Um caso grave envolvendo crianças pequenas abalou a cidade de Alvorada na manhã desta terça-feira (3). Duas professoras de escola infantil foram presas preventivamente após decisão judicial.
As prisões ocorreram nas cidades de Canoas e Alvorada e mobilizaram forças de segurança logo nas primeiras horas do dia.
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Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul, as mulheres são investigadas por sedar crianças sem prescrição médica, além de praticar agressões físicas e psicológicas contra alunos de dois a cinco anos. Elas mantinham a Escola Infantil Rafa Kids, localizada no bairro Maringá, em Alvorada.
A ação foi executada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Brigada Militar. O pedido de prisão foi feito pela promotora Karen Mallmann, da 3ª Promotoria de Justiça Criminal de Alvorada.
Professoras são presas acusadas de sedar e bater em crianças em escola de Alvorada: influência em testemunhas e crimes previstos no ECA
Para solicitar as prisões, o MP sustentou que as investigadas teriam tentado influenciar testemunhas durante o andamento da investigação. Conforme a promotoria, há indícios de crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, incluindo lesões corporais e apuração da prática de tortura.
“Há notícias, no inquérito policial, de que no momento em que as notícias surgiram, as investigadas procuraram, de alguma forma, entrar em contato com as testemunhas e até impedir que as testemunhas prestassem depoimentos que não fossem favorável a elas” explica a promotora para GZH.
Escola já havia sido interditada
A instituição particular foi interditada pela prefeitura em dezembro do ano passado, após relatos de mães de alunos. De acordo com o MP, as professoras administravam medicamentos destinados a outras crianças para mantê-las dormindo ou mais “calmas”.
Além disso, a investigação aponta imposição de castigos, negligência com higiene e alimentação e condutas consideradas degradantes.
Depoimentos e imagens anexadas ao inquérito indicariam a sedação das crianças. Também foram encontradas mensagens entre funcionárias sugerindo o aumento das doses de remédios.
Próximos passos
“O próximo passo é que seja feita uma análise pelo Ministério Público acerca do oferecimento da denúncia. São analisadas a presença de indícios de materialidade e de autoria que permitem o oferecimento, ou não, de denúncia nesse caso” explica a promotora à reportagem.
A Polícia Civil afirma que a investigação segue em andamento e aguarda a entrega de documentos solicitados para conclusão do inquérito.
O que diz a escola
Responsável pela defesa da Escola de Educação Infantil Rafa Kids, o escritório Land Assessoria Jurídica informou que ainda não teve acesso ao processo do Ministério Público.

