O principal destaque da nova prova prática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é o limite de 10 pontos que os candidatos podem acumular antes de serem reprovados no exame de direção. Com a publicação da Resolução nº 1020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), o antigo sistema — que reprovava o candidato automaticamente ao atingir **3 pontos negativos ou cometer faltas eliminatórias — foi substituído por um modelo de **pontuação acumulativa, mais flexível e alinhado com critérios internacionais.
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Nesse novo formato, cada infração cometida durante o percurso é pontuada conforme sua gravidade, somando pontos ao longo da prova e não levando à eliminação imediata por um único erro pequeno. Isso significa que o candidato só é reprovado quando ultrapassa 10 pontos no total ou comete uma falta gravíssima, que também pode levar à eliminação automática, dependendo da avaliação da banca examinadora.
Como funciona o novo sistema de pontuação na prática
Ao iniciar a prova prática da CNH, o candidato começa com pontuação zero. À medida que comete falhas, os pontos são acumulados conforme o tipo de infração. A nova tabela segue a classificação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), com pesos diferentes para cada infração:
- Infração leve: 1 ponto
- Infração média: 2 pontos
- Infração grave: 4 pontos
- Infração gravíssima: 6 pontos
Esse sistema permite maior margem de erros leves, sem que uma falha isolada determine a reprovação imediata, e torna a avaliação mais proporcional ao desempenho do candidato ao longo do percurso. Para ser considerado aprovado, o candidato deve manter a soma de pontos até 10, respeitando as regras do exame.
Por que a mudança foi feita e o que muda para os candidatos
Maior flexibilidade e menos reprovações inesperadas
Uma das principais razões dessa mudança no limite de pontos da prova prática da CNH é reduzir reprovações por pequenos erros e tornar a avaliação mais condizente com a condução no trânsito cotidiano. Antes, faltas leves ou médias podiam rapidamente somar pontos e levar à reprovação, mesmo que o candidato demonstrasse domínio geral do veículo. Com o novo limite de 10 pontos, candidatos têm mais margem de erro para falhas menores, favorecendo uma experiência de avaliação mais justa.
Além disso, a atualização prevê que a segunda tentativa de prova prática pode ser agendada no mesmo dia, sem cobrança de nova taxa, desde que haja disponibilidade operacional, o que alivia o impacto financeiro sobre quem reprovou na primeira tentativa.
Transição e aplicação da regra nos estados
Apesar de já constar na resolução federal, a aplicação do novo limite de 10 pontos ainda depende de regulamentação e adaptação pelos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans). Em muitos estados, incluindo o Rio Grande do Sul, as provas continuam sendo aplicadas pelo modelo antigo enquanto o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular não é publicado, previsto para consolidar todos os critérios técnicos detalhados. A expectativa do setor é que a nova regra passe a ser aplicada a partir de março de 2026.
Impactos práticos e considerações para quem vai tirar a CNH
Preparação para a prova com foco na segurança
Mesmo com o aumento do limite de pontos, a segurança continua sendo prioridade. Infrações que representem perigo real no trânsito — como desrespeitar sinalizações, avançar sinal vermelho ou comportamento que comprometa a condução segura — ainda são avaliadas de forma rigorosa pela banca examinadora e podem resultar em reprovação. A reavaliação geral do candidato inclui não só a soma de pontos, mas também critérios técnicos e emocionais para garantir que quem passa esteja apto à direção no trânsito.
Tendência de modernização e redução de custos
A nova regra do limite de 10 pontos está inserida em um contexto mais amplo de modernização do processo para obter a CNH, que inclui medidas como a possibilidade de aulas práticas flexíveis, menor carga horária mínima e novas formas de preparação — com instrutores autônomos ou veículos próprios, conforme regras estaduais. Essas mudanças podem reduzir custos e tornar o processo mais acessível, embora também tenham gerado debate sobre adaptação e aplicação uniforme em todo o país.

