Foto: Jaime Zanatta/GBC

O comércio em Cachoeirinha, Esteio e Sapucaia do Sul pode ser fechado nos próximos dias. Isso, porque o governador Eduardo Leite pode anunciar, neste sábado (13) a bandeira vermelha para a região. A medida inclui Canoas (município ao qual Esteio e Sapucaia se juntam em um mesmo grupo no combate ao coronavírus) e Porto Alegre (área a qual está incluída Cachoeirinha).

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A bandeira vermelha veda o funcionamento do comércio de rua e reduz a capacidade de atendimento dos demais serviços. Ela também proíbe o funcionamento de academias, clubes sociais, cabeleireiros e realização de missas e cultos. Parques, casas noturnas e bares permanecem fechados.

Mudanças no distanciamento controlado

Na última quinta-feira (11), o Palácio Piratini anunciou ajustes no distanciamento controlado. As novas regras apresentam alterações no ponto de corte dos dados de coronavírus no Estado e mudanças no uso das bandeiras nas regiões.

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De acordo com o Leite, a novidade no modelo é teórica e inovadora, já que faz uma conciliação da atividade econômica com proteção à vida. “Não está nas mãos do governo ter menos restrições, está nas mãos da população gaúcha. Por isso precisamos do engajamento de todos. Não é flexibilização. Estamos distantes de uma volta à normalidade”, afirmou durante a transmissão ao vivo pelo Facebook.

Na prática, o sistema está mais sensível a mudanças nas bandeiras que classificam o risco de contaminação em cada região. A mudança foi tomada pelo governo gaúcho devido ao aumento expressivo de casos de Covid-19 e de internações.

Assim, o Estado pode melhorar a resposta diante da necessidade de adotar mais restrições em caso de piora nas condições da pandemia. Hoje, segundo dados oficiais, o RS tem 323 mortos e 14.168 pessoas contaminadas com coronavírus.

De acordo com o governador, o “modelo está mais sensível a mudanças para dar mais segurança ao atendimento hospitalar no Rio Grande do Sul”. As mudanças devem ser rodadas para a próxima semana, sendo descartadas mudanças antes deste sábado (13), quando é atualizado o mapa do distanciamento.

VEJA O QUE MUDA NO DISTANCIAMENTO CONTROLADO

1. Mudança no ponto de corte de indicadores por tipo de medida:

O objetivo é reforçar a antecipação dos efeitos da pandemia e a segurança da população. Com base em diversas simulações de cenários, percebeu-se que as bandeiras estavam demorando muito para sinalizar piora de indicadores. Para alcançar essa antecedência, foi preciso um novo olhar. Assim, os pontos de corte se tornam mais estreitos e refletem melhor a realidade, conferindo maior segurança ao modelo, que se torna mais sensível a mudanças para garantir o atendimento no futuro. As mudanças serão feitas nos pontos de corte dos indicadores, como velocidade do avanço da doença, incidências de novos casos e mudança da capacidade de atendimento.

2. Alteração nos indicadores de óbito por Covid-19, Ativos/Recuperados e número de leitos de UTI livres (Macrorregião e Estado)

• Projeção de óbitos:

O indicador de óbitos por Covid-19 a cada 100 mil habitantes mostra a evolução da doença com defasagem, uma vez que um óbito reflete o adoecimento de semanas atrás. O indicador é válido para mostrar a realidade atual, mas não antecipa, e o objetivo do Distanciamento Controlado é também prever deterioração, de modo que medidas possam ser tomadas com antecedência para que as UTIs não cheguem ao limite de atendimento.

Sendo assim, o cálculo deixa de utilizar o número de óbitos ocorridos na semana de referência e passa a utilizar projeções para os próximos 14 dias, com base na variação de pacientes confirmados para Covid-19 em leitos de UTI e no número de óbitos acumulados na semana de referência.

• Indicador de Ativos/Recuperados:

O indicador de Estágio da Evolução passa a considerar todos os casos ativos na semana de referência em relação aos recuperados nos 50 dias anteriores ao início da semana. Ao considerar um período maior de tempo, amenizam-se os efeitos da defasagem entre a data do início dos sintomas e a inclusão dos casos confirmados.

• Razão de ocupação de leitos de UTI por Covid-19:

A capacidade de atendimento passa a ser avaliada com base na razão entre a quantidade de leitos de UTI livres e o número de leitos de UTI ocupados por pacientes confirmados para Covid-19. A proposta vale para os indicadores que avaliam a capacidade do Estado e das macrorregiões, que antes levava em consideração o número de leitos de UTI livres para Covid-19 para cada 100 mil idosos.

3. Gatilhos de segurança

• Redução de cinco para três hospitalizações registradas nos últimos 14 dias na trava para deixar a bandeira da semana anterior:

A mudança torna a redução de bandeira mais cautelosa. A partir deste sábado (13/6), o máximo de casos novos de hospitalização por Covid-19 que a região poderá observar para conseguir reduzir a bandeira é de três. Antes, o limite era cinco novas hospitalizações nos últimos 14 dias.

• Regra das bandeiras preta e vermelha:

Se uma região atingir bandeira final vermelha ou bandeira preta, será preciso duas semanas consecutivas com bandeiras menos graves para que a região possa obter redução na classificação de risco. Isso trará maior segurança para caracterizar a efetiva melhora nas condições de uma região.