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28 de janeiro de 2026

Bibo Nunes é condenado pela Justiça e terá de pagar R$ 100 mil após fala contra estudantes no RS

Bibo Nunes condenado: Justiça impõe multa de R$ 100 mil após declarações contra estudantes no RS. Veja detalhes a seguir.

A Justiça Federal condenou o deputado federal Bibo Nunes (PL-RS) ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos em razão de declarações feitas contra estudantes universitários do Rio Grande do Sul. A decisão ainda cabe recurso.

O caso envolve falas divulgadas em vídeo nas redes sociais durante o período eleitoral de 2022 e voltou a ganhar repercussão após a sentença que considerou o conteúdo ofensivo e incitador de violência.

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Agora, entenda o que motivou a condenação

A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) após Bibo Nunes afirmar, em outubro de 2022, que estudantes das universidades federais de Pelotas (UFPel) e Santa Maria (UFSM) deveriam ser “queimados vivos dentro de pneus” por protestarem contra cortes de verbas na educação.

No vídeo, veiculado durante o segundo turno da campanha eleitoral, o parlamentar também fez ofensas diretas aos alunos, chamando-os de “inúteis”, “lixo”, “escória” e “débeis mentais”.

Em um dos trechos, Bibo Nunes declarou:

“Ser rico e não ter noção, como esses aí. É o filme Tropa de Elite. Sabe o que aconteceu? Olha o filme ‘um’. Pegaram aqueles coitadinhos, aqueles riquinhos ajudando pobre e que se deram mal e queimaram vivos. Queimaram vivo dentro de pneus, queimaram vivo, e é isso que esses estudantes alienados, filhos de papai e que têm grana merecem. Não que eu queira isso, mas eles merecem porque eles estão arriscando acabar com o nosso Brasil” diz.

A sentença classificou a fala como “absolutamente insensata”, destacando que o conteúdo extrapola os limites da liberdade de expressão e da atividade parlamentar.

Além disso, veja o que diz a decisão judicial

A decisão determina que o valor da indenização seja destinado a um fundo de investimento na Educação Pública em nível superior. Para o procurador da República Enrico Rodrigues de Freitas, a conduta do deputado ultrapassa as funções legislativas por incitar violência e atingir a imagem das universidades públicas.

O MPF sustentou ainda que as declarações buscavam “interromper, impedir ou dificultar manifestações livres” de estudantes e professores. A sentença reconheceu que a atitude “é reprovável porque visa inibir a liberdade de manifestação de pensamento dos estudantes”, direito garantido pela Constituição.

Enquanto isso, deputado se manifesta e diz que vai recorrer

Ao g1, Bibo Nunes afirmou que, na esfera penal, “ganhou” com um acordo no valor de R$ 2 mil e criticou a condenação cível.

“É uma decisão política e vou recorrer. Falei do filme Tropa de Elite e deturparam. Ou sou incendiário de estudantes? Também tenho imunidade parlamentar. Jogada política na potência 13”, completou.

Na época, o deputado também publicou um pedido de desculpas nas redes sociais:

“Errar é humano! Depois de uma mãe me relatar as perseguições contra sua filha na universidade, porque era bolsonarista, fiquei muito irritado e fiz um vídeo, onde perdi o controle emocional. Jamais vou querer que alguém seja queimado vivo. Peço desculpas a todos, pela insensatez” escreveu.

Apesar disso, Bibo Nunes negou que tenha defendido que estudantes merecessem ser queimados vivos, afirmando que sua fala teria sido retirada de contexto.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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