Empresa que fatura R$ 1,6 bilhão exige leitura de 12 livros por ano e oferece até 15º salário a funcionários

Uma empresa brasileira adotou uma regra diferente para recompensar seus funcionários: ler pelo menos 12 livros por ano e entregar os resumos ao setor de recursos humanos. A exigência faz parte do programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do Grupo Cometa, rede de concessionárias que fatura cerca de R$ 1,6 bilhão anualmente e reúne aproximadamente 1.400 colaboradores.

A iniciativa existe há cerca de 20 anos e pode render até dois salários adicionais aos trabalhadores, dependendo do cumprimento das exigências educacionais e das metas financeiras da companhia.

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Na prática, o funcionário precisa ler uma obra por mês, com pelo menos 200 páginas. Ao final de um ano, a exigência representa um mínimo de 2.400 páginas lidas.

Com os pagamentos extras, a remuneração anual pode chegar ao equivalente a 15 salários, considerando os 12 pagamentos mensais e os dois bônus adicionais.

Funcionários precisam ler 12 livros para receber bônus

O programa de leitura é uma das particularidades da política de gestão do Grupo Cometa. Para participar do sistema de recompensa, os colaboradores precisam cumprir a meta mensal de leitura e apresentar os respectivos resumos ao departamento de recursos humanos.

A empresa mantém bibliotecas em suas unidades, com um acervo superior a 11 mil livros físicos e digitais.

Para conservar e ampliar essa estrutura, o grupo investe aproximadamente R$ 65 mil por ano.

Outra mudança ocorreu com o avanço das ferramentas de inteligência artificial. A companhia passou a utilizar um software específico para verificar se os resumos entregues pelos funcionários foram produzidos pelo ChatGPT.

O objetivo é acompanhar o cumprimento da atividade e evitar que a exigência seja atendida apenas com textos gerados automaticamente.

Empresa fatura R$ 1,6 bilhão e aposta em promoções internas

Além do incentivo à leitura, o Grupo Cometa utiliza o desenvolvimento profissional como estratégia para preencher cargos de liderança.

A política da companhia prioriza a promoção de funcionários que já fazem parte da organização. A contratação de profissionais externos acontece principalmente quando não há candidatos internos com a qualificação necessária.

O fundador, Francis Maris Cruz, atribui parte do desenvolvimento dos líderes à política de incentivo educacional.

“Essa base da leitura ajudou muito os nossos líderes a se formarem e crescerem”, afirmou.

Um dos exemplos dessa trajetória é Cristinei Rodrigues Melo, que começou a trabalhar na empresa como contínuo ainda na adolescência e chegou à presidência executiva depois de 35 anos de carreira.

Outros integrantes da diretoria também iniciaram em funções operacionais, incluindo atividades de venda de consórcios de porta em porta, antes de assumirem responsabilidades maiores dentro do grupo.

Grupo Cometa tem 25 concessionárias em cinco estados

Com administração central em Cáceres, no Mato Grosso, o Grupo Cometa possui uma operação que alcança 356 municípios de cinco estados brasileiros:

  • Mato Grosso;
  • Mato Grosso do Sul;
  • Rondônia;
  • Amazonas;
  • Pará.

A estrutura reúne 25 concessionárias e postos com serviços de apoio mecânico e comercial.

A empresa comercializa anualmente mais de 40.440 motocicletas Honda e aproximadamente 2.640 automóveis das marcas Hyundai e Volkswagen.

Na administração, a companhia também utiliza tecnologia para automatizar processos. São 78 robôs de software empregados em atividades como processamento de cadastros e pagamentos.

Negócio começou em 1973 e cresceu a partir de uma loja de autopeças

A história do grupo começou em 1973, quando a família fundou a Auto Peças Cometa em Mirassol D’Oeste, no Mato Grosso.

Na época, o negócio enfrentava dificuldades financeiras e estruturais. Antes de consolidar a empresa, a família chegou a administrar um bar sem água encanada.

Francis Maris Cruz também enfrentava obstáculos para conseguir fornecedores e crédito. Em um dos relatos sobre o início da trajetória, o fundador resumiu as dificuldades:

“Eu não tinha experiência, não tinha crédito, não tinha capital, não tinha fornecedores”.

A expansão ganhou força na década de 1980, quando a empresa entrou no mercado de motocicletas e começou a alcançar localidades distantes dos grandes centros urbanos, como São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.

Empresa investe em novos negócios e amplia operações

Atualmente, as atividades do Grupo Cometa vão além da venda de veículos.

A companhia também atua no segmento de genética de gado Nelore e opera a Pantanal Free Shop, loja franca que recebeu investimento de R$ 10 milhões.

Os planos de expansão incluem novas unidades de venda de veículos seminovos, concessionárias e crescimento da operação Box 73.

A empresa também mantém disputas internas entre diretores e gerentes para estimular o cumprimento das metas comerciais. Os profissionais que alcançam os resultados estabelecidos podem receber bônus financeiros e viagens como recompensa.

Com a combinação de metas comerciais, incentivo à leitura e oportunidades de crescimento profissional, o Grupo Cometa mantém um modelo de gestão que utiliza a educação como parte dos critérios para recompensar e desenvolver seus funcionários.

Luan Silva
Luan Silva
Estudante de jornalismo pela Uniasselvi. Aficionado pela cultura nerd, cinema, jogos eletronicos e apaixonado por contos de terror.
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