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08 de maio de 2026

Clonagem de pets recria aparência, mas não garante mesma personalidade, diz estudo

Estudos mostram que a clonagem de pets pode reproduzir características físicas e parte do comportamento

A clonagem de pets voltou ao centro do debate científico após relatos de donos que decidiram recriar geneticamente animais de estimação mortos. Apesar de a tecnologia permitir gerar um animal com o mesmo DNA do original, pesquisadores afirmam que a personalidade não é totalmente reproduzida.

Estudos citados pela National Geographic indicam que fatores ambientais e experiências de vida continuam determinantes no comportamento dos clones.

Como funciona a clonagem de pets

A clonagem de animais de estimação evoluiu desde o nascimento da ovelha Dolly, há quase 30 anos. Atualmente, empresas especializadas oferecem o serviço por valores que podem chegar a US$ 50 mil.

O processo envolve a retirada de material genético do animal original e sua implantação em óvulos de uma fêmea receptora. Depois, os embriões são transferidos para barrigas de aluguel.

Segundo especialistas ouvidos pela National Geographic, o procedimento ainda apresenta limitações e taxas de sucesso variáveis.

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O que mostram os estudos científicos

Pesquisas recentes indicam que clones podem compartilhar características gerais de comportamento com o animal original, como níveis de atividade e sociabilidade.

No entanto, estudos também apontam que traços ligados à aprendizagem, adaptação social e experiências de vida tendem a variar. Isso significa que a clonagem de pets não produz uma cópia perfeita da personalidade.

Um estudo de 2025 com miniporcos clonados mostrou que alguns comportamentos têm influência genética maior, enquanto outros dependem diretamente do ambiente em que o animal vive.

Outra pesquisa, publicada em 2017, observou que cães clonados apresentavam temperamentos mais estáveis ao longo do tempo, mas ainda assim reagiam de forma diferente a situações de medo, curiosidade e socialização.

Caso de dona que clonou gata chamou atenção

A reportagem da National Geographic destaca o caso de Kelly Anderson, moradora do Texas, nos Estados Unidos, que decidiu investir na clonagem de sua gata Chai após a morte do animal em 2017.

Anos depois, ela recebeu Belle, clone geneticamente idêntico da gata original.

Apesar das semelhanças físicas e de parte do temperamento, Anderson percebeu diferenças importantes na personalidade. Segundo ela, Belle se tornou mais sociável e independente devido às experiências vividas desde filhote.

A dona acredita que o isolamento enfrentado por Chai nos primeiros meses de vida influenciou diretamente o comportamento mais reservado da gata original.

O que dizem os especialistas

Pesquisadores afirmam que genética e ambiente atuam juntos na formação da personalidade animal.

James Serpell, professor emérito da Universidade da Pensilvânia citado pela National Geographic, compara clones a gêmeos idênticos humanos: apesar do DNA igual, experiências diferentes fazem com que indivíduos desenvolvam comportamentos distintos ao longo da vida.

Já o pesquisador Adam Reddon, da Universidade Liverpool John Moores, explicou que alguns traços podem ter predisposição genética maior, mas a personalidade continua sendo resultado da interação entre genes e vivências.

Clonagem de pets não recria o animal original

Especialistas reforçam que a clonagem de pets não deve ser entendida como uma forma de “trazer o animal de volta”.

Embora o clone possa apresentar aparência semelhante e compartilhar alguns padrões comportamentais, fatores ambientais moldam a personalidade ao longo do tempo.

A própria Kelly Anderson afirmou à National Geographic que Belle não substituiu Chai, mas se tornou um animal único.

“É mais como ganhar um gêmeo idêntico, só que em uma data posterior”, disse.

Josué Garcia
Josué Garcia
Estudante de jornalismo e redator de SEO, Josué Garcia escreve sobre cotidiano.
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