Pedreiro aposentado afirma que trabalhador da construção ganha mais que diplomado e revela por que faltam profissionais

Pedreiro aposentado afirma que trabalhadores da construção ganham mais que profissionais com diploma. Veja detalhes.

Um pedreiro aposentado fez uma afirmação que contraria a ideia de que um diploma universitário é garantia de salário mais alto. Segundo Ángel Flores, profissional que trabalhou na construção civil, até mesmo quem exerce funções operacionais no setor pode ganhar mais do que pessoas com formação superior ou que trabalham em escritórios.

A declaração foi publicada pelo jornal espanhol ABC de Sevilla e repercutiu em meio a um problema que preocupa empresas da construção na Espanha: a dificuldade para encontrar profissionais qualificados. Segundo Flores, a valorização dos salários está relacionada à falta de trabalhadores disponíveis para ocupar as vagas.

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O cenário ajuda a explicar por que atividades como alvenaria, instalação elétrica e outros serviços especializados continuam sendo procuradas pelo mercado. Ao mesmo tempo, o envelhecimento dos profissionais e a baixa participação de jovens aumentam a preocupação com a reposição da mão de obra nos próximos anos.

Pedreiro aposentado compara salários da construção e de quem tem diploma

Ao comentar a remuneração do setor, Ángel Flores afirmou que os trabalhadores da construção podem receber mais do que pessoas com carreira universitária ou que exercem funções em escritórios.

A declaração chama atenção porque contraria uma percepção comum de que estudar por mais anos necessariamente leva a salários maiores. Na prática, a remuneração depende de diversos fatores, como profissão, experiência, especialização, região e demanda por trabalhadores.

A fala de Flores, porém, não significa que todos os pedreiros ganhem mais do que todos os profissionais com diploma. Trata-se da avaliação do aposentado sobre o mercado da construção na Espanha, onde a falta de mão de obra qualificada tem pressionado as empresas a buscar trabalhadores.

A escassez de profissionais especializados é apontada como um dos fatores que contribuem para a valorização de determinadas funções.

Construção civil precisa de cerca de 700 mil trabalhadores na Espanha

A falta de mão de obra é um dos principais desafios enfrentados pelo setor espanhol. A Confederación Nacional de la Construcción (CNC), entidade que representa empresas da área, estima que será necessário incorporar aproximadamente 700 mil trabalhadores nos próximos anos.

A necessidade envolve tanto a reposição de profissionais que devem se aposentar quanto o atendimento à demanda por novas obras e atividades de construção. O número inclui diferentes funções, não apenas pedreiros.

Entre os profissionais procurados estão:

  • pedreiros;
  • carpinteiros de estruturas e formas;
  • armadores de ferro;
  • gesseiros;
  • eletricistas.

A dificuldade para preencher essas vagas pode afetar o ritmo das obras e ampliar a disputa por trabalhadores que já possuem experiência e qualificação.

Envelhecimento dos trabalhadores preocupa o setor

Além da falta de profissionais, a construção civil espanhola enfrenta um problema de renovação geracional. Uma parcela expressiva da mão de obra está em faixas etárias próximas da aposentadoria, enquanto os jovens representam uma proporção menor do total de trabalhadores.

Dados divulgados em abril de 2026 pela Plataforma Tecnológica Española de Construcción apontam que, entre aproximadamente 1,53 milhão de pessoas ocupadas no setor, cerca de 10,8% tinham menos de 30 anos. Já 22% tinham mais de 55 anos e poderiam se aposentar ao longo da década seguinte.

Esse desequilíbrio cria um desafio para as empresas, que precisam atrair novos profissionais e, ao mesmo tempo, substituir trabalhadores experientes que deixam o mercado.

Por que faltam profissionais na construção civil?

A escassez de mão de obra qualificada não está relacionada apenas à quantidade de vagas disponíveis. O setor também precisa lidar com a percepção negativa que parte da população tem sobre o trabalho em obras, frequentemente associado ao esforço físico e a condições difíceis.

Ao mesmo tempo, muitas funções exigem experiência prática, conhecimento técnico e capacidade para executar tarefas específicas. A formação profissional e a atualização diante de novas tecnologias também são importantes para acompanhar as mudanças nas obras.

A valorização dos salários pode tornar algumas dessas ocupações mais atraentes, mas a remuneração, isoladamente, não resolve todos os desafios de recrutamento e renovação das equipes.

A declaração de Ángel Flores coloca em evidência justamente essa contradição: enquanto muitas pessoas associam melhores salários à formação universitária, algumas atividades técnicas e operacionais podem oferecer remunerações competitivas quando há falta de profissionais qualificados.

O cenário espanhol mostra que a relação entre diploma e salário não é automática. A demanda do mercado, a experiência e a especialização também influenciam o quanto um trabalhador pode receber.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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