Uma nova regra ligada ao SUS (Sistema Único de Saúde) já começou a valer no Brasil e pode impactar diretamente a rotina de quem precisar passar por consulta, exame, internação ou qualquer outro tipo de atendimento. A mudança entrou em vigor nesta semana e estabelece uma série de direitos e deveres para pacientes em unidades de saúde públicas e privadas.
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Na prática, a nova legislação cria um marco nacional de proteção ao cidadão durante o atendimento médico. Com isso, pacientes passam a ter garantias mais claras sobre informação, acompanhamento, respeito, confidencialidade e tratamento digno dentro dos serviços de saúde.
O que muda com o Estatuto dos Direitos do Paciente
A principal novidade é a entrada em vigor da Lei nº 15.378/2026, que institui oficialmente o Estatuto dos Direitos do Paciente no Brasil. A norma foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União, passando a valer a partir de terça-feira (7).
Com a nova regra, o paciente passa a contar com um conjunto mais definido de garantias legais ao procurar atendimento médico. Isso significa que o direito à informação, ao respeito, à segurança e ao tratamento adequado deixa de ser apenas uma diretriz ética e passa a estar ainda mais reforçado em lei.
Estatuto dos Direitos do Paciente amplia proteção contra discriminação
Entre os pontos mais importantes da nova legislação está a proibição de qualquer forma de tratamento discriminatório durante o atendimento em saúde. O texto estabelece que pacientes não podem sofrer distinção, exclusão, restrição ou preferência com base em fatores como sexo, raça, cor, religião, deficiência, enfermidade, origem étnica, renda ou qualquer outra condição pessoal.
Na prática, isso fortalece a obrigação de um atendimento mais igualitário e respeitoso em hospitais, postos de saúde, clínicas e demais serviços médicos. A medida também amplia a segurança jurídica do paciente em situações em que houver violação de direitos durante o cuidado em saúde.
Paciente passa a ter direito mais claro a acompanhante e informação médica
Outro ponto que chama atenção é o reforço ao direito de ter um acompanhante durante consultas, exames ou internações. Segundo a nova lei, o paciente poderá contar com essa presença, salvo em situações específicas em que o acompanhamento possa prejudicar a saúde, a intimidade ou a segurança da própria pessoa atendida ou de terceiros.
Além disso, a legislação determina que o paciente tenha acesso a informações claras e acessíveis sobre o tratamento. Isso inclui explicações sobre medicamentos, dosagens, possíveis efeitos adversos, procedimentos e demais orientações necessárias para que a pessoa consiga tomar decisões conscientes sobre sua própria saúde.
Nova lei reforça sigilo médico e direito à decisão informada
O Estatuto dos Direitos do Paciente também reforça a obrigação de preservar a confidencialidade das informações médicas. Em outras palavras, dados sobre diagnóstico, exames, tratamentos e histórico clínico devem continuar protegidos, com respeito à privacidade e à dignidade do paciente.
Ao mesmo tempo, a nova legislação amplia o conceito de decisão informada. Isso significa que o paciente deve receber explicações compreensíveis e suficientes para decidir se aceita ou não determinado tratamento, exame ou procedimento. Portanto, a relação com o profissional de saúde passa a exigir ainda mais transparência e comunicação clara.
Estatuto dos Direitos do Paciente também define deveres de quem busca atendimento
A nova lei não trata apenas dos direitos. O texto também lista sete responsabilidades que devem ser observadas por pacientes ao procurarem serviços de saúde. Entre elas, estão seguir corretamente as orientações médicas, tirar dúvidas sobre o tratamento e informar mudanças inesperadas no estado de saúde.
Além disso, a norma prevê que o paciente deve respeitar as regras da instituição de saúde, os direitos de outros pacientes e a atuação dos profissionais envolvidos no atendimento. Com isso, o estatuto tenta equilibrar a relação entre proteção ao cidadão e responsabilidade individual no processo de cuidado.
Veja quais são as responsabilidades previstas na nova lei
Entre os deveres definidos pelo texto estão a obrigação de seguir o tratamento prescrito até a data indicada, buscar esclarecimentos quando houver dúvidas e comunicar desistência ou alterações relevantes no quadro clínico. Também passa a ser responsabilidade do paciente indicar representante legal quando necessário e garantir o correto registro de diretivas antecipadas de vontade, quando houver.
Essas obrigações não servem apenas como formalidade. Na prática, elas ajudam a organizar o fluxo do atendimento, reduzem riscos e fortalecem a segurança do próprio paciente durante consultas, exames, procedimentos e internações.
Nova regra pode mudar a forma como brasileiros encaram consultas e internações
Embora muita gente ainda não tenha percebido, a nova legislação pode mudar a forma como os brasileiros se posicionam dentro de consultórios, hospitais e unidades de saúde. Isso porque o paciente passa a ter respaldo legal mais claro para exigir informação adequada, tratamento digno, respeito e participação ativa nas decisões sobre sua saúde.
Ao mesmo tempo, a nova regra também deve pressionar instituições e profissionais a reforçarem práticas de acolhimento, comunicação e transparência. Em um cenário em que queixas sobre atendimento são frequentes, o Estatuto dos Direitos do Paciente surge como uma tentativa de tornar essa relação mais equilibrada e mais humana.
O que muda para quem usa o SUS ou precisa de atendimento médico
Na prática, a nova legislação vale como referência para qualquer cidadão que precise buscar assistência médica, inclusive em atendimentos ligados ao SUS. Ainda que muitas dessas garantias já existissem de forma dispersa em outras normas, agora elas passam a estar organizadas em um estatuto específico, o que tende a facilitar o conhecimento e a cobrança desses direitos.
Por isso, a principal mudança para o cidadão está no fortalecimento da sua posição dentro do atendimento. Mais do que ir ao médico ou ao hospital, o paciente passa a ter instrumentos mais claros para entender o que pode exigir, como deve ser tratado e quais responsabilidades também precisa cumprir durante o cuidado em saúde.

