A possibilidade de Flávio Bolsonaro ter deixado o Brasil após perder a eleição presidencial provocou questionamentos e movimentou a apuração sobre o senador nesta terça-feira (27). Uma publicação divulgada por um site argentino levantou a suspeita de que ele teria seguido para a Argentina com destino aos Estados Unidos. No entanto, não havia confirmação de que a viagem tivesse ocorrido, e uma checagem da Reuters apontou que publicações usadas para sustentar a alegação recorriam a um vídeo antigo, gravado antes das eleições.
A discussão ganhou força em meio a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que Flávio entregasse seus passaportes e o proibiu de deixar o país. A ordem foi divulgada pelo próprio senador em um vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira, 26 de outubro de 2026.
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O que se sabe sobre a suposta viagem de Flávio Bolsonaro?
A suspeita de que Flávio teria viajado para a Argentina foi divulgada por um site do país vizinho. Segundo informações atribuídas à apuração jornalística, a Polícia Federal verificava se o senador havia cruzado a fronteira.
A checagem da Reuters, porém, destacou que uma publicação usada para sugerir que ele havia viajado aos Estados Unidos depois da derrota eleitoral utilizava um vídeo antigo, exibido originalmente em maio de 2026. Até o momento da publicação da checagem, não havia registro de que Flávio tivesse viajado aos Estados Unidos após a eleição.
Também houve uma negativa pública relacionada à suposta entrada do senador na Argentina, segundo o relato apresentado na notícia original. Assim, a alegação de que ele teria fugido do Brasil não deve ser tratada como fato confirmado.
Por que Flávio Bolsonaro teve de entregar os passaportes?
Na segunda-feira, 26 de outubro, Flávio publicou um vídeo em que afirmou ter sido intimado pela Polícia Federal ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpria prisão domiciliar.
Segundo o senador, a ordem determinava a entrega dos passaportes comum e diplomático em até 24 horas e o impedia de deixar o Brasil. Ele disse que cumpriria a determinação, mas classificou a medida como uma tentativa de intimidação e afirmou que nunca havia pensado em sair do país.
A decisão foi atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no âmbito de uma investigação que envolve Flávio e o advogado Willer Tomaz. A determinação também proibiu o senador de manter contato com o advogado.
Qual investigação envolve o senador e Willer Tomaz?
O inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas a negócios envolvendo empresas e apostas virtuais. De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Federal identificou que Flávio figurava como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à Alcazar Holdings, empresa sediada em Portugal e administrada por Willer Tomaz.
A PF apontou que esse perfil teria proporcionado ao senador um nível elevado de acesso à conta. A existência desse registro, por si só, não comprova a prática de crime. As suspeitas estão sob investigação, e as responsabilidades precisam ser estabelecidas pelas autoridades competentes.
Na semana anterior, Moraes havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e contas relacionados a Tomaz, segundo as reportagens sobre o caso. Também foram determinadas medidas de investigação financeira.
O que é o caso Dark Horse?
Flávio também é investigado em um inquérito relacionado ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. A apuração, relatada pelo ministro André Mendonça, examina suspeitas envolvendo recursos que teriam sido solicitados ao então banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo a reportagem original, Flávio teria pedido R$ 134 milhões para financiar a produção. A investigação procura esclarecer a operação e a destinação dos recursos. Flávio nega irregularidades e afirma que se tratou de um pedido de patrocínio privado para um filme sobre seu pai, sem contrapartida.
O caso e as suspeitas financeiras não significam que os crimes tenham sido comprovados. A investigação ainda precisa esclarecer os fatos e reunir elementos que permitam às autoridades avaliar eventuais responsabilidades.
O que acontece agora?
A ordem de entrega dos passaportes e a proibição de deixar o país são medidas judiciais distintas da alegação de que Flávio teria fugido para a Argentina. Até que apareçam evidências confiáveis de uma viagem, a suposta saída do Brasil não pode ser apresentada como confirmada.
O episódio reúne, portanto, dois fatos diferentes: uma decisão do STF que restringiu as viagens do senador e rumores sobre uma possível saída do país que não foram confirmados pelas informações disponíveis.

