Uma ciclovia construída debaixo d’água promete mudar a maneira como moradores e trabalhadores atravessam o canal do Porto de Santos, no litoral de São Paulo. A estrutura fará parte do futuro túnel Santos–Guarujá, empreendimento que terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão e permitirá a ligação permanente entre as duas cidades.
O projeto prevê uma passagem exclusiva para ciclistas e pedestres, separada das pistas destinadas aos veículos. Desse percurso, cerca de 870 metros ficarão submersos no canal portuário. A obra também contará com conexões rodoviárias que permitirão chegar à BR-101 por meio do sistema viário da região.
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Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o empreendimento tem início das obras previsto para 2027. A expectativa é que a estrutura comece a funcionar em 2031, caso o cronograma seja cumprido.
Onde será construída a ciclovia debaixo d’água?
A ciclovia ficará dentro do túnel Santos–Guarujá, que ligará os municípios de Santos e Guarujá, na Baixada Santista. A passagem será instalada sob o canal do Porto de Santos, uma das principais rotas de navegação e movimentação de cargas do país.
A estrutura conectará a região de Outeirinhos e Macuco, em Santos, ao distrito de Vicente de Carvalho, no Guarujá. Atualmente, quem precisa atravessar o canal depende principalmente das balsas e de pequenas embarcações.
A construção de uma ligação fixa deverá oferecer uma alternativa para moradores, trabalhadores, turistas e pessoas que utilizam a bicicleta diariamente.
É importante esclarecer que, apesar de ser frequentemente chamada de ciclovia debaixo do mar, a estrutura ficará sob o canal portuário, e não em mar aberto. Os ciclistas circularão dentro de uma galeria fechada, protegida pela estrutura de concreto.
Como será a ciclovia dentro do túnel?
O projeto prevê espaços separados para os diferentes tipos de usuários. Ciclistas e pedestres terão uma galeria própria, sem precisar dividir as pistas com carros, ônibus e caminhões.
A passagem será conectada às duas margens por estruturas de acesso específicas. O planejamento inclui edifícios, elevadores, escadas e outros equipamentos necessários para permitir a entrada e a saída de pessoas.
A estrutura também deverá contar com iluminação, ventilação, monitoramento e sistemas de segurança. Esses recursos serão importantes para garantir a circulação em um ambiente fechado e instalado sob o canal.
Com a conclusão da obra, quem estiver de bicicleta poderá atravessar de Santos para Guarujá sem depender de uma embarcação para transportar o veículo.
Ciclovia terá ligação com a BR-101?
Outro destaque do empreendimento é a integração com o sistema rodoviário da Baixada Santista. O projeto prevê novos acessos, rampas, viadutos e adaptações nas vias próximas ao túnel.
No lado do Guarujá, uma das conexões importantes será com a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, corredor utilizado por veículos que circulam pela região portuária.
A partir dessa ligação, motoristas poderão alcançar outras rodovias e seguir em direção à BR-101, conhecida nesse trecho como Rodovia Rio-Santos.
Isso não significa, porém, que o túnel desembocará diretamente na BR-101 ou que a ciclovia terá uma saída exclusiva para a rodovia federal. A conexão será feita por meio da malha viária regional, enquanto ciclistas e pedestres utilizarão os acessos próprios do túnel.
Túnel terá seis faixas e espaço preparado para o VLT
A ciclovia será apenas uma parte de uma estrutura que também atenderá ao transporte rodoviário. O projeto prevê três faixas de circulação em cada sentido, além de uma infraestrutura que permitirá a implantação futura do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A proposta é integrar diferentes modalidades de transporte em uma única ligação entre Santos e Guarujá. Além dos automóveis e caminhões, o empreendimento terá espaço para o transporte coletivo, bicicletas e pedestres.
A travessia também deverá reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades. A estimativa apresentada pelo governo é que um percurso que atualmente pode levar cerca de 50 minutos seja realizado em menos de cinco minutos pelo túnel.
Como será construída a passagem submersa?
A obra utilizará uma técnica conhecida como túnel imerso. Diferentemente de uma passagem construída apenas por escavação subterrânea, esse método utiliza grandes módulos de concreto fabricados previamente e instalados no fundo do canal.
O processo deverá ocorrer em várias etapas:
- Construção da doca seca: área preparada para fabricar os grandes módulos de concreto em ambiente controlado.
- Preparação do fundo do canal: equipes realizarão dragagens e prepararão uma trincheira para receber as estruturas.
- Fabricação dos módulos: os elementos de concreto serão construídos e preparados para o transporte.
- Transporte e imersão: os módulos serão levados até o local e posicionados de maneira controlada no fundo do canal.
- Conexão das estruturas: as peças serão unidas e vedadas para formar uma passagem contínua.
- Instalação dos equipamentos: serão executados os acabamentos e instalados os sistemas de iluminação, ventilação e segurança.
Depois da conclusão, os veículos passarão pelo interior do túnel, enquanto a navegação de grandes embarcações continuará ocorrendo na superfície do canal.
Obra de R$ 6,8 bilhões já tem concessionária responsável
O túnel Santos–Guarujá será executado por meio de uma parceria público-privada, com participação dos governos federal e estadual e da iniciativa privada.
O grupo português Mota-Engil venceu o leilão da concessão em setembro de 2025. O contrato foi formalizado em janeiro de 2026, e a TSG Concessionária ficou responsável pela implantação, operação e manutenção do empreendimento.
Em julho de 2026, a assinatura do Termo de Transferência Inicial marcou o início da contagem dos prazos contratuais. A partir dessa etapa, a concessionária avançou no desenvolvimento dos projetos de engenharia e nos estudos necessários para preparar a construção.
O investimento estimado é de R$ 6,8 bilhões, e o prazo da concessão é de 30 anos.
Quando começa a construção da ciclovia debaixo d’água?
A ciclovia será construída junto com o túnel. Por isso, o cronograma de implantação acompanha as etapas previstas para todo o empreendimento.
O planejamento divulgado pelos governos estabelece as seguintes fases:
- 2026: desenvolvimento dos projetos de engenharia, estudos complementares e procedimentos de licenciamento;
- 2027: previsão de início das obras civis, instalação dos canteiros, construção da doca seca e dragagens preliminares;
- 2028: fabricação dos módulos de concreto e preparação das estruturas;
- 2029: previsão de transporte, imersão e montagem dos módulos no fundo do canal;
- 2030: acabamentos, instalação dos sistemas e testes operacionais;
- 2031: início previsto da operação do túnel.
As datas representam o planejamento atual e podem sofrer alterações conforme o andamento dos projetos, os licenciamentos e as exigências técnicas.
Túnel Santos–Guarujá será o primeiro do tipo no Brasil
O empreendimento é considerado um marco para a engenharia nacional porque utilizará a tecnologia de túnel imerso em uma ligação fixa entre as duas cidades.
Além de reduzir o tempo de travessia para motoristas, a estrutura deverá oferecer uma alternativa permanente para pedestres e ciclistas, que hoje dependem de embarcações para cruzar o canal.
A inclusão de uma galeria exclusiva para bicicletas também amplia o alcance do projeto, que não ficará restrito ao transporte de veículos motorizados.
Se o cronograma for mantido, a população poderá utilizar a nova ligação a partir de 2031. A expectativa é que o túnel transforme a mobilidade da Baixada Santista e fortaleça a conexão entre as duas margens do Porto de Santos.

