Foto: Jaime Zanatta/GBC

O secretário municipal da Saúde de Canoas, Fernando Ritter, concedeu entrevista para a reportagem de Agência GBC na tarde desta segunda-feira (29) para falar sobre a situação crítica do coronavírus na cidade. Na noite de domingo (28), o prefeito Luiz Carlos Busato comunicou que o sistema de saúde de Canoas chegou próximo ao limite da capacidade de atendimento.

Ritter explicou que o município precisou tomar medidas emergenciais para evitar que a Saúde de Canoas entrasse em seu limite. Isso porque a demanda aumentou significativamente tanto nos hospitais de campanha quanto no Hospital Universitário, que é referência para tratamento de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. A média de atendimento nos hospitais de campanha, que era de 40 a 60 por dia, chegou no fim de semana a 100, conforme o secretário.

“Na semana passada, colocamos 10 novos leitos de UTI de Covid no HPS para desafogar leitos do HU, que passou a atender mais pacientes. Em 72 horas, passamos de 15 pacientes suspeitos e confirmados para 27, sendo que nós temos limite 28 para esse tipo de atendimento. Também decidimos suspender as cirurgias eletivas, pois precisamos repor aqueles profissionais que estão adoecendo e se afastando por síndrome gripal ou mesmo por coronavírus”, explica Ritter.

O secretário destaca que Canoas enfrenta um processo de esgotamento na saúde. Por isso, a administração está em tratativas com o Estado para aumentar o número de leitos de UTI. A dificuldade, conforme ele, também é percebida na área de recursos humanos. “Estamos com dificuldade para compor equipes de saúde. Enquanto contratamos mais de 700 pessoas, tivemos baixa de 500 que precisaram se afastar. Temos ainda o risco de falta de medicamentos essenciais para o tratamento dos pacientes”, conta Ritter.

Sobre Canoas migrar para a bandeira preta, Fernando Ritter afirmou que isso seria possível caso as pessoas não tomarem as medidas necessárias de combate ao coronavírus. Segundo o titular da pasta, essa classificação é “praticamente um lockdown”, já que prevê a restrição ainda mais das atividades. “Temos como evitar, ainda podemos trabalhar com isso. Volto a dizer, as pessoas precisam voltar a acreditar que o coronavírus tem um curso diferente das demais. As pessoas chegam em nossas unidades de saúde e em poucas horas elas têm uma piora no quadro clínico”, pontua.