Você já deve ter ouvido que tomar vinho pode ser bom para o coração. Mas será que isso é realmente verdade ou só mais um mito conveniente para quem gosta de beber? Pesquisas indicam que, embora o vinho contenha compostos benéficos, os riscos do consumo excessivo são reais, e perigosos.
De acordo com a Embrapa, mesmo com o aumento do consumo de vinho no Brasil, 89% das garrafas abertas por aqui são de uvas como Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot. E embora existam mais de 11 mil variedades de uvas da espécie Vitis vinifera no mundo, poucas chegam às mesas brasileiras.
Mas a maior polêmica não está no tipo de vinho, e sim em quanto você pode (ou deve) consumir.
A dose que pode ajudar (ou prejudicar)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe uma dose segura de álcool. Porém, a dieta mediterrânea, reconhecida como patrimônio cultural da humanidade, inclui o vinho tinto em pequenas quantidades nas refeições. A recomendação? Apenas uma taça para mulheres e duas para homens, sempre durante o almoço ou jantar, e com hidratação adequada ao longo do dia.
Pesquisadores acreditam que os polifenóis e o álcool juntos oferecem efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes, que podem proteger o coração. Ainda assim, não há prova científica de que tomar vinho realmente melhora a saúde cardiovascular. Isso significa que o argumento “faço isso pelo meu coração” não se sustenta como justificativa.
O que pode acontecer se exagerar
O excesso de vinho, como qualquer bebida alcoólica, pode causar arritmias, hipertensão e formação de placas nas artérias, além de favorecer problemas emocionais e sociais. Mais grave ainda: o álcool está relacionado a cerca de 3 milhões de mortes por ano no mundo, sendo a principal causa de morte prematura entre pessoas de 15 a 49 anos.
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Cada taça de vinho com 150 ml contém cerca de 14 g de álcool puro. O consumo acima de 30 g já é considerado excessivo, ou seja, não é preciso beber muito para passar do limite.
Quem deve evitar o vinho completamente
Mesmo em pequenas doses, tomar vinho não é indicado para todo mundo. Os grupos que devem evitar completamente são:
- Gestantes e mulheres tentando engravidar;
- Mulheres que amamentam;
- Crianças e adolescentes;
- Pessoas que tomam medicamentos que interagem com álcool (como antidepressivos e anti-inflamatórios);
- Indivíduos em dietas restritivas (o álcool tem 7 kcal por grama).
Ou seja, nem todo mundo pode aproveitar os supostos benefícios do vinho.
Afinal, vale a pena tomar vinho?
A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que o melhor é não beber. Mas, se você quiser tomar vinho, que seja com responsabilidade e moderação. O segredo está na quantidade e no contexto: com comida, em momentos sociais e nunca como hábito diário inquestionável.
Tomar vinho pode, sim, ter efeitos positivos, mas só se feito com consciência.