A Polícia Civil deflagrou nesta segunda-feira (9) a Operação Interface contra um grupo criminoso que causou prejuízo em uma empresa de Canoas.
De acordo com a polícia, a investigação da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, descobriu uma sofisticada organização criminosa especializada em golpes eletrônicos. Eles causaram um prejuízo de R$ 193.601,89 a uma empresa do setor industrial de Canoas, na Região Metropolitana.
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o crime começou quando a funcionária dessa empresa começou a receber mensagens de um telefone que exibia a foto do presidente da empresa. Como o executivo estava em viagem e, frequentemente, solicitava pagamentos a fornecedores dessa mesma forma. Por isso, a profissional não identificou nenhuma irregularidade.
Conforme a polícia, a funcionária seguiu as orientações e realizou transferências bancárias para contas indicas pelo suposto diretor. Os valores foram distribuídos entre diferentes destinatários. Porém dias depois, ao perceber que os pagamentos eram elevados e solicitados em um curto espaço de tempo, ela desconfiou e descobriu que o número de telefone que estava pedindo os valores não era o do verdadeiro presidente da empresa.
Uma ocorrência foi registrada e a investigação descobriu que o golpe havia sido executado em Mato Grosso.
Grupo alvo da Operação Interface tinha estrutura criminosa organizada
A investigação apurou que o grupo tinha uma estrutura criminosa organizada. Cada um tinha sua função.
Os investigadores empregavam uma estratégia de pulverização financeira para dificultar a recuperação e rastreio. O dinheiro era fragmentado e transferido para contas em diferentes estados do Brasil. A técnica dificulta bloqueios judiciais e os beneficiários do esquema.
A delegada Luciane Bertolleti, titular da 3ª DP de Canoas, destaca que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais comum no ambiente corporativo brasileiro.
“Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e utilizam fotografias, nomes e informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”, pontua.
Mais de 80 ordens judiciais
Policiais cumpriram 87 ordens judiciais, sendo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de busca de prisão em Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Também foram realizados bloqueios de todas as contas bancárias vinculadas ao grupo criminoso.
“O que testemunhamos nos últimos anos é uma transição alarmante: grupos que antes atuavam em crimes convencionais migraram para o ambiente digital, desenvolvendo uma especialização técnica sem precedentes em estelionatos e extorsões. Mais do que quadrilhas isoladas, identificamos verdadeiros ecossistemas do crime que operam como ‘escolas’, onde táticas de fraude são disseminadas e novos criminosos são recrutados e treinados. Assim como Passo Fundo consolidou-se historicamente como um polo do golpe do bilhete, estados como Mato Grosso, Rio Grande do Norte e São Paulo têm concentrado núcleos altamente sofisticados de fraudes eletrônicas. A Operação INTERFACE é uma resposta contundente da Polícia Civil a essa rede interestadual, reafirmando nosso compromisso em desarticular não apenas os executores, mas toda a estrutura logística e financeira que sustenta o crime organizado no ambiente virtual”, pontua o diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (2ª DPRM), delegado Cristiano Reschke.

