Foto: Jaime Zanatta/GBC

Durante a investigação da 1ª Delegacia de Polícia de Canoas sobre traficantes que estavam expulsando moradores de suas casas nos bairros Harmonia e Mathias Velho, os investigadores se depararam com o seguinte fato: um morador estava resistindo a ameaça dos criminosos. Como resposta, eles atiraram um coquetel molotov na residência e registraram toda a cena.

A ocorrência fez parte da Operação Fire deflagrada na manhã desta sexta-feira (19). Os alvos eram esses traficantes que estavam amedrontando esses moradores. Foram cumpridas cinco ordens judiciais, sendo três de busca e apreensão e duas de prisão.

De acordo com o delegado Rafael Pereira, foram dois meses de investigação. Durante a apuração dos fotos, eles obtiveram fotos e vídeos dos traficantes atirando nas residências. Entre esses arquivos está o vídeo já citado nesta reportagem. Os agentes também apuraram que para não sair de casa, o morador tinha outra opção: pagar valores entre R$ 1 mil e R$ 10 mil para os criminosos. “Eles utilizavam os tiros e explosão de coquetel molotov nas casas como forma de pressionar pessoas a pagar ou abandonar suas residências”, comentou o delegado.

Um traficante foi preso. Ele não teve o nome divulgado por dois motivos: um comparsa segue foragido e por causa da Lei de Abuso de Autoridade.

Como funcionava o crime

O objetivo dos traficantes com as residências eram transformar os locais em ponto de venda de drogas ou em depósito de armas. “Primeiro, eles decidiam algum ponto estratégico para venda ou depósito. Depois, começavam a ameaçar, se a pessoa resistisse, davam tiros nas casas pela noite. Uma que resistiu um pouco mais teve a casa alvejada por vários tiros e ainda parcialmente incendiada após um coquetel molotov ter sido jogado contra a residência. Soubemos disso devido às imagens apreendidas em celulares de suspeitos”, relatou o delegado.

Os criminosos, de acordo com as investigações, divulgavam as imagens em redes sociais para colocar medo nos moradores. As vítimas também eram ameaçadas caso denunciassem o caso a polícia ou a facções rivais.

“O objetivo era o mesmo. Ganhavam dinheiro a mais na extorsão e pegavam a casa do vizinho para fazer ameaças até a expulsão e assim usar como ponto de tráfico ou depósito “, relatou o delegado Mario Souza, diretor da 2ª Delegacia Regional Metropolitana.

A investigação segue, mas a polícia encontra dificuldades para encontrar vítimas. De acordo com o delegado Rafael Pereira, muitas vítimas têm medo de represálias.