A prefeitura de Porto Alegre anunciou que prepara um plano de contingência para enfrentar possíveis impactos do el niño RS no segundo semestre de 2026. A medida busca reduzir riscos em áreas ainda desprotegidas da cidade. Apesar da previsão de aumento nas chuvas, especialistas avaliam que a chance de uma enchente semelhante à de maio de 2024 é pequena.
Como o caso foi descoberto
A expectativa de volumes elevados de chuva nos próximos meses levou a administração municipal a acelerar a elaboração de estratégias preventivas. O plano de contingência, com foco em regiões vulneráveis, deve ser apresentado ainda em abril, junto com um balanço das obras e projetos de proteção contra cheias.
A iniciativa ocorre em meio ao monitoramento dos possíveis efeitos do el niño, fenômeno climático associado ao aumento das precipitações no sul do Brasil.
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O que mostram as investigações
De acordo com o engenheiro civil e especialista em recursos hídricos Carlos Tucci, contratado pela prefeitura, os dados históricos indicam baixa probabilidade de repetição de um evento extremo como o registrado em 2024.
Porto Alegre possui uma série histórica de 126 anos de medições pluviométricas, com registro de oito grandes enchentes. Destas, apenas duas — em 1941 e 2024 — ultrapassaram os limites do Cais Mauá.
Segundo o especialista, o intervalo estimado para uma cheia com a magnitude de 2024 supera 200 anos, o que reduz significativamente o risco no curto prazo.
Áreas mais vulneráveis
Apesar da avaliação considerada otimista, algumas regiões seguem em alerta. A área próxima ao Aeroporto Salgado Filho, especialmente entre o terminal e o bairro Sarandi, é apontada como a mais crítica por ainda não contar com proteção completa.
Esses pontos são prioridade dentro do plano que está sendo estruturado pela prefeitura.
O que dizem as autoridades
Entre as propostas em análise está a construção de um novo dique e o fechamento de aberturas nos arroios Areia e Sarandi, que passam sob a BR-290 (freeway). Como se trata de uma obra complexa, o município também avalia medidas emergenciais.
Uma das soluções discutidas é o bloqueio temporário de partes do sistema para evitar a entrada de água em períodos críticos, especialmente entre setembro e outubro.
Sedimentos no Guaíba entram no debate
Outro tema analisado é o acúmulo de areia no Guaíba após a enchente de 2024. No entanto, especialistas descartam impacto relevante dessa condição no risco de novas cheias.
Segundo Tucci, a retirada de sedimentos não teria efeito significativo devido ao enorme volume de água da bacia, que se estende por centenas de quilômetros.
A prefeitura deve divulgar ainda neste mês os detalhes do plano de contingência e atualizar o andamento das obras de proteção contra cheias. As ações fazem parte da preparação para o período mais chuvoso associado ao el niño RS.

