Uma das maiores fabricantes de chocolate do mundo, a multinacional suíça Barry Callebaut, foi condenada pela Justiça brasileira por práticas de trabalho infantil e condições análogas à escravidão em partes da sua cadeia de fornecimento de cacau no Brasil. A decisão judicial, agora pública, gerou debates sobre responsabilidade empresarial e direitos humanos.
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Processo judicial vinha em segredo e agora é exposto
O processo contra a subsidiária brasileira da Barry Callebaut tramitava em segredo de Justiça até novembro do ano passado, mas foi revelado após questionamentos à Justiça. As decisões de primeiro e segundo graus determinaram multa de R$ 500 mil e a adoção de medidas para combater o trabalho infantil e escravo no fornecimento de cacau.
O que o MPT acusa a empresa de fazer
O Ministério Público do Trabalho (MPT) afirma que a empresa adquiriu cacau sem fiscalização preventiva, de fornecedores que submetiam trabalhadores, inclusive crianças, a condições degradantes. Essa prática, segundo o MPT, “explora e compactua com a exploração do trabalho infantil e análogo ao escravo”.
Recursos ainda pendentes no Tribunal Superior do Trabalho
A ação aguarda julgamento final no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A relatora do caso informou que os recursos apresentados tanto pelo MPT quanto pela empresa devem ser julgados nos primeiros meses de 2026.
Multa maior e campanhas de conscientização pedidas pelo MPT
Procuradores do trabalho pedem que o valor da indenização seja aumentado para R$ 110,8 milhões, calculado com base em parte dos lucros globais da empresa, e que a Barry Callebaut promova campanhas públicas para conscientizar sobre trabalho infantil e escravo.
Empresa nega responsabilidade direta, mas afirma compromisso
A Barry Callebaut afirmou em nota que condena todas as formas de violação de direitos humanos e que suas políticas corporativas refletem esse compromisso, sem comentar o processo em andamento. A empresa diz ainda que trabalha com parceiros para implementar melhorias contínuas.
Especialistas ressaltam a importância da fiscalização
Especialistas em direitos trabalhistas alertam que casos como esse mostram a necessidade de maior fiscalização na cadeia produtiva do cacau, um setor onde o trabalho infantil ainda é um problema sério, sobretudo em áreas remotas sem controle adequado.
A reportagem tenta contato com a empresa, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

