A possibilidade de um novo El Niño no RS já começa a preocupar especialistas e moradores do estado após as enchentes históricas de 2024.
Mesmo com obras e investimentos anunciados pelo governo gaúcho nos últimos meses, um professor da UFRGS afirma que o Rio Grande do Sul ainda não reduziu sua vulnerabilidade diante de eventos extremos de chuva.
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As declarações foram dadas pelo professor Fernando Meirelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS (IPH/UFRGS), em entrevista concedida ao portal Sul21.
Professor teme novo período de chuvas intensas
Segundo Meirelles, ouvido pelo Sul21, a nova rede de monitoramento climático ainda não possui a mesma cobertura da estrutura que existia anos atrás no estado.
“O IPH pediu a recuperação da rede de monitoramento, e então veio uma nova proposta de rede que a Defesa Civil está projetando. Não é a mesma rede que foi deixada no final do governo Sartori, é menor”, afirmou ao portal.
O especialista também alertou para o risco de o estado enfrentar novamente fortes episódios de chuva sem informações suficientes para tomada rápida de decisão.
Governo afirma que obras seguem em andamento
Conforme informações da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) repassadas ao Sul21, o Rio Grande do Sul possui atualmente 139 estações de monitoramento hidrometeorológico em funcionamento.
Além disso, o governo estadual lançou a plataforma ClimaRS, que reúne:
- monitoramento meteorológico;
- níveis dos rios;
- alertas da Defesa Civil;
- acompanhamento hidrológico em tempo real.
Segundo a pasta, os novos equipamentos ainda passam por processos de calibração.
Especialista critica situação atual da rede
Durante a entrevista ao Sul21, Meirelles também afirmou que muitas estações aparecem oficialmente em operação, mas sem dados disponíveis ao público.
“Ficamos sem muitas informações durante a cheia de 2024”, declarou.
Ele ainda afirmou que considera preocupante qualquer falta de integração entre os sistemas estaduais e plataformas nacionais de monitoramento climático.
Super El Niño aumenta preocupação no RS
A preocupação cresce porque meteorologistas já acompanham a possibilidade de um forte El Niño no RS a partir do segundo semestre de 2026.
O fenômeno costuma provocar:
- aumento das chuvas;
- temporais;
- enchentes;
- elevação dos níveis dos rios.
Segundo Meirelles, ouvido pelo Sul21, dificilmente todas as obras previstas pelo governo serão concluídas antes disso.
“Não se consegue fazer tudo em quatro meses”, afirmou o professor ao portal.
Ele também defendeu que o combate aos impactos climáticos precisa funcionar como política permanente de estado, independentemente de mudanças de governo.

