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05 de janeiro de 2026

Bebidas quentes causam câncer? Veja o que diz especialista em saúde intestinal

Beber chá, café ou outras bebidas muito quentes é um hábito cotidiano para milhões de brasileiros, especialmente durante o inverno ou nas primeiras horas do dia. Porém, especialistas em saúde intestinal e pesquisas científicas recentes têm levantado um alerta importante: a temperatura dessas bebidas pode estar associada a um risco aumentado de câncer do esôfago, segundo estudos globais que analisam padrões de consumo e incidência da doença.

Ao contrário do que muitos pensam, não é o tipo da bebida — seja chá, café ou mate — que provoca o problema, mas o calor excessivo ao engolir repetidamente líquidos fervendo acima de 65 °C. Esse padrão de consumo, presente em várias culturas, tem sido apontado como um possível fator que danifica o revestimento do esôfago e pode aumentar o risco de desenvolver câncer ao longo do tempo.

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O que a ciência mostra sobre bebidas quentes

Organizações internacionais, como a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, classificaram o consumo de bebidas quentes acima de 65 °C como “provavelmente carcinogênico” para humanos. Essa classificação baseia-se em evidências epidemiológicas de estudos em diferentes partes do mundo, incluindo América do Sul, Ásia e Oriente Médio.

Estudos recentes envolvendo grandes populações, como quase meio milhão de adultos no Reino Unido, também reforçam essa associação, observando que pessoas que consomem várias xícaras diárias de bebidas muito quentes apresentam maiores taxas de câncer de esôfago do que aquelas que preferem bebidas mornas ou frias.

Por que a temperatura importa

O principal mecanismo sugerido pelos pesquisadores está ligado ao dano térmico repetido nas células do esôfago. Quando líquidos extremamente quentes passam pela garganta e pelo tubo alimentar com frequência, podem causar pequenas lesões na mucosa. Ao longo do tempo, esse dano pode evoluir para inflamação crônica e mudanças celulares que facilitam o desenvolvimento de tumores malignos.

Além disso, ao contrário de outras substâncias que são consumidas quentes por hábito, como chá ou café, é o calor contínuo e intenso que preocupa os especialistas, e não necessariamente o conteúdo químico da bebida em si.

Como reduzir o risco sem perder o hábito

Para quem não abre mão de uma boa xícara de café ou chá, a recomendação dos pesquisadores é simples: deixe as bebidas esfriarem antes de beber e evite consumi-las em temperaturas muito altas. Ajustar o hábito pode parecer pequeno, mas pode fazer diferença na saúde a longo prazo.

Assim, enquanto ainda há debate e necessidade de mais estudos para entender completamente a relação entre temperatura de ingestão e câncer, vale a pena prestar atenção à forma como consumimos nossas bebidas quentes queridas.







Vinicius Ficher
Vinicius Ficher
Redator, escrevediariamente sobre economia, serviços e cotidiano de cidades.
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