Homem compra terreno em leilão por R$ 110 mil, mas antigo morador se recusa a sair e caso vira batalha na Justiça

Comprou um terreno em leilão e encontrou o imóvel ocupado? A lei prevê um caminho que pouca gente conhece; veja detalhes.

Um terreno em leilão pode parecer uma oportunidade imperdível para quem deseja economizar na compra de um imóvel. Em muitos casos, o valor fica muito abaixo do mercado. Porém, existe um detalhe que costuma surpreender compradores de primeira viagem: adquirir a propriedade não significa conseguir a posse imediatamente.

Foi exatamente essa situação que inspirou o caso fictício de Antônio. Depois de arrematar um terreno por R$ 110 mil, ele descobriu que o antigo morador não tinha qualquer intenção de deixar o imóvel, iniciando uma disputa judicial que poderia durar meses ou até anos.

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Comprar um terreno em leilão garante a posse?

Não necessariamente.

Pela legislação brasileira, o arrematante passa a ser proprietário do imóvel após a conclusão do processo de arrematação e o registro da documentação. Entretanto, quando existe alguém ocupando o imóvel, a desocupação normalmente depende de medidas judiciais.

Em outras palavras, o comprador pode ser dono no papel, mas ainda não conseguir utilizar o terreno.

Por que o antigo morador consegue permanecer no imóvel?

Mesmo após perder a propriedade, o ocupante possui direito ao contraditório e à ampla defesa.

Entre os motivos que costumam prolongar o processo estão:

  • pedidos para anular o leilão;
  • recursos judiciais;
  • alegações sobre benfeitorias realizadas;
  • questões de saúde ou idade avançada;
  • demora natural da tramitação judicial.

Esses fatores podem fazer com que a entrega da posse leve bem mais tempo do que o comprador imaginava.

Como funciona a retirada do ocupante?

O caminho normalmente utilizado é a ação de imissão na posse.

Depois que a Justiça reconhece o direito do arrematante, poderá ser expedido mandado para que o ocupante deixe o imóvel.

O prazo, entretanto, varia conforme o tipo de leilão e as circunstâncias de cada processo.

Dá para evitar esse problema?

Especialistas recomendam analisar cuidadosamente toda a documentação antes de fazer qualquer lance.

Alguns cuidados importantes incluem:

  • ler integralmente o edital;
  • verificar se o imóvel está ocupado;
  • consultar a matrícula atualizada;
  • identificar quem reside no local;
  • considerar possíveis custos judiciais após a compra.

Essas verificações reduzem bastante o risco de transformar um bom negócio em uma longa disputa.

Terreno em leilão continua valendo a pena?

Na maioria dos casos, sim.

Imóveis vendidos em leilão costumam apresentar preços bastante inferiores aos praticados no mercado. Porém, o comprador deve estar preparado para situações em que a posse não seja imediata.

Por isso, conhecer previamente as regras do terreno em leilão pode evitar prejuízos, reduzir riscos e ajudar na tomada de decisão antes de qualquer investimento.

Guilherme Galhardo
Guilherme Galhardo
Redator, apaixonado pela cultura POP, luta-livre, games, séries e filmes, escreve sobre economia, serviços e cotidiano de cidades. Entusiasta de meteorologia e punk rocker nas horas vagas.
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