O programa Minha Casa, Minha Vida continua sendo um dos principais motores da construção civil no Brasil, garantindo demanda por imóveis populares e ajudando a manter o setor aquecido. No entanto, nem mesmo a força do programa foi suficiente para impedir um desempenho abaixo do esperado das construtoras voltadas à baixa renda no segundo trimestre de 2026. A avaliação é de um relatório divulgado pelo Banco Safra.
Segundo a análise, as restrições no crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal, somadas ao cenário econômico mais desafiador, reduziram o ritmo das vendas e pressionaram os resultados das empresas do segmento.
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Crédito mais restrito afetou o mercado
Mesmo após as mudanças que ampliaram o acesso ao Minha Casa, Minha Vida, muitas famílias encontraram mais dificuldade para financiar a compra da casa própria.
O relatório do Safra aponta que a redução de aproximadamente 300 pontos-base no limite de comprometimento da renda para financiamentos imobiliários contribuiu para que as vendas ficassem cerca de 7% abaixo das projeções do banco. Além disso, a inflação e o aumento do custo de vida também diminuíram o poder de compra dos consumidores.
Lançamentos também perderam força
As construtoras reduziram o ritmo de novos empreendimentos durante o período analisado.
Os lançamentos voltados ao segmento de baixa renda registraram queda de 1% na comparação anual e ficaram 5% abaixo das estimativas do Safra. Entre os fatores apontados estão a suspensão temporária da emissão de alvarás em São Paulo e a necessidade de reajustar os preços dos imóveis diante do aumento dos custos da construção.
Tenda e Direcional ficaram abaixo das expectativas
Entre as empresas analisadas pelo banco, a Tenda apresentou uma das maiores desacelerações nas vendas. O indicador de vendas sobre oferta (VSO) caiu para 24,4%, representando uma redução de 3,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Já a Direcional registrou avanço na geração de caixa, mas as vendas ficaram 12% abaixo das projeções do Safra. Segundo o relatório, o resultado foi influenciado pela divisão dos resultados em empreendimentos desenvolvidos em parceria e pelo desempenho mais fraco da Riva, subsidiária da companhia.
Programa continua sendo o principal suporte do setor
Apesar das dificuldades registradas no trimestre, o Banco Safra mantém uma visão positiva para o segmento de habitação popular.
A instituição avalia que o Minha Casa, Minha Vida continua oferecendo demanda consistente, crédito subsidiado e maior previsibilidade para as construtoras. A expectativa é que uma eventual flexibilização das restrições de financiamento da Caixa ajude a impulsionar novamente as vendas nos próximos meses. Também está prevista uma reunião do Conselho Curador do FGTS para discutir possíveis reduções nas taxas de juros das faixas superiores do programa, o que poderá ampliar o acesso ao crédito imobiliário.

