenização de 45 salários e adicionais por ano trabalhado
Uma das principais condições do acordo foi o pagamento de uma indenização equivalente a 45 salários para os funcionários que escolhessem sair da Toyota pelo programa de desligamento voluntário.
O pacote também previa dois salários adicionais por ano trabalhado na empresa, além das verbas rescisórias previstas em lei. Dessa forma, o valor total poderia variar de acordo com o salário e o tempo de serviço de cada profissional.
O acordo incluía ainda a manutenção do convênio médico e do cartão cesta por 36 meses após o desligamento, conforme as condições negociadas.
A indenização de 45 salários, portanto, fazia parte de um pacote específico para os trabalhadores que optassem pela saída voluntária. Ela não deve ser interpretada como um pagamento uniforme a todos os funcionários da unidade, independentemente da escolha feita.
Funcionários transferidos para Sorocaba tiveram garantias
Os trabalhadores que decidiram permanecer na Toyota também receberam condições específicas no acordo.
Para os profissionais transferidos para Sorocaba, foi prevista estabilidade no emprego até julho de 2029. O pacote estabeleceu compensações diferentes conforme a situação de cada empregado.
Quem aceitasse trabalhar em Sorocaba sem mudar de residência receberia o equivalente a dois salários, além de R$ 15 mil. Já os funcionários que optassem pela mudança de residência teriam direito a um pagamento adicional correspondente a 2,4 salários.
O acordo também permitiu que os trabalhadores transferidos solicitassem o desligamento em até sete meses após a mudança, mantendo o acesso às condições negociadas, com os descontos dos valores recebidos durante o processo de transferência.
Essas medidas foram estabelecidas para organizar a transição dos empregados diante da transferência da produção entre os municípios paulistas.
Maior fabricante de automóveis investe R$ 11 bilhões no Brasil
Mesmo após fechar a fábrica de Indaiatuba, a Toyota mantém planos de expansão no mercado brasileiro. A montadora anunciou investimentos de R$ 11 bilhões até 2030, destinados à ampliação das operações e à preparação de novas linhas de produção.
Um dos principais projetos é a expansão do complexo industrial de Sorocaba, que receberá uma segunda fábrica. A inauguração está prevista para novembro de 2026, segundo informações divulgadas pela empresa.
A estrutura faz parte da estratégia de ampliação da capacidade produtiva e preparação para novos modelos e tecnologias, incluindo veículos híbridos.
Com a transferência da produção do Corolla Sedan, Sorocaba passa a concentrar operações que antes estavam divididas entre as duas cidades. Segundo a Toyota, essa reorganização permite integrar melhor as linhas de montagem e otimizar recursos.
Toyota prevê criar cerca de 2 mil empregos
O plano de investimentos também está associado à criação de postos de trabalho. A expansão do complexo industrial de Sorocaba prevê aproximadamente 2 mil empregos diretos, de acordo com informações divulgadas pela montadora.
A ampliação das atividades pode movimentar ainda fornecedores de autopeças, transportadoras e prestadores de serviços ligados à cadeia automotiva.
A Toyota também mantém uma unidade de produção de motores em Porto Feliz, no interior paulista. Assim, o fechamento de Indaiatuba representa uma reorganização das operações da empresa, e não o encerramento de suas atividades no Brasil.
Ao mesmo tempo que uma fábrica com quase 30 anos de história deixou de produzir veículos, a montadora prepara uma nova etapa de expansão, com investimentos bilionários e a expectativa de ampliar sua capacidade industrial no país.

