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17 de julho de 2024

URNAS | O sobe e o desce pós-eleições: quem ganha, quem perde e o passo de caranguejo que alguns deram por aqui

Com os números na mão, dá para ver quem acertou na estratégia, quem apostou e não levou e quem errou feio na corrida eleitoral

Foi uma eleição bastante diferente, inclusive no dia da eleição, essa de 2022. Na falta de uma palavra que descreva melhor o que vimos nas ruas nesses 45 primeiros dias de campanha, escolho de ‘atípica’. A impressão que tive é a de que o eleitor, aquele que no fim das contas escolhe quem coloca na cadeira de presidente da República, governador, senador e deputados estaduais e federais, o cara que é o titular do voto, fez uma opção silenciosa. E, pelo resultado saído das urnas, empoderou os ‘tios do zap’ que discutem de guerra da Ucrânia à sabotagem das urnas com mensagens muitas vezes sem pé-nem-cabeça que compartilham como se certeza tivessem de tudo.

A onda conservadora, vista em 2018 e provavelmente mal identificada como um fenômeno momentâneo pós-Lava Jato, é a grande vencedora da eleição. Isso explica Onyx Lorenzoni (PL) no segundo turno? Não; explica ele ter chegando a frente de todos os demais, com folga, enquanto as pesquisas de melhor reputação que vimos não identificaram esse hipótese. E nem falamos de Jair Bolsonaro, que estava para ser apaeado da presidência ainda no primeiro turno segundo todos os levantamentos pré-eleitorais e, no fim, disputou a apuração voto a voto contra Lula (PT).

No plano local, as coisas não são menos complexas. Mais uma vez, Canoas ajudou a eleger um monte de gente que não é daqui. Isso é ruim? Não necessariamente, mas nos deixa com um certo ‘buraco’ de representação política difícil de explicar: como uma cidade com mais de 340 mil habitantes e 238 mil eleitores não terá, em 2023, um deputado estadual para chamar de seu?

1. Busato venceu

Quem se elege, vence. E quem se elegeu, no fim das contas, foi Luiz Carlos Busato (UB). Terá um mandato de deputado federal no ano que vem sustentando a condição de único político com base em Canoas a garantir o feito em 2022. Alguns apressados vão dizer que a votação de Busato foi baixa e que quase o partido dele, o União Brasil, não elege ninguém. Reputo que esse discurso destila mais inveja do que verdade: uma vez eleito, 150 mil ou 57.610 votos significam o mesmo mesmo mandato.

2. O conservadorismo venceu

Está provado: Jair Bolsonaro fez mais de 92 mil votos em Canoas, uma cidade que nasceu para abrigar a mão-de-obra que busca ganhar a vida em Porto Alegre e que tem dois dos maiores bairros populares de todo o país: Mathias Velho e Guajuviras. A força do conservadorismo, muito mais identificado com a pauta das elites, invadiu a casa financiada do trabalhador. A cristalizar-se a situação, vencerá de novo no segundo turno.

3. Márcio Freitas saiu maior do que entrou

Não chega a ser uma surpresa: Márcio Freitas, do Avante, foi o canoense mais votado para deputado estadual – 18,7 mil. Faltou fôlego para superar a barreira dos 20 mil votos no final da campanha e o partido, com poucos candidatos disputando o pleito, também não ajudou. Mas a voz da urna, inequívoca, é a de que Márcio passa a ter um novo protagonismo nos próximos momentos da política da cidade. 2024? Talvez. A aliança entre ele e o prefeito em exercício, Nedy de Vargas Marques, é sólida – e teremos provas disso nos próximos dias, a conferir.

4. Eunice recupera terreno do PT

Maria Eunice (PT) fez, ao todo, 18,9 mil votos para deputada federal – e a terceira suplente do partido. Não foi o suficiente para dar-lhe um mandato em Brasília, mas coloca a única vereadora eleita pela sigla em Canoas como nova protagonista do partido na cidade.

5. A surpresa Cris Moraes

Se colocarmos os 16,8 mil votos de Cris Moraes (PV) na balança, há prós e contras. A expectativa do partido era colocar Cris na Câmara Federal com cerca de 45 mil votos, uma vez que historicamente o PV faz 60 mil nesse tipo de eleição e Cris agragaria, ainda, sua militância na causa animal. Algum ruído houve: a votação de Cris é mais resultado do seu próprio trabalho do que obra do partido ou da união dos protetores.

6. MDB estacionou

Airton Souza (11 mil para federal) e Cézar Mossini (3,6 mil para estadual) foram às urnas, cada um por si. Digo isso porque era de se esperar que fizessem uma dobradinha local que se apoiasse mutuamente. Nada disso. Ambos preferiram parceiros de fora que ajudaram a bancar a campanha e, no fim, parece que a estratégia de ambos era só a de manter o nome em evidência – quem sabe de olho em reeleição em 2024.

7. Nereu perdeu

O atual deputado federal Nereu Crispim (PSD), que se elegeu na rabeira do bolsonarismo em 2018 pelo PSL, deixa a Câmara em 2023. Fez apenas 8,8 mil votos. Ele entrou no partido pelas mãos de Jairo Jorge e não tem se dedicado à vida partidária – o que faz do seu futuro político uma completa incógnita.

8. O eleitor foi cruel com alguns

O eleitor não comprou algumas ideias de candidatos locais, como Simone Sabin, do PTB, que fez 969 votos; Canhoto, ex-vereador, do Republicanos, que fez 1.076; e até do queridão Sargento Santana, do PSD, que chegou a 1,6 mil. Nessa leva ainda podemos citar Mauri Grando, do Podemos, ex-secretário de Cultura de Canoas, que somou apenas 1,7 mil.

9. Reparem nelas

Por fim, reparem em Ana Moraes, do PSD, que fez 2.216 votos; e Nalígia Raquel, do Solidariedade, que fez 1.118: elas vem para 2024.

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