Foto: Polícia CIvil/Divulgação

Era se arrastando que a mulher de 51 anos fazia as tarefas ordenadas pelo casal que a mantinha como escrava em uma residência na Vila Barreira, no bairro Parque Primavera, em Esteio. Além disso, ela era estuprada pelo filho do casal, um adolescente de 16 anos. Os três foram alvos da Operação Alforria deflagrada nesta terça-feira (22).

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O fato chegou até a Polícia Civil após uma denúncia anônima. De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, que investigou o caso, o denunciante relatou que a vítima – portadora da síndrome de Joseph Machado – era mantida por um casal em cárcere privado e submetida a todo o tipo de violência. O crime já perdurava há, pelo menos, cinco anos.

Os investigadores descobriram que os acusados eram vizinhos da vítima. Eles venderam a casa que ela residia e pegaram o seu cartão de benefício previdenciário. Em seguida, começaram as crueldades. Se arrastando, a mulher tinha que trabalhar o dia inteiro e era mantida, por mais de 15 horas, sem comida e bebida. Ela só ganhava caso concluísse todas as tarefas. Além disso, era proibida de utilizar o banheiro antes de terminar seus afazeres. Por causa disso, a vítima teve uma grave infecção, já que acabava urinando nas roupas.

Se já não bastasse a escravidão, os policiais descobriram que um adolescente de 16 anos, filho do casal, começou a estuprar a vítima. Os pais sabiam de tudo e ainda faziam a mulher usar cocaína. “As condições em que a vítima foi encontrada denotam a crueldade dos crimes praticados pelo casal”, relata a delegada.

O delegado regional Mario Souza, titular da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), ressalta que “foi uma situação terrível criminosa, a pessoa deficiente estava em uma situação de muito sofrimento”. Por causa da Lei de Abuso de Autoridade, o nome dos envolvidos e da vítima, não foram divulgados. Eles serão enquadrados por tortura, escraviaõ, estupro e estelionato.