Garantir que os filhos continuem estudando e concluam o ensino médio é o desejo de qualquer pai ou mãe. No entanto, quando o orçamento familiar é apertado, o fantasma da evasão escolar costuma assombrar muitos lares. Para combater esse problema, o Governo Federal lançou o programa Pé-de-Meia, uma espécie de poupança voltada para estudantes de baixa renda.
Com a novidade, uma dúvida muito específica começou a rodar os grupos de mensagens e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS): afinal, quem recebe BPC pode receber Pé-de-Meia? Se a família já conta com o Benefício de Prestação Continuada para um idoso ou uma pessoa com deficiência, o jovem perde o direito ao incentivo estudantil?
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Para alívio de milhares de famílias, as regras oficiais trazem uma excelente notícia.
Afinal, os dois benefícios podem ser acumulados?
A resposta é muito clara: sim, quem recebe BPC pode receber Pé-de-Meia. O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) estabelecem que os dois programas possuem naturezas totalmente diferentes, o que permite o acúmulo dos valores sem qualquer tipo de punição ou corte.
O BPC é um direito constitucional de assistência social, pago a idosos com mais de 65 anos ou pessoas com deficiência de qualquer idade que comprovem não ter meios de prover a própria subsistência. Já o Pé-de-Meia é um incentivo financeiro-educacional, focado exclusivamente em manter o jovem na escola. Portanto, um benefício não anula e não atrapalha o outro.
Qual é a regra de ouro para garantir o Pé-de-Meia?
Embora o acúmulo seja permitido, o estudante que pertence a uma família beneficiária do BPC precisa cumprir os critérios básicos do programa estudantil. A regra de ouro é estar inscrito e com os dados atualizados no Cadastro Único (CadÚnico).
O programa Pé-de-Meia utiliza a base de dados do CadÚnico para selecionar os jovens. Inicialmente, o foco total do programa está nos estudantes de 14 a 24 anos, matriculados no ensino médio regular das escolas públicas, e que pertençam a famílias beneficiárias do Bolsa Família.
Como muitas famílias que recebem o BPC também estão inscritas no CadÚnico e, em alguns casos, complementam a renda com o Bolsa Família (respeitando os limites legais de renda por pessoa), os filhos desses lares têm o caminho aberto para receber o incentivo, desde que a escola repasse as informações de matrícula corretamente para o governo.
O que o jovem precisa fazer para não perder o dinheiro?
Não basta apenas estar no CadÚnico; o Pé-de-Meia funciona como um prêmio por desempenho e dedicação. Para que os valores sejam depositados na conta poupança digital aberta automaticamente em seu nome na Caixa Econômica Federal, o estudante precisa cumprir quatro exigências escolares:
- Frequência escolar: É obrigatório manter uma frequência mínima de 80% às aulas todos os meses;
- Aprovação: O aluno precisa passar de ano para liberar o bônus anual;
- Participação em exames: No 3º ano, é obrigatório comparecer aos dias de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem);
- Conclusão: O saque do montante principal só é liberado com a apresentação do diploma de conclusão do ensino médio.
Saber que quem recebe BPC pode receber Pé-de-Meia traz um alento financeiro importante. Significa que o jovem tem uma oportunidade real de mudar o futuro da família através dos estudos, sem que o lar perca a segurança financeira que o BPC já garante todos os meses.

