O caso do Cão Orelha, que gerou forte comoção nas redes sociais no início do ano, ganhou uma nova reviravolta após o Ministério Público de Santa Catarina pedir oficialmente o arquivamento das investigações. Segundo o órgão, as análises periciais afastaram a hipótese de agressão contra o animal e apontaram que a morte estaria ligada a uma condição grave de saúde já existente.
O pedido foi encaminhado à Justiça na última sexta-feira (8), após meses de investigação envolvendo imagens de câmeras, perícias veterinárias e análise de quase dois mil arquivos relacionados ao caso.
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A conclusão do Ministério Público contradiz a principal suspeita que circulava nas redes sociais desde janeiro, quando o cachorro apareceu ferido e acabou sendo submetido à eutanásia em Florianópolis.
Ministério Público diz que adolescente e cão não estiveram juntos
De acordo com o MPSC, uma nova análise da linha do tempo mostrou que o adolescente apontado inicialmente como suspeito e o cão Orelha não estavam no mesmo local no horário indicado pelos primeiros relatórios da investigação.
A perícia identificou uma diferença de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras do condomínio e pelo sistema de monitoramento da região.
Com isso, os investigadores concluíram que:
- o cão não apareceu nas imagens da orla no momento indicado;
- o adolescente estava a cerca de 600 metros do animal;
- não há provas de contato direto entre ambos.
Segundo o Ministério Público, as imagens ainda mostraram que o cachorro mantinha capacidade normal de locomoção quase uma hora depois do suposto horário da agressão.
Perícia aponta infecção óssea grave no Cão Orelha
Outro ponto decisivo foi o laudo veterinário feito após a exumação do corpo do animal.
Segundo a perícia, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com violência recente.
Os especialistas identificaram sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave localizada na região da mandíbula esquerda do cão. O quadro pode ter sido causado por doenças periodontais avançadas.
O documento ainda descreve:
- perda de pelos;
- inflamação antiga;
- lesão profunda na região abaixo do olho esquerdo;
- sinais de evolução prolongada da infecção.
De acordo com o Ministério Público, o estado clínico observado no animal seria incompatível com um quadro de agressão recente.
Caso gerou forte repercussão nas redes sociais
O caso Cão Orelha mobilizou milhares de pessoas nas redes sociais ao longo dos últimos meses.
Na época, vídeos, publicações e campanhas acusavam adolescentes de maus-tratos contra o animal, gerando revolta nacional e forte pressão por punições.
Agora, o Ministério Público afirma que também serão investigadas possíveis divulgações falsas relacionadas ao episódio, incluindo eventual monetização de conteúdos publicados nas plataformas digitais.
Além disso, o órgão pediu:
- envio do caso à Corregedoria da Polícia Civil;
- apuração sobre possível vazamento de informações sigilosas;
- investigação sobre conteúdos falsos divulgados na internet.
MP também arquivou investigação sobre outro cão
As investigações envolvendo o cachorro “Caramelo” também foram arquivadas.
Segundo o Ministério Público, não houve prática de maus-tratos e os jovens envolvidos apenas brincavam com o animal na praia.
O órgão afirmou ainda que a morte da cadela “Pretinha”, companheira do Cão Orelha, reforça a hipótese de vulnerabilidade sanitária dos animais, já que ela morreu dias depois em decorrência da doença do carrapato.

