Uma nova opção de tratamento contra a obesidade foi aprovada no Brasil nesta quarta-feira (4). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do Wegovy em comprimidos, medicamento que utiliza a semaglutida, substância conhecida por estar presente em remédios como Ozempic e Wegovy.
A novidade ficou conhecida popularmente como “Ozempic em comprimido”, mas é importante esclarecer que o produto aprovado é uma versão oral do Wegovy, medicamento indicado para o tratamento da obesidade. A apresentação tradicional do Ozempic, por sua vez, é injetável e tem indicação para diabetes tipo 2.
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A aprovação abre caminho para que pacientes tenham uma alternativa diária às aplicações semanais. Apesar disso, o medicamento ainda não está disponível nas farmácias brasileiras, e a fabricante não divulgou o preço que será praticado no país.
Quanto vai custar o Ozempic em comprimido?
O preço do Wegovy em comprimidos no Brasil ainda depende da definição dos valores pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), responsável por estabelecer os preços máximos permitidos para medicamentos.
Enquanto essa etapa não é concluída, os valores praticados nos Estados Unidos ajudam a dimensionar o custo do tratamento.
No mercado americano, os preços mensais informados para a versão oral variam conforme a dosagem:
- 1,5 mg: US$ 149 por mês, aproximadamente R$ 818;
- 4 mg: US$ 199 por mês, cerca de R$ 1.092;
- 9 mg: US$ 299 por mês, aproximadamente R$ 1.641;
- 25 mg: US$ 299 por mês, aproximadamente R$ 1.641.
Os valores convertidos para reais são apenas referências e podem mudar conforme a cotação do dólar. Eles também não representam uma previsão oficial para o mercado brasileiro.
Nos Estados Unidos, a versão injetável do Wegovy pode custar cerca de US$ 349 por mês para quem paga sem cobertura de plano de saúde. A comparação mostra que o comprimido pode ser mais barato em determinadas etapas do tratamento, embora a diferença diminua na dose de manutenção.
Quando o medicamento chega ao Brasil?
A expectativa é que o Wegovy em comprimidos comece a ser comercializado no Brasil no primeiro semestre de 2027. Antes disso, ainda será necessário concluir os procedimentos relacionados à precificação e à distribuição do produto.
A aprovação da Anvisa representa uma etapa importante, mas não significa que o medicamento já possa ser encontrado nas farmácias.
A nova apresentação foi desenvolvida pela farmacêutica Novo Nordisk e já começou a ser comercializada nos Estados Unidos em janeiro de 2026.
Quem poderá usar o Wegovy em comprimido?
A indicação aprovada contempla adultos com obesidade, caracterizada por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m².
Também podem ser elegíveis adultos com sobrepeso, com IMC igual ou superior a 27 kg/m², desde que apresentem pelo menos uma condição de saúde relacionada ao excesso de peso.
O tratamento deve ser associado a uma alimentação com redução de calorias e à prática de atividade física. A indicação e a dose precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.
Como funciona a versão em comprimido?
Assim como a apresentação injetável, o Wegovy oral utiliza a semaglutida, substância que imita a ação do hormônio GLP-1. Esse mecanismo participa da regulação do apetite e da ingestão de alimentos, contribuindo para aumentar a sensação de saciedade.
A principal diferença está na forma de administração. Enquanto a caneta é aplicada semanalmente, o comprimido deve ser tomado todos os dias.
O esquema de tratamento prevê aumento gradual da dose, começando em 1,5 mg, passando por 4 mg e 9 mg, até chegar à dose de manutenção de 25 mg por dia.
A administração exige alguns cuidados:
- Tomar o comprimido pela manhã, em jejum;
- Utilizar apenas uma pequena quantidade de água;
- Esperar pelo menos 30 minutos antes de comer ou beber;
- Aguardar o mesmo período antes de tomar outros medicamentos por via oral.
Essas orientações são importantes para a absorção adequada da substância e devem seguir a bula e a prescrição médica.
Quantos quilos é possível perder com o comprimido?
A aprovação brasileira teve como uma das principais bases o estudo clínico de fase 3 OASIS 4, que avaliou a semaglutida oral em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a problemas de saúde.
Após 64 semanas, os participantes que receberam a dose de 25 mg apresentaram perda média de aproximadamente 13,6% do peso corporal. Entre os pacientes que seguiram o tratamento conforme o protocolo, a fabricante informou uma redução média de 16,6%.
Os resultados mostram o potencial do medicamento, mas não significam que todas as pessoas terão a mesma resposta. A perda de peso depende de diferentes fatores, e o tratamento precisa ser acompanhado por profissionais de saúde.
Comprimido não significa medicamento sem riscos
Apesar da facilidade de não precisar aplicar uma injeção, a versão oral continua sendo um medicamento que exige prescrição e acompanhamento médico.
A semaglutida pode provocar efeitos adversos, especialmente gastrointestinais, e não deve ser utilizada por conta própria ou apenas com o objetivo de emagrecer rapidamente.
A chegada do Wegovy em comprimidos amplia as opções disponíveis para o tratamento da obesidade no Brasil. O preço nacional, porém, ainda é uma informação aguardada por pacientes e consumidores interessados na novidade.

