O avanço da recuperação judicial no agro começou a preocupar bancos e instituições financeiras em todo o país. Durante o Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel (PR), o Bradesco afirmou que o uso crescente do mecanismo já elevou a percepção de risco no mercado.
Segundo o diretor de Agronegócio do banco, Roberto França, o volume de pedidos não estaria ligado apenas a dificuldades reais dos produtores, mas também ao uso considerado excessivo da ferramenta jurídica.
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Uso excessivo da recuperação judicial no agro preocupa bancos
A recuperação judicial no agro é um instrumento legal criado para reorganizar dívidas e permitir que empresas continuem operando. No entanto, de acordo com o executivo do Bradesco, muitos produtores estariam recorrendo ao mecanismo sem necessidade operacional comprovada.
França destacou que, em alguns casos, o incentivo parte de orientações jurídicas, e não da incapacidade financeira do produtor rural.
Além disso, ele alertou que muitos só percebem as consequências após o início do processo. Isso porque, uma vez em recuperação judicial, o produtor pode enfrentar restrições severas de crédito, fator essencial para manter a atividade no campo.
Crédito mais caro para todo o setor
O banco avalia que o aumento da recuperação judicial no agro contribuiu para elevar a insegurança nas concessões de crédito. Como consequência direta, o financiamento ficou mais caro para todos os produtores.
Segundo França, quando o risco aumenta, as instituições financeiras ajustam as condições. Isso significa juros mais altos e critérios mais rígidos para aprovação de crédito.
Ainda assim, o executivo afirmou que mais de 90% da carteira de clientes do banco no agronegócio segue saudável, com operações regulares e sem atrasos relevantes.
Momento não é de crise produtiva, diz banco
Na avaliação do Bradesco, o cenário atual não representa uma crise de produção no campo. O problema estaria mais relacionado ao aumento do custo financeiro após um período de forte expansão do agronegócio.
“Inadimplência não é falta de vontade de pagar. É não ter recurso”, afirmou o diretor durante a coletiva.
Diante desse ambiente, o tema já entrou no radar das autoridades. O banco não descarta a possibilidade de mudanças regulatórias para limitar o uso da recuperação judicial no agro nos próximos meses.

