Luciano Hang diz que vai pagar até R$ 5 mil para quem abandonar o Bolsa Família

Luciano Hang relacionou o Bolsa Família à falta de mão de obra e citou salários de até R$ 5 mil na Havan. Entenda o que ele propôs.

O empresário Luciano Hang, dono da Havan, voltou a colocar o Bolsa Família no centro de uma discussão sobre emprego e renda no Brasil. Durante um evento no Rio Grande do Sul, ele citou salários de até R$ 5 mil como alternativa para atrair trabalhadores que recebem o benefício social e defendeu a contratação de idosos e aposentados.

A declaração foi feita em 30 de maio de 2026, durante a inauguração de uma unidade da Havan em Taquara, no Vale do Paranhana. Na ocasião, Hang afirmou que empresas enfrentam dificuldades para encontrar funcionários e relacionou esse cenário ao que chamou de excesso de assistencialismo.

LEIA TAMBÉM:

O empresário mencionou oportunidades com remuneração de R$ 3 mil, R$ 4 mil e até R$ 5 mil. Segundo ele, algumas pessoas poderiam deixar de depender exclusivamente do Bolsa Família e voltar ao mercado de trabalho formal.

Luciano Hang quer contratar idosos e aposentados

Além de criticar o programa social, Hang defendeu ampliar a contratação de profissionais mais velhos. O empresário destacou pessoas entre 62 e 77 anos como parte do público que poderia continuar trabalhando e contribuir com as empresas.

Na avaliação dele, trabalhadores experientes podem ajudar a enfrentar a dificuldade de preencher vagas. A proposta também envolve aposentados que ainda têm disposição para exercer uma atividade profissional.

Apesar de citar salários de até R$ 5 mil, Hang não apresentou uma lista de cargos disponíveis nem informou quantas vagas seriam destinadas a esse público. Também não detalhou quais unidades da Havan participariam de uma eventual iniciativa específica.

Por que o dono da Havan relacionou o Bolsa Família à falta de trabalhadores?

Durante a entrevista, Luciano Hang afirmou que empresas de diferentes setores estão reclamando da falta de mão de obra. Para o empresário, o recebimento de benefícios sociais estaria relacionado à dificuldade de contratação.

Ele chegou a comparar o valor do Bolsa Família com os salários que, segundo sua declaração, poderiam ser encontrados no mercado de trabalho.

A relação apontada por Hang, porém, não foi acompanhada de dados que comprovem que o programa seja responsável pela falta de trabalhadores. A dificuldade de contratação pode envolver outros fatores, como qualificação profissional, condições de trabalho e remuneração oferecida pelas empresas.

Quem recebe Bolsa Família perde o benefício ao conseguir emprego?

A entrada no mercado de trabalho não significa necessariamente que uma família perderá o Bolsa Família de forma imediata. O programa possui regras específicas para situações em que a renda familiar aumenta, incluindo a chamada Regra de Proteção.

Por isso, não é correto afirmar que qualquer pessoa beneficiária precisa abrir mão automaticamente do auxílio ao conseguir um emprego. A permanência no programa depende dos critérios de renda e das regras aplicáveis à família.

Esse detalhe é importante porque a decisão de aceitar uma vaga envolve não apenas o salário oferecido, mas também a renda total do domicílio e a situação dos demais integrantes da família.

Havan informou quantas vagas terão salários de R$ 5 mil?

Até o momento, a declaração de Luciano Hang não veio acompanhada de informações suficientes para identificar quantas oportunidades seriam abertas, quais funções poderiam pagar até R$ 5 mil ou quais seriam os critérios de seleção.

O empresário defendeu a contratação de beneficiários do Bolsa Família, idosos e aposentados como uma alternativa para enfrentar a falta de mão de obra. No entanto, os detalhes de uma eventual iniciativa específica não foram divulgados.

A fala reacendeu o debate sobre assistência social, geração de empregos e a participação de trabalhadores mais velhos no mercado formal. Enquanto Hang defende que salários mais altos podem atrair pessoas para as empresas, a discussão também passa pelas condições de trabalho e pela importância da proteção oferecida pelos programas sociais.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
MATÉRIAS RELACIONADAS

MAIS LIDAS