Parque Capão do Corvo, em Canoas, está fechado, seguindo decreto que suspende atividades de estabelecimentos públicos. Foto: JL Balestrin/ GBC

Em entrevista na última segunda-feira (29) para a Agência GBC, o secretário da Saúde de Canoas, Fernando Ritter, falou sobre a possibilidade de migrar para a bandeira preta, prevista no modelo de distanciamento controlado.

Segundo o titular da pasta, a classificação, que endurece ainda mais as medidas restritivas, seria possível no caso de as pessoas não tomarem as medidas necessárias de combate ao coronavírus. Para Ritter, a bandeira preta é “praticamente um lockdown”.

“Temos como evitar, ainda podemos trabalhar com isso. Volto a dizer, as pessoas precisam voltar a acreditar que o coronavírus tem um curso diferente das demais. As pessoas chegam em nossas unidades de saúde e em poucas horas elas têm uma piora no quadro clínico”, pontua. (Entrevista completa pode ser assistida logo abaixo)

O que prevê a bandeira preta?

A bandeira preta é a classificação de risco mais elevada e, consequentemente, mais restritiva, de acordo com o modelo de distanciamento controlado elaborado pelo Governo do Estado, que a cada semana atualiza o mapa por regiões. Com o sistema hospitalar cada vez mais demandado, devido ao aumento de internações, o risco de uma bandeira preta também aumenta.

A coordenadora do Comitê de Dados do Estado, Leany Lemos, alerta para o perigo. “A melhor forma de evitar o lockdown é fazer a contenção agora. Não é hora de visita, churrasco, festinha, e nem de o comércio brigar para abrir, pois tudo o que precisamos é evitar as aglomerações”, pontua. A bandeira preta, em essência, impõe restrições mais severas àquelas adotadas em áreas com bandeira vermelha. As regiões de Canoas, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Passo Fundo, Santo Ângelo e Capão da Canoa estão na vermelha atualmente.

Assim como na vermelha, nas regiões classificadas pela bandeira preta, somente estabelecimentos que vendem itens essenciais podem estar abertos. Os demais locais de comércio devem ficar fechados. Com 25% dos trabalhadores, podem funcionar comércio atacadista, varejista de itens essenciais; e estabelecimentos de manutenção e reparação de veículos. Com 50%, apenas comércio varejista de produtos alimentícios e de combustíveis para veículos. Ficam vedados o comércio de veículos e o comércio atacadista e de varejo não essenciais.

Restaurantes de autosserviço (self-service) devem ficar fechados. Lanchonetes e padarias podem abrir, mantendo 25% dos trabalhadores. Nos shoppings, também fica permitido o acesso apenas a serviços essenciais – como farmácias, lavanderias e supermercados. Fora isso, os shoppings devem permanecer fechados, sem circulação de pessoas.

Seguem totalmente vedados o funcionamento de academias, missas e serviços religiosos, clubes sociais e esportivos (mesmo que com atendimento individual) e serviços de higiene pessoal – como cabeleireiro e barbeiro.