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28 de agosto de 2025

É possível curar a depressão com cirurgia cerebral?

Procedimento inovador testa nova esperança para pacientes que não respondem a terapias convencionais

Uma equipe médica brasileira realizou, em 6 de agosto, uma cirurgia inédita em Goiânia para tratar uma paciente jovem com depressão resistente associada à dor crônica. O método, conhecido como estimulação cerebral profunda (DBS – Deep Brain Stimulation), marca um avanço promissor na interface entre neurocirurgia e psiquiatria.

O que é estimulação cerebral profunda?

A DBS consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro, conectados a um neuroestimulador semelhante a um marca-passo, instalado no tórax. Esse dispositivo envia impulsos elétricos contínuos, com o objetivo de regular a atividade de circuitos cerebrais relacionados ao humor, motivação e percepção da dor.

“Os médicos utilizam a técnica há décadas para tratar doenças neurológicas como Parkinson, distonias e tremores essenciais, mas aplicá-la na depressão crônica resistente é relativamente novo e ainda considerado experimental.”

No caso brasileiro, os eletrodos foram posicionados em dois alvos:

  • Substância cinzenta periaquedutal: envolvida no controle da dor.
  • Feixe prosencefálico medial: ligado às respostas emocionais ao sofrimento.

O objetivo é modular tanto a experiência física da dor quanto os sintomas depressivos, oferecendo qualidade de vida onde terapias tradicionais falharam.

Primeiro caso foi registrado na Colômbia

Antes da cirurgia no Brasil, a Colômbia realizou o primeiro procedimento do tipo em abril deste ano, em Bogotá. A paciente colombiana, segundo os médicos, relatou melhora progressiva após ajustes no dispositivo implantado.

Especialistas indicam o DBS apenas para casos graves, quando o paciente já testou medicamentos (como antidepressivos, lítio ou quetamina), psicoterapia e terapias neuromodulatórias menos invasivas, como a estimulação magnética transcraniana, sem obter sucesso.

Como é feita a cirurgia para depressão?

O procedimento requer planejamento minucioso e tecnologia avançada de neuroimagem para atingir os circuitos corretos sem comprometer áreas críticas, como memória e linguagem. A precisão é milimétrica, pois qualquer erro pode trazer riscos neurológicos significativos.

A recuperação é gradual:

  • Os efeitos terapêuticos podem levar meses para aparecer.
  • O neuroestimulador precisa de ajustes contínuos para encontrar os parâmetros ideais.
  • O acompanhamento psiquiátrico permanece obrigatório mesmo após a cirurgia.

Resultados e desafios

Estudos apontam que apenas 20% a 30% dos pacientes alcançam remissão sustentada da depressão com DBS. Por isso, a técnica não substitui os tratamentos tradicionais – que incluem medicamentos, eletroconvulsoterapia, mudanças no estilo de vida e psicoterapia.

“Apesar dos resultados iniciais animadores, a estimulação cerebral profunda ainda é experimental e precisa de mais pesquisas para garantir eficácia e segurança”, ressalta Cassiano Teixeira, professor de psiquiatria da Afya Educação Médica.

Além disso, questões éticas são cruciais. Como se trata de um procedimento invasivo, o paciente deve fornecer consentimento livre e esclarecido, entendendo todos os riscos e benefícios antes da cirurgia.

O futuro do tratamento

A expectativa é que, com avanços tecnológicos e novos estudos, a DBS se torne uma alternativa para casos extremos de depressão resistente. Até lá, ela continua sendo uma última opção, aplicada apenas em contextos muito específicos e sob rigoroso acompanhamento médico.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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