Foto: arquivo pessoal

Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

Da redação | Na noite do dia 27 de maio de 2015, o corpo de José Gustavo Bertuol de 22 anos foi deixado nas margens de uma via de acesso a Praia do Paquetá, em Canoas. Na manhã do dia seguinte, o corpo foi encontrado por populares que acionaram a polícia. Rapidamente, o caso começou a repercutir nas redes sociais e nos veículos de comunicação. A vítima era conhecida como Gustavo Gargioni. Fotógrafo, ele trabalhava numa produtora em Canoas e tinha atuado na Secretaria de Comunicação do Governo do Rio Grande do Sul.

O caso foi investigado pelos agentes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Canoas que, na época, eram coordenados pelo delegado Marco Antônio Guns. Assim que soube do caso, o titular já apontava que Gustavo tinha sido brutalmente assassinado. “A experiência nos mostra que, pelo intenso sofrimento que a vítima passou, essa agressividade é característica de algum envolvimento amoroso”. Na época, os policiais concluíram que o fotógrafo foi torturado psicologicamente por 30 minutos, agredido a coronhadas na cabeça e levado 19 tiros de pistola.  

Além disso, o delegado disse que a investigação tomaria a linha passional porque nenhum pertence da vítima foi levado. “Esse cenário evita qualquer relação com latrocínio. Ele teria marcado um encontro naquela noite com alguma pessoal, mas ainda não sabemos quem é”.

Conversas nas redes sociais

Dias após o crime, começaram a circular, trechos de uma conversa que Gustavo teve com uma mulher no facebook. O diálogo que circulou era entre a vítima e um possível perfil masculino, que pode ser fake ou emprestado. Porém, durante a conversa o interlocutor se identifica como uma mulher, conhecida do fotógrafo.

As falas indicavam que ele teria marcado um encontro com ela no dia que desapareceu.  “Vou estar no posto, na esquina da academia (…) estou de Clio vermelho”, escreveu o rapaz. O Clio de Gustavo foi encontrado pela Polícia, no dia seguinte ao crime, em um posto de combustíveis às margens da BR-116, no bairro Igara.

Em outro trecho do diálogo, a mulher diz para o Gustavo que vivia um “carma” e dá indícios de que passava por uma situação complicada. “Um dia se Deus quiser, me livro desse carma na minha vida, mas não quero falar de coisas ruins contigo. (…) Queria ser livre pra te conhecer melhor, não tô falando em namoro, mas tu é especial, me apeguei a ti”, disse a mulher.

Trechos da conversa que foram compartilhadas em redes sociais (Foto: Facebook/Reprodução)

Na época, o delegado Guns não quis comentar as conversas que foram divulgadas.

Suspeitos identificados

Depois de dias colhendo depoimentos, analisando as redes sociais, os agentes da DHPP conseguiram identificar os responsáveis pelo seqüestro e assassinato de Gustavo. Para chegar nesse resultado, Guns ressaltou que as imagens de câmeras de segurança foram determinantes. “Elas nos auxiliaram e serviram de base para a linha de raciocínio”.

A suspeita de crime passional se mantinha diante de todas as evidências. Quase um mês depois do crime, a Polícia Civil, identificou as duas pessoas que eram as principais suspeitas de matarem o fotógrafo. Uma delas, era a mulher com quem Gustavo iria se encontrar na noite em que desapareceu.

Depois de pedir a prisão preventiva dos dois acusados, Guns comentou os diálogos nas redes sociais. “O diálogo é por meio do Facebook, utilizada por um perfil falso. Contudo, o perfil existe, é de um parente da foragida. O parente utilizou o Facebook no celular da foragida dias antes. A foragida utiliza esse perfil para se comunicar, porque dentro do seu celular havia a senha e usuário logado.”

Quem são os acusados?

Na conclusão do inquérito, a Polícia Civil, divulgou que os responsáveis pelo crime eram: Juliano Biron da Silva de 33 anos e Paula Caroline Ferreira Rodrigues de 21.

Suspeitos identificados (Foto: Polícia Civil/Divulgação

A motivação era de Juliano não aceitava contatos e uma aproximação de Gustavo com Paula.  Segundo a polícia, a vítima desconhecia as relações da mulher com Biron, um assaltante que migrou para o submundo das drogas, considerado um dos mais atuantes distribuidores de entorpecentes na Região Metropolitana, onde também seria sócio oculto de uma rede de lanchonetes.

Prisões

Paula e Juliano fugiram para Santa Catarina. Dias após divulgarem as identidades dos acusados, a Polícia Civil recebeu centenas de denuncias indicando o paradeiro dos foragidos.

A casa caiu para ambos em janeiro de 2016. Eles foram encontrados e presos em Balneário Camboriú.

Criminoso com ficha extensa

Juliano não tinha só o crime da morte de Gustavo na sua lista de antecedentes. Meses após o crime, a Polícia Civil apontou que ele era responsável por comandar um esquema que movimentava cerca de 400 kg em cocaína e crack, por mês, totalizando um ganho de R$ 2 milhões. Além disso, Biron tinha uma equipe responsável pela comercialização dos entorpecentes.

Juliano era investigado por outros crimes (Foto: Polícia Militar SC/Divulgação)

Em 2016, Juliano foi transferido para um presídio federal fora do Rio Grande do Sul. Na mesma época, a Polícia Civil deflagrou a operação “Pulso Firme” para combater o crime de lavagem de dinheiro por meio do tráfico de drogas.

As investigações apontaram que o suspeito seria o líder dessa organização criminosa voltada para o tráfico de drogas, a qual estaria lavando capitais no Rio Grande do Sul. “A lavagem ocorreria através da constituição de empresas, uma casa noturna na Capital, uma revenda de veículos em Canoas, uma distribuidora de alimentos, uma transportadora e um pub em Cachoeirinha, rede de lanchonetes com lojas em Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Tramandaí, Cidreira e Balneário Quintão, além de uma transportadora e imóveis em Santa Catarina, entre eles, o apartamento em que foi preso”, relatou o delegado Márcio Zachelo.

Além disso, ele fornecia drogas para líder de facção em Gravataí, que possuía um veículo blindado chamado de caveirão e que planejou a execução de uma juíza, bem como foi investigado por ser um dos detidos do Central que fugiria neste ano por um túnel descoberto pela polícia.

Por fim, Zachello descobriu que Biron tentou contratar dois advogados, um do Rio de Janeiro e outro de São Paulo, que defendem investigados e presos da operação Lava Jato da Polícia Federal. No entanto, não houve acordo.

Em liberdade

Paula, que foi Garota Verão em Nova Santa Rita no ano de 2010, teve a liberdade provisória concedida em novembro de 2018. A decisão foi da 1ª Vara Criminal de Canoas. Durante o processo judicial, ela teve pedidos de liberdade negados pela Justiça.

Paula está em liberdade (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Lembranças

Neste sábado (27), a família anunciou através das redes sociais, que será realizada uma missa pelos quatro anos da morte de Gustavo. A celebração vai acontecer no Santuário São Cristóvão, no bairro Igara, a partir das 19h. “Vamos orar pelo nosso anjo”, diz a família no convite.