A viagem do advogado Willer Tomaz para o exterior chamou a atenção de investigadores da Polícia Federal em meio a uma apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis irregularidades relacionadas a descontos ilegais em aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Amigo próximo do senador Flávio Bolsonaro (PL), o advogado é investigado no mesmo inquérito que envolve o parlamentar. Segundo informações da reportagem, a PF apura possíveis conexões entre os investigados, empresas e operações ligadas ao mercado de apostas esportivas.
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Até o momento descrito na apuração, não havia medida judicial que impedisse Willer de deixar o Brasil. A preocupação de investigadores com a viagem, portanto, não significa que exista uma ordem de prisão ou uma restrição de saída do país contra ele.
Por que a viagem de Willer Tomaz chamou a atenção da Polícia Federal?
De acordo com interlocutores do advogado ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato, Willer deixou o Brasil acompanhado da esposa e dos filhos para visitar locais de lazer no exterior. Essas fontes não informaram uma data prevista para o retorno.
Dentro da investigação, há preocupação com a possibilidade de a saída do país dificultar eventuais diligências futuras. Essa hipótese, porém, aparece como uma preocupação atribuída a investigadores, e não como prova de que o advogado esteja tentando fugir da Justiça.
O inquérito foi aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 8 daquele mês, segundo a reportagem, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, escolhido por sorteio.
Procurado, Willer Tomaz não havia se manifestado até a publicação do material original.
O que a PF investiga sobre os R$ 1,3 bilhão em apostas?
Um dos pontos que chamaram a atenção dos investigadores é o volume financeiro atribuído às apostas on-line realizadas pelo advogado.
Segundo as informações divulgadas na reportagem, Willer teria movimentado R$ 1,3 bilhão em apostas on-line em 2026, com destaque para plataformas associadas ao chamado Jogo do Tigrinho. Em 2025, o volume informado teria chegado a R$ 5 bilhões.
Esses valores representam movimentações nas plataformas, e não necessariamente dinheiro depositado pelo apostador. O mesmo saldo pode ser utilizado várias vezes em apostas sucessivas, entre ganhos e perdas.
A investigação procura esclarecer se as operações financeiras são compatíveis com as atividades econômicas conhecidas do advogado e se houve lavagem de dinheiro.

Em um processo na Justiça de São Paulo, Tomaz afirmou sofrer de ludopatia, termo usado para designar o transtorno relacionado ao jogo compulsivo. Essa declaração, por si só, não comprova qualquer irregularidade financeira.
Qual é a relação entre Flávio Bolsonaro e a investigação?
Flávio Bolsonaro é apontado na reportagem como amigo próximo de Willer Tomaz e também figura entre os investigados no inquérito. A PF apura se houve atuação conjunta em um possível esquema de lavagem de dinheiro.
A apuração também alcança o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), segundo o material publicado.
No caso de Castro, a reportagem cita mensagens encontradas no celular de Tomaz e possíveis relações do advogado com empresas do setor de apostas no Rio de Janeiro.
Uma das empresas mencionadas é a Rede Loto, que recebeu credenciamento da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) para operar apostas esportivas on-line em maio de 2023, durante a gestão de Castro.
Flávio Bolsonaro classificou as notícias como falsas. Willer Tomaz e Cláudio Castro negaram irregularidades. As suspeitas investigadas ainda precisam ser apuradas, e a inclusão de nomes no inquérito não equivale a uma condenação.
O que a Polícia Federal encontrou em uma sala secreta em Brasília?
Outro ponto da investigação envolve uma sala escondida em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília, utilizado por empresas de transporte aéreo de Willer Tomaz.
Segundo fontes ligadas ao caso ouvidas pela reportagem, a porta do espaço era blindada e ficava atrás de um painel de madeira que simulava uma parede. No interior, os agentes encontraram estantes, uma mala vazia e uma máquina de contar dinheiro.
A suspeita investigada é de que o local pudesse ter sido utilizado para guardar dinheiro de origem ilegal e bens de alto valor. Entretanto, a presença da sala e dos equipamentos não comprova, por si só, que o espaço tenha sido usado para esconder recursos ilícitos.
Conforme a reportagem, uma denúncia anônima levou os agentes ao local durante uma operação de busca e apreensão realizada em agosto, no contexto da Operação Sem Desconto.
Nas redes sociais, Willer negou irregularidades e afirmou que o espaço servia de apoio a uma empresa de transporte de valores. Ele também declarou que a Polícia Federal não encontrou dinheiro no local e negou relação entre Flávio Bolsonaro e sua empresa.
O que acontece agora com a investigação?
A Polícia Federal busca esclarecer a origem e o destino das movimentações financeiras, possíveis conexões entre os investigados e eventuais vazamentos de informações sobre processos em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A viagem de Willer Tomaz ganhou destaque por ocorrer durante essa apuração, mas a reportagem não indica que ele estivesse proibido de sair do país. O avanço do caso depende das diligências, da análise das provas e das decisões das autoridades competentes.

