Dóris Dias e Robson Lopes encontraram na reciclagem uma maneira de enfrentar o desemprego e a falta de dinheiro em Foz do Iguaçu, no Paraná. Depois de perderem seus trabalhos, os dois decidiram construir a própria casa utilizando garrafas de vidro que seriam descartadas. O projeto começou com aproximadamente R$ 3 mil e, ao longo dos anos, chegou a uma residência de 85 metros quadrados feita com cerca de 20 mil embalagens reaproveitadas.
A história começou em 2020, quando Robson perdeu o emprego de repositor de supermercado e Dóris precisou deixar a função de educadora social por problemas de saúde. Sem condições de continuar pagando aluguel, o casal foi morar com os pais dela enquanto buscava uma alternativa para conseguir uma moradia própria.
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A inspiração veio de uma experiência anterior. No casamento, realizado em setembro de 2019, os dois já haviam utilizado objetos reaproveitados na decoração. A experiência despertou o interesse por materiais descartados e mostrou que garrafas de vidro poderiam ter outra finalidade além de ir para o lixo.

Ex-repositor de supermercado começa a construir casa com garrafas recolhidas nas ruas
Para tirar o projeto do papel, Dóris e Robson começaram a recolher garrafas de vidro descartadas nas ruas de Foz do Iguaçu. Com o passar do tempo, parentes, amigos e vizinhos também passaram a contribuir, entregando embalagens para a construção.
Os recipientes de 600 mililitros foram utilizados nas paredes externas, substituindo os tijolos tradicionais. Eles eram assentados com areia e cimento. As garrafas menores foram aproveitadas nas divisórias internas, enquanto estruturas de ferro ajudaram a garantir a sustentação da residência.
A construção avançou mesmo com recursos limitados. Em cinco meses de trabalho, mais de 10 mil garrafas já haviam sido colocadas em uma área de aproximadamente 70 metros quadrados.
Até setembro de 2020, o casal havia gastado cerca de R$ 3 mil. Para conseguir comprar itens que ainda faltavam, como portas, janelas e telhas, os dois organizaram uma campanha de arrecadação coletiva.
Casa de garrafas chegou a 85 metros quadrados e utilizou 20 mil embalagens
O projeto continuou avançando nos anos seguintes. Em meados de 2024, quatro anos depois do início da construção, a residência chegou aos 85 metros quadrados planejados, com aproximadamente 20 mil garrafas de vidro reaproveitadas.
O imóvel também recebeu instalações de água, esgoto e energia elétrica. A planta desenhada por Dóris foi organizada para incluir diferentes ambientes:
- Suíte: quarto principal com banheiro privativo;
- Quarto secundário: dormitório com acesso a um banheiro independente;
- Área social: sala de estar integrada à cozinha;
- Área de serviço: lavanderia e espaço de garagem.
Mesmo com a estrutura já construída, a residência ainda precisava de acabamentos em meados de 2024. Dóris também manifestou a intenção de abrir o imóvel para visitas do público depois de concluir essa etapa.
Desemprego deu origem a projeto construído com materiais descartados
O que começou como uma alternativa diante da falta de dinheiro acabou se transformando em um projeto de reaproveitamento de resíduos. Em vez de comprar milhares de tijolos, o casal utilizou garrafas que encontrava nas ruas e recebia de pessoas próximas.
A iniciativa também contou com a participação da comunidade, que ajudou a reunir os materiais necessários para levantar as paredes da residência.
A trajetória de Dóris e Robson mostra como uma situação de desemprego e dificuldade financeira deu origem a uma construção diferente, que aproveitou cerca de 20 mil embalagens de vidro para transformar o plano de ter uma casa própria em realidade.

