Foto: arquivi pessoal

Por Felipi Vidal Fraga

Se tem algo que me fez falta na pandemia foi o cinema. Mesmo em tempos de Netflix, Amazon Prime e canais de TV a cabo, a telona dos shoppings me faz muita falta. Não sou uma pessoa religiosa, então, o cinema para mim, pelo menos desde os meus 20 anos, funcionava como uma espécie de culto renovador antiestresse. A sala dos cinemas é meu templo, a telona meu altar, meu transe espiritual é me concentrar na história e me envolver com os efeitos audiovisuais, e o COVID-19 tirou isso de mim.

Março de 2020 todas as atividades culturais começaram a fechar no mundo, no Brasil, no Rio Grande do Sul e na Cidade de Canoas de onde escrevo este texto. E dentre todas estas atividades, além das que obviamente fizeram falta para todos, como se reunir com amigos e familiares, jogar bola e ir a bares, não poder ir ao cinema foi a que mais me incomodou.

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Frequentar o cinema era uma espécie de ritual para mim e minha esposa. No início do namoro quase que semanalmente, depois de nos tornarmos pais, quinzenalmente ou mensalmente. Quando nos conhecemos eram as sessões semanais de ingressos oferecidos por um jornal da cidade de Canoas. Depois que virei professor, sessões exclusivas para docentes, em um cinema de Porto Alegre. E é claro, como bons nerds que somos, toda grande estreia de filmes da Marvel, DC, Star Wars ou filmes do Oscar, nós estávamos presentes.

Mesmo na era dos streamings, poder sair de casa, ir ao shopping, comprar pipoca, refrigerante e chocolate, e ficar conversando na fila antes da sessão é insubstituível. Ir de casal para namorar ou acompanhado de amigos que também gostam tanto quanto você de um gênero cinematográfico, jamais será totalmente superado. E depois que se entra no cinema, se concentrar totalmente na história, com som, e imagem gigante, de qualidade. Irritar-me com quem fala alto ou fica comentando o filme. Emocionar-me com as histórias, rir com algumas, chorar com outras. Até ficar indignado com a sujeira que alguns deixam pelo chão da sala me faz falta.

E com o avanço da vacinação, a diminuição da morte de nossos compatriotas, vou poder voltar a frequentar meus cultos cinematográficos. Ah cinema, meu cinema, como você me fez falta!

Felipi Vidal Fraga, além de cinéfilo, é professor e atualmente diretor da Escola Estadual André Leão Puente.