Uma das mais tradicionais empresas produtoras de erva-mate do Rio Grande do Sul, a Ervateira Vier, teve a falência decretada na semana passada após acumular um passivo de R$ 49,7 milhões. A empresa alegou uma série de problemas administrativos, financeiros e operacionais que inviabilizaram a continuidade do negócio.
A decisão judicial foi assinada no dia 29 de outubro pelo juiz Eduardo Sávio Busanello, da Vara Regional Empresarial da Comarca de Santa Rosa (RS), cidade onde a empresa mantinha sua sede.
Empresa entrou em falência: operações estavam paralisadas desde 2024
No processo, a Vier informou que já havia encerrado suas atividades em setembro de 2024. Segundo a companhia, os problemas se acumularam ao longo dos anos e envolveram desde dificuldades no campo até falhas de gestão interna.
Entre os principais fatores apontados estão a redução da oferta de matéria-prima, causada pelo avanço da monocultura da soja sobre áreas tradicionalmente ocupadas por ervais, além do encarecimento do frete e dos insumos vindos de unidades em Rio Negrinho (SC) — já desativada — e São Mateus do Sul (PR).
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Incêndio, dívidas fiscais e crise administrativa
Além dos entraves produtivos, a empresa relatou problemas administrativos e financeiros, incluindo a contratação de financiamentos, dificuldades com o Fisco e um incêndio que atingiu a sede da Vier em Santa Rosa em dezembro de 2012, causando prejuízos relevantes.
Outro fator citado foi o agravamento do quadro de saúde de Oscar Ignácio Büttenbender, administrador responsável por um período de expansão da empresa, que faleceu em 2020.
Os números evidenciam o desequilíbrio financeiro: enquanto as dívidas somam R$ 49,7 milhões, os ativos da empresa foram estimados em apenas R$ 11,8 milhões.
Apesar da empresa entrar em falência marca Vier continua no mercado
Apesar da falência, a marca Vier segue presente nos pontos de venda. Isso é possível graças a um acordo firmado antes do pedido judicial, que autorizou a ervateira Rei Verde, de Erechim (RS), a fabricar e comercializar os produtos com a marca Vier.
Pelo contrato, a Rei Verde repassa mensalmente 3% da receita líquida obtida com as vendas à massa falida da Vier.
Segundo o advogado André Fernandes Estevez, da empresa Estevez & Guarda Administração Judicial, responsável pela administração judicial do processo, a princípio o acordo permanece válido.
“Nosso objetivo é permitir a continuidade do uso da marca e, se possível, manter as atividades produtivas que já estão em funcionamento, sempre buscando uma forma de retorno financeiro para pagamento dos credores”, afirmou ao AgFeed.
Futuro da marca dependerá da Justiça
De acordo com o administrador judicial, qualquer mudança no acordo dependerá da avaliação do Judiciário e do Ministério Público. A ideia inicial não é interromper a produção, mas analisar alternativas para um uso racional da marca, que possa beneficiar credores e parceiros comerciais.
Além do contrato com a Rei Verde, a massa falida da Vier ainda recebe receita de aluguel da antiga unidade de São Mateus do Sul (PR), atualmente ocupada pela Maracanã Indústria e Comércio de Erva-Mate.
Mais de 80 anos de história no setor ervateiro
Fundada em 1945 por Jacob Vier, a empresa iniciou suas atividades vendendo erva-mate a granel, em sacos de estopa e sem marca própria. A partir da década de 1970, com a entrada de Oscar Büttenbender na gestão, a Vier passou por um processo de modernização e industrialização que a transformou em referência regional.
Mesmo com o declínio administrativo, a marca ainda mantém forte reconhecimento entre os consumidores. Em 2025, por exemplo, figurou entre as mais lembradas pelos gaúchos no prêmio Top of Mind, da revista Amanhã.
Mercado segue pulverizado no RS
O fechamento da Vier não altera de forma significativa a dinâmica do setor no Estado. Segundo o Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), o Rio Grande do Sul conta com cerca de 240 empresas processadoras, responsáveis por mais de 1,5 mil marcas de erva-mate.

