CASO GABRIEL | Homem que disse ter matado jovem relata ter sido coagido e agredido por policiais dentro de casa

O jovem, de 18 anos, teve o corpo encontrado submerso em um açude.

Foto: Arquivo Pessoal/Reprodução

O homem, de 59 anos, que confessou, ter matado por dinheiro o jovem Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, em São Gabriel, na fronteira Oeste, afirmou, em audiência de custódia realizada nessa segunda-feira, ter assumido a autoria do crime após ter sido coagido e agredido por policiais militares dentro da própria residência, localizada no bairro Nonoai, em Santa Maria, nas imediações do Batalhão da Brigada Militar.

Na Vara de Execuções Criminais de Santa Maria, o homem, que até o fim de semana era considerado foragido da justiça, relatou à juíza que um grupo de PMs, sem precisar a quantidade, invadiu a casa onde mora, no último sábado, revirando cômodos e gavetas, além de desferir chutes e socos contra ele.

O depoente disse que questionou os brigadianos sobre o motivo da invasão. Como resposta, os militares disseram que três colegas haviam sido presos por um crime em São Gabriel e que precisavam de alguém para assumir a autoria. As informações foram divulgadas, nesta terça-feira, em nota emitida pela Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, que acompanhou o homem na audiência.

O detento, que retornou ao regime fechado, disse ainda ter sido encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento 24 horas do município e, posteriormente, à delegacia. Na sequência, contou ter sido levado ao presídio, já que havia entrado na condição de foragido por não ter se apresentado ao Presídio Regional enquanto cumpria pena em regime semi-aberto.

Diante do depoimento, a juíza determinou o encaminhamento da cópia da audiência de custódia ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), responsável pela Auditoria Militar, e para a Corregedoria da Brigada Militar a fim de que sejam apuradas as declarações.

Em contato com a reportagem, o Corregedor-Geral da BM, coronel Vladimir Luís Silva da Rosa, disse que a corporação já instaurou um inquérito para confirmar se o caso configura crime de abuso de autoridade. O procedimento, segundo o coronel, deve ser concluído em até 40 dias.

Por meio da nota, a Defensoria Pública esclareceu que trabalha na defesa do homem e vai seguir acompanhando o caso com o objetivo de garantir o contraditório. A defensora Valéria Brondani acompanhou o depoimento do detento.

Entenda o caso

No último domingo, a Corregedoria da BM tomou o depoimento do homem, que um dia antes havia, supostamente admitido a autoria da morte de Gabriel Cavalheiro. O jovem, de 18 anos, teve o corpo encontrado submerso em um açude, em 19 de agosto na localidade de Lava Pé, em São Gabriel, na fronteira Oeste.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem confessou o suposto envolvimento ao ser detido, na noite passada, no bairro Noal. Nesse primeiro depoimento, ele contou ter recebido R$ 15 mil para matar o jovem e que três pessoas – duas mulheres e um homem – arquitetaram o crime.

Ainda no domingo, Brigada Militar e Polícia Civil voltaram a inquirir o suspeito e descartaram a participação dele no assassinato do jovem.