O mercado de máquinas agrícolas voltou a acender um sinal de alerta no Brasil. Mesmo após o anúncio do novo Plano Safra, representantes da indústria afirmam que o cenário continua difícil e que a recuperação esperada não aconteceu. Com isso, o temor de demissões em massa voltou a ganhar força entre fabricantes e trabalhadores do setor.
A preocupação aumentou depois que a Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou que deverá revisar para pior a previsão de desempenho da indústria em 2026. A expectativa agora é de uma queda entre 15% e 20% nas vendas, percentual muito superior ao estimado anteriormente.
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Crise aumenta temor de demissões em massa
Segundo representantes da Abimaq, o setor enfrenta dificuldades provocadas pela baixa rentabilidade dos produtores rurais, principalmente de soja e milho. Além disso, os preços das commodities continuam pressionados e o câmbio também tem dificultado as exportações.
Na avaliação do presidente da Câmara Setorial, Pedro Estevão Bastos, não há sinais de melhora para o segundo semestre. Mesmo com o lançamento do Plano Safra 2026/27, o mercado continua sem encontrar um fator capaz de impulsionar novamente as vendas de máquinas agrícolas.
O reflexo já aparece também no mercado de trabalho. Dados da entidade mostram que a indústria encerrou maio com 115.040 trabalhadores, número 7,6% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, aumentando a preocupação com novas reduções de postos de trabalho caso o cenário permaneça desfavorável.
Plano do governo não mudou a expectativa do setor
Embora o Plano Safra tenha mantido linhas de financiamento e criado alternativas de crédito para investimentos, representantes da indústria avaliam que as mudanças foram insuficientes para alterar o cenário atual.
Uma das alterações foi a redução dos recursos destinados ao Moderfrota. Por outro lado, parte dessa diferença deverá ser compensada pelo programa Move Agricultura, que oferece financiamento com juros menores para investimentos em inovação e modernização.
Mesmo assim, a avaliação predominante é de que as medidas não conseguiram recuperar a confiança do mercado nem estimular uma retomada nas vendas de tratores, colheitadeiras e outros equipamentos agrícolas.
Vendas continuam em queda
Os números divulgados pela Abimaq reforçam esse cenário. Em maio, a receita líquida da indústria caiu 31% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
As vendas de tratores também recuaram, enquanto o mercado de colheitadeiras registrou uma queda ainda mais acentuada. No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, a receita líquida do setor apresenta retração superior a 21%.
Segundo a entidade, o alto custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para produtores rurais renovarem suas máquinas e ampliarem seus investimentos.
O que pode acontecer nos próximos meses?
Caso a projeção de queda entre 15% e 20% seja confirmada, fabricantes poderão manter uma postura mais cautelosa ao longo do restante do ano, priorizando ajustes na produção e novos investimentos apenas quando houver sinais mais consistentes de recuperação da economia agrícola.
Enquanto isso, trabalhadores, fornecedores e empresas ligadas ao agronegócio acompanham com atenção os próximos indicadores do setor, que deverão mostrar se a retração continuará ou se haverá espaço para uma recuperação gradual nos próximos meses.

